756Outro dia dei de cara com a publicidade de um prédio de quitinetes recentemente lançado no centro da cidade. O anúncio imita o formato de um convite pessoal, e o texto assinado pelo diretor da incorporadora Settin deixa claro que se trata de um um evento muito fino e grandioso:

“O momento é chegado, e com grande prazer convido você para a avant-première de lançamento do menor apartamento do Brasil”.

A combinação de “grande prazer” e “menor apartamento” é muito sugestiva. Fica evidente que a incorporadora decidiu aplicar ao marketing imobiliário um conhecido princípio, segundo o qual o que importa não é o tamanho do… dispositivo, mas sim o prazer que ele proporciona. Parece fazer sentido: se funciona com tanta coisa, por que não seria verdade também para apartamentos? A sacada é brilhante.

Em setembro de 1922, a Cia. City também anunciava um arrojado empreendimento de residências pequenas. Mas o marketing não chegava aos pés deste, em matéria de refinamento.

“Essa pequena residencia foi planejada para, no seu serviço domestico, ser dispensado o concurso de creados”, dizia o anúncio de 1922, justificando assim as pequenas dimensões e a ausência de quarto de empregada. As casas, “em estylo moderno”, tinham “uma sala de visita que tambem serve de sala de jantar”, além de “quarto de banho, copa, cosinha, dois terraços, um pequeno deposito e dependencias externas como garage, galinheiro, pombal e canil”.

Uma casa modelo podia ser visitada na rua Brigadeiro Gavião Peixoto (antecipando o atual “visite o decorado”), mas não houve avant-première.

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O anúncio da incorporadora Settin é uma contribuição do meu amigo André Fontan. O da Cia. Citiy foi enviado por outro amigo, o Reinaldo Elias.

 

 

A foto da praça Antonio Prado parece ser da primeira metade da década de 60, e eu ainda não decidi qual destas coisas me chamou mais a atenção:

1) as cores bem conservadas, provando que, ao contrário do que muita gente pensa, o passado não era desbotado ou em preto e branco;
2) o semáforo, complicadíssimo;
3) a garrafa de coca-cola em cima do relógio De Nichille;
4) o fato de um dia esse relógio ter sido azul.

E pra você, o que é mais curioso?

A imagem é de um slide de 35 mm, de autor desconhecido.

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O post de hoje é um presente muito especial que o blog ganhou da Beatriz Rivadávia, uma de suas leitoras mais assíduas.

A foto é de 1912 e mostra a casa, na esquina da avenida Brigadeiro Luís Antônio com a rua Riachuelo, em que a mãe da Beatriz nasceria no ano seguinte. Hoje o terreno está ocupado pelo prédio anexo da Faculdade de Direito da USP, mas na época era ali que os avós de Beatriz moravam e mantinham sua “fabrica de chapeos para senhoras”.

O avô de Beatriz está em pé junto ao portão, posando com empregados e familiares. Na placa em cima dele, é possível ler: “Manuel Artacho, fabricante de chapeos de palha. Reformam-se quaesquer chapeos”. E com isto entendemos melhor de onde veio o talento comercial de um sobrinho de Manuel (e tio de Beatriz) que ficou famoso anos depois: João Artacho Jurado.

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Não sei quase nada sobre Klass Gustav Jansson (ou Claro Jansson, nome que adotou no Brasil). Mas pesquisando na internet, fiquei sabendo que ele nasceu em 1877 em Hedemora, na Suécia, e veio para o Brasil ainda jovem. Morreu em Curitiba, em 1954, deixando um importante acervo de fotos sobretudo da região Sul do país.

Entre a década de 1910 e o comecinho da de 20, ele parece ter estado algumas vezes em São Paulo. E a cidade que viu foi esta, agitada e cheia de gente na rua. Dos muitos detalhes, meus preferidos são as mudas de palmeira da praça Ramos e o calçamento sendo consertado no viaduto do Chá.

Quem descobriu as fotos foi o Paulo José da Costa, um livreiro de Curitiba que as publicou no seu blog. E eu gostei tanto delas que resolvi copiá-las aqui.

Em primeiríssima mão e torcendo para que a previsão se confirme, este blog divulga hoje uma auspiciosa notícia.

Ela saiu na revista “São Paulo Illustrado” em 10 de outubro de 1903, e talvez nos diga algo sobre nosso modelo de gestão de recursos hídricos. Boa sorte a todos e não percamos a esperança! :)

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(Obrigado a Maria Paula Cosme, que pesquisou a revista)

Em 1959, quando a foto foi tirada, a região do Ipiranga ainda era uma área fabril. Comprovamos isso à direita, onde dá pra ver a fumaça que alguma fábrica das redondezas soltava.

A fábrica deve ser hoje um galpão desocupado, dos muitos que existem por lá.

Ou quem sabe tenha virado um condomínio residencial, que também solta alguma fumaça por causa das churrasqueiras gourmet.

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A foto é um slide de 35mm, do mesmo turista que tirou a do post anterior.

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