O bonde está subindo o viaduto Brigadeiro Luís Antônio em direção ao centro, e eu só sei disso por causa do prédio ao fundo, embora ele não exista mais. É o edifício Columbus, projetado pelo Rino Levi e destruído pelo Paulo Maluf.

Aliás, não é só o Columbus que não existe mais. Não há nada, na foto, que tenha sobrevivido para contar a história: nem o prédio, nem o bonde, nem o muro, nem provavelmente o casal de pedestres. Muito menos o Óleo de Amendoim Delícia, que aparece anunciado na frente do bonde.

.680

Fico devendo o crédito da imagem. A foto original estava à venda na internet assim mesmo, sem maiores informações.

E para quem se interessou pelo edifício Columbus, sugiro este outro post.

A foto é dos anos 40 ou 50, mas quase tudo que aparece nela continua até hoje no mesmo lugar.

A parada de bondes coberta ainda está lá, embora sem bondes. Assim como a Padaria e Confeitaria Santa Tereza, que não deve ter deixado de funcionar um só dia nesses anos todos. O endereço é praça João Mendes, 150.

Bem ao lado da padaria, um letreiro que não existe mais. Mas que parece querer anunciar que esse pedacinho da cidade tinha algo de “eterno”. Será que tem mesmo?

679

Fico devendo o crédito da imagem. A foto original estava à venda na internet sem maiores informações.

 

Achei estas fotos à venda na internet e confesso que perdi um tempão passeando pela cidade que aparece nelas.

Com exceção de uma (que todo mundo vai saber qual é), são todas do centro velho e mostram o largo (hoje praça) da Sé, o largo do Carmo (ao lado da praça João Mendes), o largo de São Francisco e o páteo do Colégio.  Não sei quem é o autor nem qual é a data exata das fotos, mas não deve ser muito longe de 1900.

São fotos originais, e não cartões postais ou reproduções, e estão impressionantemente bem conservadas. Por isso mesmo o preço delas é igualmente impressionante: estão à venda por 1049 euros, ou 3280 reais ao câmbio de hoje.

Ainda bem que copiar as imagens e trazê-las pro blog não custou um centavo sequer. Espero que vocês também gostem do passeio!


Atualização em 4 de abril
: O Felipe Alexandre Herculano, que edita o blog Sampa Histórica, notou alguns detalhes que permitem estimar com mais precisão a data das fotos. Os bondes são puxados por burros e os postes de iluminação são a gás, portanto elas são anteriores a 1900, ano em que chegaram os bondes e postes elétricos. Além disso, a torre da igreja do Colégio (que desmoronou em 1896) ainda está em pé em uma delas, o monumento a José Bonifácio (de 1890) já está no largo de São Francisco, e o prédio da Secretaria da Agricultura (de 1891) ainda não existe no largo do Palácio, atual Páteo do Colégio. As fotos não precisam ser todas do mesmo ano, mas disso tudo dá pra concluir que foram tiradas mais ou menos entre 1890 e 1896. Obrigado, Felipe!

Não sei se é uma impressão só minha, mas o aeroporto de Congonhas parece que está sempre em obras. Foi assim que ele cresceu: ganhando um puxadinho, depois outro, depois mais outro, num processo contínuo que o transformou no frankenstein que é hoje.

A foto dos anos 50 mostra que isso vem de longe…

678

(Imagem reproduzida de um slide de 35 mm da época)

O post de hoje surgiu de uma contribuição muito bacana do Felipe Reis, um leitor do blog.

O Felipe conta que um dia desses estava andando pela rua, quando reparou em um mendigo que mexia em um álbum de fotos antigas. Resolveu se aproximar, puxou conversa e ficou sabendo que o homem tinha acabado de achar o álbum no lixo. Acabou ganhando de presente algumas das fotos. São essas aí embaixo, todas do final dos anos 40.

Não foi preciso pesquisar muito para perceber que quatro das cinco fotos são do Tatuapé. Elas mostram a Duperial, uma antiga indústria química que, ao que consta, foi a primeira fábrica construída no bairro. Ela funcionou entre 1928 e 1978, na rua Azevedo Soares 656. Uma das fotos é de uma festa dos funcionários no interior da fábrica, e tem uma anotação no verso: é a despedida do Sr. Herculano, em janeiro de 1949.

A quinta foto, evidentemente, não é da Duperial. Ela mostra uma moça simpática posando na arquibancada do Pacaembu, pelo jeito aguardando o início do jogo. Não sabemos quem é ela, nem qual o seu vínculo com a fábrica ou com o tal Sr. Herculano. Essa parte da história não estava nas mãos do mendigo…

672

673

674

675

676


No terreno da fábrica, hoje existe um condomínio de classe média alta, desses com várias torres, muro alto, forte vigilância e nome pretensiosíssimo: “Duccio di Buoninsegna”.

De acordo com uma pesquisa recente feita por Thaís Coutinho Milan Sartori, aluna do Instituto Mauá de Tecnologia, o terreno tinha um grande poço onde a empresa foi jogando lixo industrial e resíduos tóxicos ao longo dos seus 50 anos de funcionamento. O condomínio foi construído sem maiores precauções, e hoje as famílias do Duccio di Buoninsegna não sabem que moram em cima desse lixo. A foto atual é do Google Street View.

677

Responda rápido. Qual dos prédios ficou pronto primeiro: o Planalto ou o Viadutos?

Eu também não sabia a resposta, até encontrar esta foto. Nela o Planalto aparece prontinho e coroado por um anúncio da Bombril, enquanto o Viadutos ainda está em fase de acabamento. Sua entrada está sem os famosos arabescos vazados, e as placas da obra ainda não foram retiradas. Clicando na imagem, dá pra ver melhor os detalhes.

A foto foi tirada do alto do hotel Jaraguá, provavelmente em 1959. O centro da cidade estava começando a se parecer com Gotham City, mas a dupla de prédios do João Artacho Jurado tinha chegado para dar um jeito na situação. Já repararam como o Viadutos, por seu formato, tem um quê de Batman?

Eu reproduzi a imagem de um slide de 35 mm da época. Além dos dois prédios do Artacho, ela também mostra como era a praça da Bandeira antes de ser prejudicada pela construção da Câmara Municipal.

669

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 315 outros seguidores