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arquitetura fabril

Quando a cidade era mais gentil, a cerveja era produzida no Paraíso.

498Hoje em dia pouca gente lembra, mas a fábrica ficava bem ao lado do metrô. Não sei exatamente quando ela foi construída, mas dizem que foi a primeira fábrica da Brahma no estado de São Paulo. Foi demolida em 1994, depois de ficar alguns anos desativada.

A fábrica ocupava o quarteirão inteiro entre as ruas Apeninos, Vergueiro, Tupinambás e Paraíso, a poucas quadras da avenida Paulista. Não era bonita, mas era marcante na paisagem e funcionava como um marco visual. A catedral ortodoxa, ali ao lado, era simplesmente “aquela igreja que fica do lado da Brahma”.

Em 2000, seis anos depois de demolida, a fábrica foi retratada pela artista Carla Caffé em seu livro “São Paulo na Linha”.  O desenho, reproduzido aqui, dá uma ideia da imponência do prédio.

As duas fotos abaixo mostram a fábrica em dois momentos. Na primeira ela aparece de frente, a partir da rua Vergueiro, nos anos 80. Na segunda ela é vista por trás, a partir da rua Apeninos, em 1958.

Hoje, no gigantesco terreno que era ocupado pela fábrica, existem dois condomínios de arquitetura anódina e nome empoado. Chamam-se “Up Side Condominium Club” e “Condominium Club East Side”. Não que faça muita diferença, mas é claro que ninguém sabe qual é um e qual é o outro.

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A primeira foto é reproduzida da internet (está disponível em saudadesampa.nafoto.net e em colunamiguelcostaprestes.blogspot.com, mas nenhum dos dois credita a fonte). A segunda foto é do arquivo da Folha.

A parte inferior direita da foto mostra uma área da cidade onde o ano de 2012 foi especialmente triste. Bem ali, onde o viaduto Engenheiro Orlando Murgel cruza a linha da CPTM, fica a favela do moinho, que passou o ano em evidência.

Na década de 70, quando a foto foi tirada, o que havia ao lado do viaduto ainda era o Moinho Central mesmo. A favela só chegaria uns 20 anos depois.

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Fico devendo o crédito da foto. Ela é minha (comprei há algum tempo por uma mixaria em um site de leilões), mas não sei de onde veio e desconheço o autor.

Houve um tempo em que o Cambuci era um bairro cheio de fábricas.

E houve um tempo, também, em que algumas fábricas eram assinadas pelos maiores nomes da arquitetura brasileira. Como esta, projetada por Rino Levi em 1942 para a Cia Jardim de Cafés Finos.

O prédio ficava na avenida do Estado, 5748. Nos últimos anos, ainda íntegro, vinha sendo usado como depósito da Ambev. Mas foi demolido há poucos meses, e em seu lugar está sendo construído um lamentável condomínio com 406 apartamentos de 30 metros quadrados cada um.

Mas o mais interessante é o nome do empreendimento: Innova Cambuci.

Algumas cidades, como Barcelona, conseguem requalificar seus antigos bairros industriais preservando a arquitetura. Já São Paulo prefere “innovar”. Com dois enes, o verbo fica mais sofisticado e significa jogar no lixo a melhor arquitetura da cidade.

(As duas primeiras imagens são do livro “Rino Levi: Arquitetura e Cidade”, de Renato Anelli, Abilio Guerra e Nelson Kon – editora Romano Guerra, 2001. A terceira é reproduzida da internet.)

A foto não é muito nítida e não dá pra ver os detalhes, mas este prédio na rua Antônia de Queiroz tinha uma fachada espetacular. Primeiro funcionou nele a fábrica de tapetes Santa Helena, e depois o Arquivo do Estado. Foi demolido há pouco mais de 10 anos, e hoje existe ali um prédio de apartamentos que se destaca pelo tamanho (são 180 apartamentos), pela  feiura e pelo nome brega: “Paulista New Style”.

(A primeira foto é da revista Acrópole. A segunda, do acervo do Arquivo do Estado)

Lá no fundo, o centro da cidade com destaque para o prédio do Banespa. Em primeiro plano, as casinhas operárias e os galpões e fábricas do Brás, tão importantes na história e na identidade da cidade. Em janeiro de 2011 me chamou a atenção um artigo da historiadora Cristina Meneguello sobre a destruição destes construções, “uma das faces mais evidentes de um processo paulatino de destruição da memória industrial nas cidades brasileiras”. Enquanto em outros países este patrimônio é preservado e adaptado a novos usos (como p.ex. em Poblenou, antigo bairro industrial de Barcelona), por aqui ele é demolido por uma especulação imobiliária “de fraca imaginação arquitetônica”.

(Foto reproduzida do site skyscrapercity.com)

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