Na década de 50, a cidade podia até ser um pouco mais gentil, mas estava começando a se tornar meio sombria. A foto é linda, mas São Paulo aparece nela com ares de Gotham City.

A imagem é reproduzida de um slide de 35 mm da época. Ela tem boa resolução, então vale a pena clicar nela para ver detalhes. Pelo andamento da obra do edifício Conde de Prates, bem no centro, a foto deve ser de 1955, mais ou menos. Não sei quem é o autor, mas ele parece estar no alto da biblioteca Mário de Andrade.

“Vende-se esta bella e vasta propriedade (…) situada a dous kilometros de distancia d’esta capital, em local risonho e aprasivel, onde se gosa de um ar puro e saudavel, e de uma vista que enche os olhos e os recreia”.

Assim era descrita, em anúncio publicado no Estadão em 22 de julho de 1883, a chácara do Pacaembu de Cima, que procurava comprador.

Quase toda elevada, cheia de matas, campos e águas cristalinas, a propriedade parecia mesmo um paraíso. Só estava à venda “por se sentir o seu proprietario já entrado em annos, e estar ha muito soffrendo da vista”. Os interessados deviam tratar do negócio na própria chácara.

Não era a primeira vez que a propriedade era oferecida. Um anúncio semelhante já saíra no mesmo jornal vários meses antes, em outubro de 1882. E outros ainda seriam publicados em 1884. Pelo jeito não estava sendo uma venda fácil…

O negócio parece ter saído só alguns anos depois. Esta foi, muito provavelmente, uma das glebas compradas em 1893 por dois empresários, Martinho Bourchard e Victor Nothmann, que fizeram ali um bem-sucedido loteamento. A região ficou conhecida como Higienópolis. E hoje, em lugar daqueles campos, matas e águas abundantes, a principal atração é um shopping.

 

853

Não sei quem é a elegante figura da foto, mas certamente é alguém que entendia de moda e cuidava muito da aparência. Parece ter sido uma pessoa à frente do seu tempo. Se estiver vivo até hoje, deve ter uns 70 anos de idade e um visual hipster.

Por uma feliz coincidência, bem detrás dele está passando um caminhão da tradicional Lavanderia Cysne, que por décadas atendeu, em São Paulo, “os que exigem roupas bem limpas”. Evidentemente era o caso.

A foto foi tirada no Viaduto do Chá, tendo ao fundo o edifício Matarazzo (atual Prefeitura) e o hotel Othon (ainda em construção). No verso, alguém registrou a data – 28 de junho de 1953 – mas infelizmente não identificou o personagem.

Como se vê, a foto foi roída pelas traças. A roupa provavelmente teve o mesmo destino, e até mesmo a lavanderia, que funcionava em Pinheiros, fechou as portas há pelo menos 15 anos. Mas o garoto, seja ele quem for, talvez esteja tão vivo e elegante quanto há 62 anos. Quem sabe alguém o reconheça!

851

A foto estava em Votorantim-SP. O anúncio da lavanderia é da Folha de São Paulo de 20 de abril de 1970.

Teve gente que passou 2015 inteiro dizendo que o Brasil está se parecendo cada vez mais com Cuba. Esta foto é a prova cabal de que essas pessoas estão enganadas.

É evidente que a semelhança era muito maior nos anos 50. Basta olhar para os carros que transitavam pela Barão de Itapetininga: eram iguaizinhos aos que circulam em Havana! ;)

Mas a foto está aqui por outro motivo. É que a rua aparece toda enfeitada para o Natal, então resolvi publicá-la hoje com meus votos de Boas Festas para todos os que acompanharam o blog neste ano.

A foto é um slide de 35 mm da época, de autor desconhecido. E pelo jeito, apesar dos trilhos, o bonde já não passava pela Barão de Itapetininga. Também não deviam passar muitos caminhões ou ônibus. O primeiro que aparecesse arrancaria esses enfeites todos!

Quando a estação da Luz foi destruída por um incêndio pela primeira vez, em 1946, o governo federal demorou 5 anos para reconstruí-la.

E como se vê nas fotos, ao final dos trabalhos a estação acabou ficando até maior do que era antes. Na imagem de cima, anterior ao incêndio, a ela tem dois andares. Na de baixo, depois da reconstrução, há um terceiro andar que não existia antes. Eu prefiro a primeira versão, mas a segunda também ficou muito bonita.

Esta versão nova, com três andares, foi destruída ontem. Agora vamos ver quanto o governo estadual vai demorar para reconstruir a estação de novo, e como vai ficar desta vez. Será uma medida de quanto regredimos.

As fotos são de cartões postais pesquisados pelo Luís Eduardo Salvucci Rodrigues.

E quem gostou deste post provavelmente também gostará deste outro, publicado um ano e meio atrás.

 

Em 1985, quando estas três fotos foram tiradas, eu tinha 14 anos e começava, todo orgulhoso, a andar sozinho pela cidade. Tudo era novidade: em cada tarde explorando o centro, encontrava alguma coisa incrivelmente fascinante.

Por isso gostei das fotos: elas nem são muito boas, e talvez não digam nada a vocês, mas me fizeram reviver um pouco daquela sensação de liberdade e descoberta. A cidade que eu descobri foi exatamente essa aí.

As duas primeiras são do Anhangabaú (visto do viaduto do Chá) e da rua Rego Freitas, exatamente como eu os conheci.

Mas a que eu mais gosto é a terceira. Quando eu cansava de andar, voltava pra casa no trólebus Cardoso de Almeida, que aqui é visto recém-saído da praça da República, entrando na Marquês de Itu. É até possível que eu esteja dentro dele. Gosto de pensar que estou mesmo…

As imagens são de três slides de 35 mm, de algum turista ou viajante inglês que esteve no Brasil em julho de 1985. Infelizmente eram as três únicas de São Paulo, em meio a centenas de outras, das cidades que ele visitou.

 

A foto, ao que parece de 1906, é  de um tal Frédéric Manuel, fotógrafo do qual eu nunca tinha ouvido falar. Fiquei sabendo dele por intermédio da Maria Paula Cosme, que postou a foto recentemente no Facebook. Gostei tanto que não resisti e resolvi copiá-la aqui.

O local é muito fácil de identificar: é o vale do Anhangabaú, atravessado pelo viaduto do Chá. Ocupado por casinhas humildes e uma ou outra plantação, nesta época o vale era foco de preocupações do poder público, que fazia planos de reurbanização. Em poucos anos, um jardim público afrancesado e monumental daria cabo de toda essa feiura, pobreza e caipirice.

Um século depois, a feiura bucólica do vale nem parece tão feia assim. E o parque afrancesado, inaugurado em 1917, trouxe pompa e beleza ao local mas acabou durando pouco: no final dos anos 30 foi rasgado por uma avenida.

Mas o melhor de tudo, para mim, é a resolução da imagem. Clicando nela, dá pra perder um bom tempo passeando nos detalhes e bisbilhotando as casas das pessoas. O que mais me chamou a atenção é o contraste entre o aspecto modorrento da vida no vale, onde tudo parece parado, e o intenso movimento em cima do viaduto, com grande tráfego de pedestres e bondes.

841

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 476 outros seguidores