Em 1959, quando a foto foi tirada, a região do Ipiranga ainda era uma área fabril. Comprovamos isso à direita, onde dá pra ver a fumaça que alguma fábrica das redondezas soltava.

A fábrica deve ser hoje um galpão desocupado, dos muitos que existem por lá.

Ou quem sabe tenha virado um condomínio residencial, que também solta alguma fumaça por causa das churrasqueiras gourmet.

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A foto é um slide de 35mm, do mesmo turista que tirou a do post anterior.

Garimpando imagens para o blog, às vezes eu me surpreendo com as coisas que encontro. Esta foi uma das descobertas mais interessantes, e os fãs do João Artacho Jurado com certeza vão concordar comigo.

A foto é um slide de 35mm que estava misturado com dezenas de outros, de uma viagem que algum turista americano fez a São Paulo em fevereiro de 1959.

Reconhecer o local é fácil: é o saguão do edifício Bretagne, monumento da arquitetura kitsch paulistana que na época acabava de ser inaugurado.

Nem tão fácil assim é achar fotos em cores da sua decoração original, de refinado mau gosto, que há muitos anos deixou de existir. Eu, pelo menos, nunca tinha visto nenhuma.

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Em 1931, o Ipiranga parecia tão longe que estas turistas argentinas pensaram que estavam saindo da cidade. “Uma parada no caminho de São Paulo a Ipiranga”, elas escreveram no verso da foto, tirada quando foram até lá provavelmente para visitar o museu.

745Fiquei curioso por saber o local exato da foto, e não foi difícil descobrir. Bastou pesquisar onde ficavam os postos de “gazolina” da Atlantic. Eram onze endereços ao todo, mas supondo que elas tenham saído do centro, somente um ficava no caminho para o Ipiranga: na avenida do Estado, esquina com rua da Mooca.

Não sei se, hoje em dia, as quatro turistas teriam coragem de parar para uma foto ali.

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A foto estava à venda em Buenos Aires, e os endereços dos postos Atlantic saíram no Estadão de 10 de outubro de 1931.

E quem gostou deste post provavelmente gostará também deste outro.

Mariana Pabst Martins é uma leitora que acompanha o blog com carinho. E o carinho é tanto que ela resolveu compartilhar conosco três fotos de um álbum deixado por seu avô, Roberto Pabst (1887-1970), que estavam guardadas até hoje.

A primeira foi tirada em 1919 e mostra a casa em que a mãe de Mariana nasceria no ano seguinte. A casa ficava na esquina da alameda Santos com a rua Leôncio de Carvalho, no Paraíso, e a família está reunida na varanda. Dá pra ver que a família estava crescendo: a parte de cá da casa é claramente uma ampliação, bem mais nova que o restante…

Até recentemente, a Leôncio conservou casas como as que aparecem mais ao fundo, na parte esquerda da foto. As três últimas foram demolidas em 2012, e hoje no lugar delas está sendo construído um gigantesco edifício comercial.

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A segunda foto também é de 1919, e mostra uma paisagem irreconhecível do Paraíso. Hoje em dia é difícil acreditar, mas estamos a cerca de uma quadra da avenida Paulista.

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E a terceira foto é a que eu mais gosto. Segundo Mariana, ela é de 1921 e foi feita de outra casa da família, na rua Arujá 45, também no Paraíso. Eu acho que foi tirada em direção à Paulista, e o que sugere isso é o predinho mais alto que aparece à esquerda. Parece ser o Instituo Pasteur, que está até hoje na Paulista 393. Será que estou certo?

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A foto foi tirada de alguma janela do edifício Saldanha Marinho, na rua Líbero Badaró, em direção à Paulista, e é daquelas que me fazem perder muito tempo.

Passei horas passeando pela 9 de Julho (à direita) e pela rua Santo Antônio (à esquerda), parando em cada porta, lendo os letreiros, explorando cada lugar e reparando nos detalhes. São tantos, que não vou falar deles aqui. Sugiro que vocês mesmos os procurem. É só clicar na foto que ela cresce o suficiente. Bom passeio!

A foto é de Aristodemo Becherini (1911-1985) e está catalogada na coleção do Museu da Cidade como sendo de 1950.  Mas o Fabio de Paula, que mandou a foto e sugeriu o post, desconfia que essa data esteja errada: deve ser um pouco antes, perto de 1945.

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(Quem gostou deste post provavelmente também vai gostar deste outro.)

No início dos anos 70, o Parque Dom Pedro ainda não tinha terminado de morrer. Graças a este quiosque destelhado, herança de tempos melhores, ele mantinha um resto de orgulho e conseguia agonizar com alguma dignidade.

Não sei quanto tempo mais o quiosque durou. Provavelmente muito pouco. E sua derrubada  talvez tenha sido o tiro de misericórdia para o parque moribundo. Nada mais restou por ali que lembrasse um parque.

O autor das fotos é Leto Esher, um leitor do blog. Depois de guardá-las por mais de 40 anos, ele decidiu compartilhá-las conosco. Agradeço ao Leto esse gesto generoso.

E quem gostou deste post, sobre a morte do parque, talvez também goste deste outro, sobre o nascimento.

 

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736Jules Richard (1848-1930) foi um industrial francês, fabricante de material fotográfico e aparelhos ópticos. Um de seus produtos mais conhecidos foi o “Verascope Richard”. Era uma engenhoca que permita ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, mas tiradas de ângulos ligeiramente diferentes, impressas em uma placa de vidro.  No final do século 19 e começo do 20, Richard comercializou milhares dessas placas estereoscópicas, com imagens do mundo todo, para serem vistas no aparelho.

A placa estereoscópia nº 25.244 mostrava o “Viaduo de Chá”. Mas quando dei de cara com ela, demorei um pouco pra entendê-la. O viaduto nunca teve uma balaustrada como essa que aparece em primeiro plano, e isso me atrapalhou…

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Só depois de um tempo é que percebi: o viaduto na verdade está mais para trás, mais ou menos no centro da imagem. É preciso procurar um pouco, mas depois que o achamos não dá mais pra não vê-lo.

Só não consegui descobrir de onde a foto foi tirada. Quem sabe alguém tenha um palpite.

Uma dica para quem quiser tentar: eu acho que, como o aparelho mostrava a imagem por meio de um espelho interno, as fotos na placa eram invertidas. Se isso for mesmo verdade, o jeito certo de olhar é este aqui embaixo:

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A primeira foto (aparelho) é de Dominique Dalbiez / Wikimedia Commons. As outras (placa de vidro) são do site de uma casa de leilões. E quem gostou deste post talvez também goste deste outro.

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