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A foto, de 1937, veio junto com as do post anterior. O rio que aparece nela é o Pinheiros, e a foto foi tirada em direção ao espigão da Doutor Arnaldo e Paulista.

Vamos traduzir as legendas? A primeira diz “faculdade de medicina”. A segunda, “avenida Rebouças”.

E a terceira diz que a Light está acabando com o rio e estragando o lugar para sempre. A tradução não é literal, mas o sentido é preciso.

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Ao contrário dos outros, que mostram pequenos pedaços da cidade, o post de hoje permite ver a cidade inteira.

As fotos são de meados da década de 20. Pelas inscrições feitas a tinta em algumas delas, parecem ter pertencido a algum material de divulgação da Cia City. Eu as descobri algum tempo atrás, à venda em um sebo. 

Daria para escrever um monte comentando cada uma, mas prefiro deixar que vocês voem pela cidade e tirem suas conclusões. Bom passeio!

Se não fosse pelo museu do Ipiranga, que aparece imponente e garboso no horizonte, seria difícil acreditar que a foto é de São Paulo.

A anotação em francês no verso (“les juments du poste zootechnique”, ou “as éguas do posto zootécnico”) nos ajuda a entender melhor onde ela foi tirada. O Posto Zootécnico Central foi criado em 1905 e funcionou até 1928 em um grande terreno com entrada pela rua Borges de Figueiredo, na Mooca.

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Não sei de quem é a foto, e muito menos de quem é a letra no verso. O Posto Zootécnico existe até hoje, mas mudou de nome e de endereço. É o atual Instituto de Zootecnia, que depois de sair da Mooca passou pelo parque da Água Branca, e hoje está no município de Nova Odessa.

Às vezes eu acho que as fotos mais interessantes da cidade são as feitas por amadores, que em geral ficam escondidas em álbuns de família e gavetas particulares. Elas podem não ser as melhores tecnicamente, mas costumam ser registros muito reveladores.

É o caso destas, que parecem ter sido tiradas por volta de 1940. Não sei quem é o autor. Só sei que não era muito bom fotógrafo (o que só deixa o resultado mais interessante) e que era caprichoso, organizando cuidadosamente as fotos em um álbum com legendas escritas em húngaro.

Alguns lugares são muito fáceis de reconhecer. Outros, só mesmo tentando traduzir as legendas. Ainda bem que o Google Translator está aí para nos dar uma mão!

O álbum está no acervo digital do Museu da Imigração. São muitas fotos, e eu selecionei apenas uma parte. O restante pode ser visto aqui:  http://www.memorialdoimigrante.org.br/acervodigital/fotografias.php

O post de hoje vai sobretudo para os meus alunos e colegas da USP Leste. Leiam a notícia, vejam o anúncio e me digam: é ou não é um privilégio estudar e trabalhar em um lugar tão “pittoresco”?

515“Realizou-se hontem um pique-nique offerecido á imprensa paulistana.

A interessante festa que a ‘Empresa Jardim Matarazzo’ offereceu hontem á imprensa paulistana decorreu em meio da maior cordialidade e alegria. O tempo agradavel – pouco sol e pouco frio – favoreceu grandemente o pique-nique que se effectuou nos terrenos dessa companhia do lado das linhas da Central, 4 kilometros além da Penha, junto á nova estação Commendador Ermelino Matarazzo, que, como se sabe, está collocada na variante daquella estrada de ferro a concluir-se dentro em breve.

Os convidados partiram do largo da Sé pouco depois das 11 horas, seguindo em automoveis, rumo da Penha, para tomar a estrada de rodagem São Paulo-Rio. Meia hora mais tarde admiravam o bello panorama que offerecem os terrenos do ‘Jardim Matarazzo’, de cujas suaves collinas se divisam para além do Tieté a cidade de Guarulhos, e, rio abaixo, construções esbranquiçadas dos arredores de São Paulo; e, doutro lado, o casario avermelhado de São Miguel, separado por vasto manto de verdura, que se ondula ligeiramente, dando movimento à paizagem e tornando o logar deveras agradavel. (…)

Depois de uma inspecção do local, foi servido aos convidados um lauto almoço em mesas collocadas á sombra de um bambual e protegidas do vento por pittoresco bananal. (…) Á tarde os convidados regressaram a esta capital, trazendo a mais agradavel impressão.”

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Imagens reproduzidas da Folha da Manhã de 6 de julho de 1925 (matéria) e 9 de dezembro de 1925 (anúncio).

Nos anos 50 a cidade ainda não tinha avançado direito sobre o Tietê, e a zona norte ainda conservava estes ares interioranos. A foto é da rua Ouro Grosso, no bairro da Casa Verde, e nos ajuda a entender o costume que o paulistano tinha (e alguns ainda têm) de chamar de “cidade” apenas a região central.

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A foto faz parte de uma publicação que Eduardo Britto e Lino Michalczuk, dois historiadores da Casa Verde, estão preparando para comemorar o centenário do bairro em 21 de maio. Eu a reproduzi daqui: http://www.znnalinha.com.br/html/cv100.html.

(Quem gostou deste post talvez também goste deste outro, também sobre a Casa Verde.)

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O ângulo não é muito usual e a paisagem do local se alterou bastante, mas olhando com atenção dá pra perceber de onde a foto foi tirada.

