Roger Wollstadt é um americano que, entre 1971 e 1974, esteve em São Paulo três vezes. Ele trabalhava para a Carterpillar, empresa fabricante de tratores e máquinas, e veio a serviço. E a São Paulo que ele conheceu foi esta das fotos.

Somando as três viagens, Roger ficou 9 semanas por aqui. Hospedou-se sempre no Hotel Ca’d’Oro. No último andar do hotel (que fechou em 2009 e foi demolido em seguida) havia um terraço de onde dava pra se ter uma vista panorâmica da cidade.

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713The hotel was very nice, and had great meals in the dining room. This sounds glamorous, but the trip to the plant was an hour each way”: Roger nos conta que o hotel era muito bacana e servia refeições ótimas, mas o deslocamento até a Carterpillar demorava mais de uma hora, quebrando qualquer glamour. As viagens de ida e volta eram feitas num ônibus da empresa, que fazia o trajeto centro-fábrica. São Paulo já tinha inventado o fretado…

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715Pelas fotos, vemos que nas horas vagas, Roger passeou bastante pela cidade e foi a todos os lugares que um turista deve conhecer: República, Anhangabaú, Augusta, Praça Roosevelt, Ibirapuera e até mesmo o estádio do Morumbi. Fotografou tudo, inclusive uma favela que, segundo ele, ficava perto do aeroporto de Congonhas:

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Mas de todas as fotos, as que eu mais gostei foram as da fábrica da Carterpillar, onde Roger trabalhava. Roger explica que ela ficava “on the outskirts of São Paulo” (na periferia de São Paulo), em uma estrada popularmente conhecida como “the Marginale”. A fábrica ficou por lá até 1993. No terreno dela existe hoje o shopping SP Market.

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As fotos, originalmente slides de 35mm, hoje estão na internet. Eu selecionei apenas algumas para o post. Para vê-las e conhecer a história com mais detalhes, é só clicar aqui.

Agradeço ao Roger, que eu nem conheço, por ter compartilhado as fotos, e também ao Gustavo Basso, um leitor do blog que as descobriu e me mandou a sugestão deste post.

Noventa anos atrás, São Paulo já se preparava para o trânsito pesado. Pelo menos é o que sugere este anúncio de um fornecedor de asfalto.

“Millions of square yards of Trinidad Lake Asphalt paving – on the world’s finest streets – are visible proof of its quality and ability to stand traffic.” 

(Milhões de jardas quadradas pavimentadas com o Trinidad Lake Asphalt, nas melhores ruas do mundo, são a prova visível da sua qualidade e capacidae de suportar o tráfego.)

E uma das melhores ruas do mundo, ao menos para o asfalto, era “the Avenida San Joao”, com direito a foto e tudo.

O anúncio saiu na The American City Magazine em fevereiro de 1923.

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A maquete é de um edifício Viadutos mais comportado, diferente do que nós conhecemos. A construção estava sendo iniciada, mas pelo jeito o João Artacho Jurado mexeu no projeto durante a obra. O prédio acabou ficando bem mais bonito do que isso.

A imagem é da revista Acrópole nº 151, de novembro de 1950. Hoje, curiosamente, costuma acontecer o contrário: os prédios quase sempre ficam mais feios do que o prometido nas maquetes e anúncios…

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O slide estava à venda num site americano, com a seguinte descrição: “Rio de Janeiro, Brazil, 1949 Kodachrome slide”.

Tentei avisar sobre o erro, mas o vendedor nem quis me ouvir: garantiu que era o Rio mesmo, certeza absoluta.

O slide custava 5 dólares. Agradeci a informação e comprei.

A data da foto talvez não esteja tão errada assim. O hospital do IAPETEC (atual Hospital Ipiranga) foi inaugurado em janeiro de 1956, e é bem possível que em 49 já estivesse deste jeito.

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703Pouca coisa é mais batida em São Paulo do que foto da estação da Luz. Desde que foi inaugurada, em 1901, a estação é um dos prédios mais conhecidos e retratados da cidade.

Mas estas imagens, pelo menos para mim, foram novidade. Confesso que eu nunca tinha visto a estação assim, ainda em construção.

As fotos foram feitas entre abril e setembro de 1899 e fazem parte de um álbum fascinante, com 74 fotos ao todo, de várias obras ferroviárias pelo Brasil.

O álbum está na Inglaterra (mais precisamente em Ascot, uma cidadezinha a 40 quilômetros de Londres). Ele está à venda, e o preço é uma bagatela: 5.750 libras, ou aproximadamente 21 mil reais. Por sorte, copiar as fotos para o blog saiu de graça.

As duas fotos devem ter sido tiradas pela mesma pessoa, certamente impressionada com a transformação da paisagem. Foram colocadas em um mesmo álbum, com as datas anotadas a lápis: novembro de 1941 e outubro de 1947. Em menos de seis anos, a vista mudou completamente!

Olhando só para a primeira foto, eu teria dificuldade para reconhecer o lugar. Mas a segunda não deixa margem a dúvidas: é a avenida Ipiranga cruzando com a São João. A janela do fotógrafo, seja ele quem for, ficava na Ipiranga com a 24 de Maio.

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