Para compensar o post anterior, que sugeria um passeio um pouco difícil, resolvi fazer este, com outro mais viável.

A foto é de 1968, um período de pouca gentileza. Mas o lugar mudou muito pouco e a cena poderia ter acontecido hoje. Até a calçada de pedras portuguesas continua lá até agora.

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A imagem é reproduzida de um slide de 35mm. Não sei quem é o autor nem conheço as pessoas retratadas, mas a data está anotada na moldura: agosto de 1968.

727Descobri uma agência de turismo que organiza passeios pela São Paulo de 1936.

A empresa se chama Wagons-Lits/Cook, e o folheto em inglês oferece várias excursões. Estou pensando em fazer alguma delas. Alguém se anima?

730Para quem estiver em Santos, achei interessante a excursão nº 5-A. Um carro passa para pegar o turista no hotel (ou no porto, caso ele esteja em algum navio ancorado lá) e segue para o pé da serra, num trajeto de 16 quilômetros atravessando bananais. Depois de cruzar os rios Casqueiro e Cubatão, começa a emoção: 8 quilômetros de serra, por uma estrada eletrizante (“thrilling”, segundo o folheto). Lá em cima a paisagem muda novamente: o carro passa entre lindos lagos artificiais até chegar ao “Ypiranga Park and Museum”, onde a excursão faz uma primeira parada. Se o museu estiver aberto, pode-se visitar. Depois o passeio segue para o distrito comercial, chamado “Triangle”, e dali para o Jardim América, passando pelas principais avenidas da cidade. Antes do almoço, uma esticadinha até o Butantã para visitar a famosa “snake farm” (fazenda de cobras). A tarde é livre para compras, e o próprio folheto recomenda alguns estabelecimentos: Casa São Nicolau (artigos de couro, roupas esportivas, brinquedos e souvenirs – Praça Patiarcha 8), Bar e Restaurante Ao Pingüim (a melhor cerveja da cidade – av. São João 181), Sorveteria e Confeitaria Selecta (Barão de Itapetininga 131). No final do dia, o carro segue para a estação da Luz e o retorno a Santos é feito de trem.

Mas como eu já estou em São Paulo, acho que vou acabar fazendo a excursão nº 8, que é bem completa: começa às 10 da manhã na praça da República e vai para Hygienopolis, Faculdade de Medicina, Pinheiros, Butantan (visita à “snake farm”), Jardim América, avenida Paulista, Morro dos Inglezes (vista panorâmica da cidade), centro e mercadão. Depois do almoço, também tem uma ida ao monumento e museu do Ypiranga, e depois a Sant Anna, Horto Florestal e Cantareira. Parece puxado, mas acho que vai valer a pena.

O preço da excursão é 190 milréis por pessoa. Só não sei, ainda, onde trocar meus reais…

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(Quem gostou deste post talvez também goste deste outro.)

 

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Aproveito para divulgar aqui o evento “Dia Nacional do Patrimônio Cultural”, que será promovido pela Prefeitura de São Paulo em parceria com a USP, no domingo dia 17 de agosto.

Serão várias palestras e mesas redondas, com temas ligados à valorização e preservação do patrimônio cultural. Eu vou participar de uma das mesas, debatendo com o vereador Nabil Bonduki e com Douglas Nascimento, editor do site São Paulo Antiga. A mediação da mesa será feita pelo meu colega professor José Carlos Vaz, da EACH-USP.

Sintam-se todos convidados! Para ver a programação completa é só clicar aqui. O evento acontece no Centro Cultural da Juventude, na av. Deputado Emílio Carlos 3641, Vila Nova Cachoeirinha.

Roger Wollstadt é um americano que, entre 1971 e 1974, esteve em São Paulo três vezes. Ele trabalhava para a Carterpillar, empresa fabricante de tratores e máquinas, e veio a serviço. E a São Paulo que ele conheceu foi esta das fotos.

Somando as três viagens, Roger ficou 9 semanas por aqui. Hospedou-se sempre no Hotel Ca’d’Oro. No último andar do hotel (que fechou em 2009 e foi demolido em seguida) havia um terraço de onde dava pra se ter uma vista panorâmica da cidade.

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713The hotel was very nice, and had great meals in the dining room. This sounds glamorous, but the trip to the plant was an hour each way”: Roger nos conta que o hotel era muito bacana e servia refeições ótimas, mas o deslocamento até a Carterpillar demorava mais de uma hora, quebrando qualquer glamour. As viagens de ida e volta eram feitas num ônibus da empresa, que fazia o trajeto centro-fábrica. São Paulo já tinha inventado o fretado…

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715Pelas fotos vemos que, nas horas vagas, Roger passeou bastante pela cidade e foi a todos os lugares que um turista deve conhecer: República, Anhangabaú, Augusta, Praça Roosevelt, Ibirapuera e até mesmo o estádio do Morumbi. Fotografou tudo, inclusive uma favela que, segundo ele, ficava perto do aeroporto de Congonhas:

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Mas de todas as fotos, as que eu mais gostei são as da fábrica da Carterpillar, onde Roger trabalhava. Roger explica que ela ficava “on the outskirts of São Paulo” (na periferia de São Paulo), em uma estrada popularmente conhecida como “the Marginale”. A fábrica ficou por lá até 1993. No terreno dela existe hoje o shopping SP Market.

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As fotos, originalmente slides de 35mm, hoje estão na internet. Eu selecionei apenas algumas para o post. Para vê-las e conhecer a história com mais detalhes, é só clicar aqui.

Agradeço ao Roger, que eu nem conheço, por ter compartilhado as fotos, e também ao Gustavo Basso, um leitor do blog que as descobriu e me mandou a sugestão deste post.

Noventa anos atrás, São Paulo já se preparava para o trânsito pesado. Pelo menos é o que sugere este anúncio de um fornecedor de asfalto.

“Millions of square yards of Trinidad Lake Asphalt paving – on the world’s finest streets – are visible proof of its quality and ability to stand traffic.” 

(Milhões de jardas quadradas pavimentadas com o Trinidad Lake Asphalt, nas melhores ruas do mundo, são a prova visível da sua qualidade e capacidae de suportar o tráfego.)

E uma das melhores ruas do mundo, ao menos para o asfalto, era “the Avenida San Joao”, com direito a foto e tudo.

O anúncio saiu na The American City Magazine em fevereiro de 1923.

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A maquete é de um edifício Viadutos mais comportado, diferente do que nós conhecemos. A construção estava sendo iniciada, mas pelo jeito o João Artacho Jurado mexeu no projeto durante a obra. O prédio acabou ficando bem mais bonito do que isso.

A imagem é da revista Acrópole nº 151, de novembro de 1950. Hoje, curiosamente, costuma acontecer o contrário: os prédios quase sempre ficam mais feios do que o prometido nas maquetes e anúncios…

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O slide estava à venda num site americano, com a seguinte descrição: “Rio de Janeiro, Brazil, 1949 Kodachrome slide”.

Tentei avisar sobre o erro, mas o vendedor nem quis me ouvir: garantiu que era o Rio mesmo, certeza absoluta.

O slide custava 5 dólares. Agradeci a informação e comprei.

A data da foto talvez não esteja tão errada assim. O hospital do IAPETEC (atual Hospital Ipiranga) foi inaugurado em janeiro de 1956, e é bem possível que em 49 já estivesse deste jeito.

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