Se o local do post anterior é muito difícil de reconhecer, este aqui é muito fácil.

Nem vou dizer onde é, pois quem conhece o centro vai saber na hora. O cruzamento é muito famoso e os prédios ainda existem.

A imagem é reproduzida de um slide de 35mm. Não sei quem é o autor, mas é uma das fotos mais bonitas que eu já vi desse lugar.

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765Precisei recorrer a amigos para decifrar o que está escrito no verso da foto. O texto está em húngaro e a tradução é a seguinte:

“Para a família Balogh
Com amor,
Pista”

Pista é um apelido, diminitivo de István, que com certeza é o nome de um dos rapazes que aparecem pulando corda em 1952.

Mas a tradução não trouxe, infelizmente, nenhuma pista sobre que local é esse.

Moral da história: é bem mais fácil traduzir húngaro do que reconhecer a São Paulo de 60 anos atrás…

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Quando encontrei estas duas fotos perdidas em um lote de slides velhos, fiquei surpreso com a beleza delas. Mas o que mais me surpreendeu foi perceber que, colocados lado a lado, os dois slides formam uma imagem só.

A imagem composta é da praça Ramos de Azevedo e do viaduto do Chá, emoldurados pelos principais prédios do centro, em um dia de grande movimento. Alguns dos prédios estão firmes até hoje, como o Martinelli, o Altino Arantes e o Sampaio Moreira, mas outros não tiveram essa sorte, como o Clube Comercial e a antiga Prefeitura, ambos no Anhangabaú, ou a antiga sede do Mappin na praça do Patriarca. Eles estão muito bem na foto, mas tiveram vida curta depois dela.

E as perdas já tinham começado. À esquerda do viaduto do Chá, não se vê o antigo prédio do Automóvel Clube. Pelo jeito ele acaba de ser demolido, pois no seu lugar ainda não começou a construção do caixotão de vidro que hoje existe lá. Este detalhe permite datar as fotos: elas são de 1951 ou 1952.

Mas de tudo, o que mais me chama a atenção é o tamanho da fila do ônibus, que começa na praça Ramos, vira a esquina e se perde no viaduto. Isto me faz pensar que a cidade podia ser mais bonita, mas de gentil não tinha tanto assim não…

Desde que fui apresentado a estas fotos pela Katia Kouzelis, uma leitora do blog, não consegui sossegar até fazer o post. Fiquei fascinado pelo acervo: são centenas de imagens, das quais estou publicando aqui somente uma pequena parte.

Elas foram feitas entre as décadas de 1920 e 1940, retratando os letreiros, anúncios e painéis publicitários que o empresário Miguel Braz Gentile, proprietário da “Officina de Pinturas Gentile”, espalhava pela cidade. Eu nunca tinha ouvido falar de Miguel nem de sua oficina, e fiquei maravilhado.

Hoje em dia, a arte de Miguel seria impossível. Desde 2007, ela está banida por lei das fachadas de São Paulo, em nome da “limpeza”. De qualquer maneira, as fotos que ele deixou são um registro fabuloso da história da cidade e da publicidade brasileira.

As fotos permaneceram inéditas até agora, mas estão vindo à tona graças à Adriana Gentile, neta de Miguel, que decidiu digitalizar e compartilhar o acervo. Eu não a conheço, mas agradeço a ela esse gesto generoso…

Não se fazem mais promoções de Natal como antigamente…

No final de 1945, a Mercantil Cruzeiro convidava os clientes a irem até a loja, na rua São Bento, para “realizar a sua mais íntima vontade”.

Não sei que vontades íntimas eram essas que as pessoas realizavam lá dentro… Mas pela quantidade de gente que se aglomerava na porta, devia ser algo realmente sensacional. O pagamento era em 10 prestações, mas “em virtude do acúmulo de serviço” era bom não deixar para última hora.

O anúncio foi veiculado na Folha da Manhã em dezembro de 1945. E quem gostou deste post provavelmente também gostará deste outro.

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Em 1950 a cidade já flertava perigosamente com os automóveis, mas seus postos de gasolina ainda eram simpáticos.

Os três slides de 35 mm, meio desbotados mas bastante nítidos, têm anotações na moldura indicando o bairro em que foram tirados. De cima para baixo, as fotos são da Consolação, Vila Mariana e Mooca.

Não deve ser muito difícil identificar os locais exatos. Eu quebrei a cabeça e não consegui, mas talvez vocês consigam. Algum palpite?

Não sei quem é o autor das fotos, mas com certeza é o mesmo desta outra, que publiquei no início do ano.

E quem gostou do post provavelmente também vai gostar deste outro, de 2012.

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