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paralelepípedo

Em janeiro de 1915, a revista inglesa “The Illustrated London News” publicou uma matéria sobre automóveis. A reportagem, que não tinha nada a ver com São Paulo, era sobre a concorrência entre fabricantes americanos e ingleses e também sobre as vantagens e desvantagens dos carros elétricos.

Curiosamente, embora São Paulo nem seja citada, a foto que ilustra a matéria é essa aí embaixo: um garboso carro inglês circulando por aqui.

Fiquei um tempão examinando a foto para ver se descobria que lugar da cidade é esse, mas não cheguei a nenhuma conclusão. Talvez alguém possa me ajudar.

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E pelo jeito o turista do post anterior resolveu descer para dar uma primeira voltinha e conhecer a região.

Saindo do hotel, ele entrou à direita na praça da República e deu uma paradinha no bar e restaurante Metro, na esquina com a rua dos Timbiras:

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De lá, resolveu atravessar  a praça por dentro. Hoje isso seria uma temeridade, ainda mais carregando uma máquina fotográfica…

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Chegando do outro lado, não resistiu e bateu uma foto do Copan. Todo turista faz isso, e pelo jeito já faziam antes mesmo do prédio ficar pronto!

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Era só uma voltinha curta, então ele voltou pro hotel pela Ipiranga mesmo. Não reparou no edifício Esther (que merecia uma foto mas não ganhou), mas parece ter gostado bastante da vitrine da H.Stern.

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Tive acesso a esta foto do bairro de Perdizes em 1958 por intermédio de Gilberto Calixto Rios. Não resisti e pedi para copiá-la aqui no blog.

Quem tirou a foto foi o irmão do Gilberto, Renato Calixto Rios, de uma das janelas da casa onde eles moravam, na esquina das ruas Ministro Godoy e Itapicuru.

Não fosse o edifício alto que aparece ao fundo, seria difícil reconhecer o lugar. Mas o que causa mais estranheza nem é isso, mas sim a ausência completa de carros na foto.

E para comparar, não custa nada colocar também uma vista atual do local, tirada do Google Street View.

Um dia destes eu tive a oportunidade de folhear uma longa reportagem sobre a cidade de São Paulo em uma revista americana dos anos 50. A matéria em si não tinha nada de excepcional: repetia aqueles velhos chavões sobre o vertiginoso progresso da cidade que mais cresce no mundo, e era ilustrada com fotos de arranha-céus e avenidas.

Mas entre as fotos, teve uma que me chamou a atenção. A legenda em inglês explica que “uma velha igreja e uma rua de paralelepípedos no subúrbio mostram São Paulo como era antigamente”.

Fiquei curioso para saber qual “subúrbio” era esse da foto. Como não conseguia identificar a igreja, recorri ao Gilberto Calixto Rios, que conhece a cidade muito melhor do que eu. O Gilberto reconheceu na hora: é a matriz de Santo Amaro, no Largo 13 de Maio.

A igreja continua igualzinha até hoje, mas o entorno mudou bastante.

A primeira foto é da Saturday Evening Post Magazine de 8 de outubro de 1955. A segunda é reproduzida do Google Street View.

A foto dos anos 60 foi tirada na Augusta com a Luís Coelho, a uma quadra da Paulista. Dá para saber isso por causa do Conjunto Nacional, que aparece de frente no lado esquerdo da imagem. Hoje ele não sairia na foto, pois ficaria encoberto pelo prédio do Banco Safra.

Mas o mais legal é a legenda escrita no verso, que transmite bem o clima que a Augusta tinha na época:

“SÃO PAULO ANTENADA: Uma das ruas comerciais mais espertas e interessantes da América do Sul é a Rua Augusta, estreita e de paralelepípedos em meio à moderna e movimentada São Paulo. Entre suas principais atrações estão as butiques para os jovens e modernos, exibindo os estilos antenados de Cardin e Courrèges. Na Augusta, assim como na Via Veneto em Roma ou no bairro Ginza de Tóquio, rapazes e garotas se encontram e lá vão eles escutar ye-ye-yê e dançar o frug.”

Um carimbo no verso indica que a foto é da companhia aérea Pan Am, que a distribuía a jornais americanos como forma de propaganda dos seus destinos. E quem quiser saber o que é o frug pode se informar aqui: http://www.youtube.com/watch?v=paH6QDIHZsM. :D

No embalo do post anterior, resolvi publicar este conjunto de fotos que mostra as principais ruas e alamedas dos Jardins no início da década de 20.

As fotos são do Arquivo do Estado. A impressão que dá é que foram feitas para registar as obras de pavimentação das ruas do bairro, até então de terra. Algumas não têm identificação de autor, outras são de Domício Pacheco, engenheiro da prefeitura.

Não sei a data da foto, e muito menos o autor. Mas o local é inconfundível. É a fachada da Sears Paraíso, na rua 13 de Maio.

Ela se manteve assim até 1989, quando o prédio foi reformado para virar o Shopping Paulista.

A foto é reproduzida da internet. A nota fiscal de 1982 é uma contribuição de Emerson Meneses.

    

 

 

 

 

 

A rua da Consolação, no trecho entre Piauí e Maria Antônia, em dois momentos distintos: ainda estreita e de paralelepípedos, e durante as obras de alargamento de 1967.

A paisagem ao fundo também muda. Na primeira foto, o Itália ainda não existe e o Copan está em construção. Na segunda, os dois estão prontos.

(A primeira foto é do Arquivo da Folha. A segunda é do  Diário de S.Paulo de 12/9/1967. Ambas reproduzidas do site estacoesferroviarias.com.br)

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