O fotógrafo está no telhado do edifício Trianon, na avenida 9 de Julho, bem ao lado do atual viaduto São Carlos do Pinhal.

E o que se vê na foto é o outro lado da avenida: um pedaço de um prédio de apartamentos na rua Professor Picarolo, o hospital Umberto Primo, o casario da Bela Vista e um barranco íngreme e baldio, onde pouco depois a Fundação Getulio Vargas construirá sua escola de Administração.

O fotógrafo é Werner Haberkorn (1907-1997). Pela proximidade dos locais e pela semelhança, suspeito que ele tenha tirado esta foto no mesmo dia desta outra.

505A foto parece ser dos anos 50, quando a USP estava começando a se transferir para a cidade universitária, no Butantã. Olhando com atenção, dá pra ver dois carros, um deles com certeza dos anos 40, estacionados do lado esquerdo, debaixo das árvores.

Mas o interessante mesmo é o que alguém escreveu, em inglês, no verso:

“Ao longe (entre os dois postes telefônicos) você enxerga a cidade de São Paulo, vista da universidade. Você pode ver que a universidade fica realmente fora da cidade”.

Conheço bem o campus da USP, mas ainda não consegui reconhecer o local exato da foto. Talvez alguém possa me ajudar.

Comprei a foto pela internet, por 3 dólares, e ela veio de Middleboro, uma cidadezinha americana perto de Boston. Quem é o autor e como ela foi parar lá, vai ser bem mais difícil descobrir.

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As duas fotos dos anos 30, que colocadas lado a lado formam uma só imagem, são da esquina das ruas México e Alasca, no Jardim América. Loteado pela Cia City, o bairro era na época, e continua sendo até hoje, um dos mais caros e luxuosos da cidade.

Mas hoje é difícil reconhecer a esquina. Ela está muito diferente.

503Não sei se a casa é a mesma, profundamente deformada, ou se a derrubaram para construir outra do zero. Só sei que hoje existe lá uma autêntica casa-bunker, dessas em estilo neoclássico, cercadas por muro bege, que só se comunicam com o mundo exterior por meio de interfones, câmeras de segurança e homens de terno preto. As casas dos vizinhos, se é que o conceito de vizinhança se aplica a quem mora assim, seguem  o mesmo padrão.

As fotos dos anos 30 são de Carlos Niederecker (1887-1976). A foto atual é reproduzida do Google Street View.

E a expressão “casa-bunker” é roubada de um trabalho fabuloso que andei lendo esta semana: o livro “Palavracidade”, do Nivaldo Godoy.

Adendo em 30 de abril:  Fiquei muito feliz, hoje, ao receber uma mensagem da sra. Maria Cecilia França Monteiro da Silva.  Ela me conta que esta casa (a original, não a atual) pertenceu à sua família, e que ela própria morou lá por quase dez anos. A casa era residência da sua avó, falecida em 1971, e foi vendida no ano seguinte.  “O jardim era primorosamente cuidado e toda a vizinhança admirava as flores, cujas sementes eram trazidas da Europa por minha avó”, conta D. Maria Cecilia.  E embora a casa tenha sido demolida quando já não pertencia mais à família, seus alicerces foram mantidos. São a única coisa preservada da casa original, construída nos anos 20 pelo escritório Ramos de Azevedo. Fico feliz em saber que o post foi lido por alguém para quem a casa tem tanto significado. Deixo aqui meu agradecimento a D. Maria Cecilia pela gentileza de ter compartilhado parte de suas lembranças conosco.

Quando a cidade era mais gentil, a cerveja era produzida no Paraíso.

498Hoje em dia pouca gente lembra, mas a fábrica ficava bem ao lado do metrô. Não sei exatamente quando ela foi construída, mas dizem que foi a primeira fábrica da Brahma no estado de São Paulo. Foi demolida em 1994, depois de ficar alguns anos desativada.

A fábrica ocupava o quarteirão inteiro entre as ruas Apeninos, Vergueiro, Tupinambás e Paraíso, a poucas quadras da avenida Paulista. Não era bonita, mas era marcante na paisagem e funcionava como um marco visual. A catedral ortodoxa, ali ao lado, era simplesmente “aquela igreja que fica do lado da Brahma”.

Em 2000, seis anos depois de demolida, a fábrica foi retratada pela artista Carla Caffé em seu livro “São Paulo na Linha”.  O desenho, reproduzido aqui, dá uma ideia da imponência do prédio.

As duas fotos abaixo mostram a fábrica em dois momentos. Na primeira ela aparece de frente, a partir da rua Vergueiro, nos anos 80. Na segunda ela é vista por trás, a partir da rua Apeninos, em 1958.

Hoje, no gigantesco terreno que era ocupado pela fábrica, existem dois condomínios de arquitetura anódina e nome empoado. Chamam-se “Up Side Condominium Club” e “Condominium Club East Side”. Não que faça muita diferença, mas é claro que ninguém sabe qual é um e qual é o outro.

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A primeira foto é reproduzida da internet (está disponível em saudadesampa.nafoto.net e em colunamiguelcostaprestes.blogspot.com, mas nenhum dos dois credita a fonte). A segunda foto é do arquivo da Folha.

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