Mariana Pabst Martins é uma leitora que acompanha o blog com carinho. E o carinho é tanto que ela resolveu compartilhar conosco três fotos de um álbum deixado por seu avô, Roberto Pabst (1887-1970), que estavam guardadas até hoje.

A primeira foi tirada em 1919 e mostra a casa em que a mãe de Mariana nasceria no ano seguinte. A casa ficava na esquina da alameda Santos com a rua Leôncio de Carvalho, no Paraíso, e a família está reunida na varanda. Dá pra ver que a família estava crescendo: a parte de cá da casa é claramente uma ampliação, bem mais nova que o restante…

Até recentemente, a Leôncio conservou casas como as que aparecem mais ao fundo, na parte esquerda da foto. As três últimas foram demolidas em 2012, e hoje no lugar delas está sendo construído um gigantesco edifício comercial.

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A segunda foto também é de 1919, e mostra uma paisagem irreconhecível do Paraíso. Hoje em dia é difícil acreditar, mas estamos a cerca de uma quadra da avenida Paulista.

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E a terceira foto é a que eu mais gosto. Ela é de 1921 e foi feita de outra casa da família, na rua Arujá 45, também no Paraíso. Eu acho que foi tirada em direção à Paulista, e o que sugere isso é o predinho mais alto que aparece à esquerda. Parece ser o Instituo Pasteur, que está até hoje na Paulista 393. Será que estou certo?

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A foto foi tirada de alguma janela do edifício Saldanha Marinho, na rua Líbero Badaró, em direção à Paulista, e é daquelas que me fazem perder muito tempo.

Passei horas passeando pela 9 de Julho (à direita) e pela rua Santo Antônio (à esquerda), parando em cada porta, lendo os letreiros, explorando cada lugar e reparando nos detalhes. São tantos, que não vou falar deles aqui. Sugiro que vocês mesmos os procurem. É só clicar na foto que ela cresce o suficiente. Bom passeio!

A foto é de Aristodemo Becherini (1911-1985) e está catalogada na coleção do Museu da Cidade como sendo de 1950.  Mas o Fabio de Paula, que mandou a foto e sugeriu o post, desconfia que essa data esteja errada: deve ser um pouco antes, perto de 1945.

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(Quem gostou deste post provavelmente também vai gostar deste outro.)

No início dos anos 70, o Parque Dom Pedro ainda não tinha terminado de morrer. Graças a este quiosque destelhado, herança de tempos melhores, ele mantinha um resto de orgulho e conseguia agonizar com alguma dignidade.

Não sei quanto tempo mais o quiosque durou. Provavelmente muito pouco. E sua derrubada  talvez tenha sido o tiro de misericórdia para o parque moribundo. Nada mais restou por ali que lembrasse um parque.

O autor das fotos é Leto Esher, um leitor do blog. Depois de guardá-las por mais de 40 anos, ele decidiu compartilhá-las conosco. Agradeço ao Leto esse gesto generoso.

E quem gostou deste post, sobre a morte do parque, talvez também goste deste outro, sobre o nascimento.

 

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736Jules Richard (1848-1930) foi um industrial francês, fabricante de material fotográfico e aparelhos ópticos. Um de seus produtos mais conhecidos foi o “Verascope Richard”. Era uma engenhoca que permita ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, mas tiradas de ângulos ligeiramente diferentes, impressas em uma placa de vidro.  No final do século 19 e começo do 20, Richard comercializou milhares dessas placas estereoscópicas, com imagens do mundo todo, para serem vistas no aparelho.

A placa estereoscópia nº 25.244 mostrava o “Viaduo de Chá”. Mas quando dei de cara com ela, demorei um pouco pra entendê-la. O viaduto nunca teve uma balaustrada como essa que aparece em primeiro plano, e isso me atrapalhou…

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Só depois de um tempo é que percebi: o viaduto na verdade está mais para trás, mais ou menos no centro da imagem. É preciso procurar um pouco, mas depois que o achamos não dá mais pra não vê-lo

Só não consegui descobrir de onde a foto foi tirada. Quem sabe alguém tenha um palpite.

Uma dica para quem quiser tentar: eu acho que, como o aparelho mostrava a imagem por meio de um espelho interno, as fotos na placa eram invertidas. Se isso for mesmo verdade, o jeito certo de olhar é este aqui embaixo:

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A primeira foto (aparelho) é de Dominique Dalbiez / Wikimedia Commons. As outras (placa de vidro) são do site de uma casa de leilões. E quem gostou deste post talvez também goste deste outro.

Responda rápido: qual foi o primeiro bairro de São Paulo que teve metrô?

As fotos provam que foi a Vila Anastácio. Olha o metrô, ainda novinho, passando por lá.

É que os primeiros trens foram fabricados pela Mafersa, que funcionava no bairro. Quem não chegou, em compensação, foram os trilhos.

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As fotos são reproduzidas da página do Facebook “Vila Anastácio Fotos e Fatos“. E quem gostou deste post provavelmente também vai gostar deste outro.

A foto parece ser do comecinho dos anos 70, e o local é inconfundível. É a rua Maria Antônia, vista de ponta a ponta, com o Mackenzie de um lado e o supermercado Pão de Açúcar do outro. O prédio da USP também aparece, um pouco mais discreto, meio escondido entre os vizinhos.

Não sei quem é o fotógrafo. Mas seja lá quem for, com certeza estava no edifício Parque Higienópolis, na avenida Higienópolis 148. Pouco tempo antes, em outubro de 1968, dessa mesma janela, ele deve ter tido a chance de fotografar a batalha da Maria Antônia.

Nos anos 90, o canto inferior direito da foto sofreu uma grande perda. No lugar desse bonito casarão de esquina, foi construído um prédio lamentável chamado Olympic Higienópolis. Mas o resto da paisagem até que não se alterou muito…

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(Imagem de autor desconhecido, reproduzida de um slide de 35mm)

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