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Acho que todo mundo vai gostar desta foto, mas ela é principalmente para quem ficou com dúvidas na de ontem.

As duas fotos vieram juntas, e são claramente do mesmo local, mas esta aqui nos permite fazer um passeio detalhado pela região.

O prédio em construção que se vê bem à esquerda, quase saindo da foto, é o Copan. Bem em cima dele está a parte de trás do edifício Eiffel, também do Niemeyer, cuja frente olha para a praça da República. Ambos os prédios apareciam também no post  anterior.

Seguindo para a direita a partir do Copan, passamos pela simpática Vila Normanda, ainda intacta em toda a sua cafonice, com seus telhadinhos preparados para receber neve. A vila acabou durando pouco, e esta é com certeza uma das últimas fotos em que ela aparece inteira.

Atrás da Vila Normanda estão as fachadas de alguns prédios da avenida Ipiranga (destaque para o São Luiz, do Jacques Pillon). E à direita dela, bem no meio da foto, outra obra sendo erguida: são os dois blocos do edifício Louvre, de João Artacho Jurado. A Vila Normanda irá embora, mas graças ao Artacho a arquitetura kitsch sobreviverá no local.

À direita do Louvre está a avenida São Luís, com suas árvores e prédios característicos. Nosso passeio termina no palácio episcopal, bem no canto inferior direito, que nos anos 60 dará lugar à Galeria Metrópole.

Quando encontrei esta foto, ela não tinha nenhuma indicação do local. Mas nem precisava: essa estrutura de concreto é única no mundo, e o prédio, mesmo antes de ficar pronto, já era inconfundível. Acho que todo mundo vai reconhecer.

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(Imagem reproduzida de um slide de 35mm, de autor desconhecido)

A foto é da década de 1960, mas a avenida Ipiranga continua basicamente a mesma.

Claro que nestes 50 anos houve mudanças, mas nada muito radical. O edifício Itália ficou pronto, os jardins da praça da República ficaram mais feios, o metrô chegou, a 7 de Abril deixou de atravessar a praça…

Mas disso tudo, o que mais impactou a paisagem foi o sumiço da fileira de árvores no meio da avenida. Não sei ao certo quando, o canteiro central foi engolido pelo tráfego.

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Fico devendo o crédito da foto. Ela foi distribuída na época por alguma agência de notícias americana, só não sei qual.

Não fosse por alguns de seus primeiros prédios, seria até difícil reconhecer a Paulista. Quando a foto foi tirada, no final dos anos 50, a avenida ainda tinha mais casas do que edifícios, e mais árvores do que carros. Mas a transformação já estava em curso.

O edifício Dumont Adams, hoje desfigurado, aparece no canto esquerdo. O Saint Honoré, que hoje some tímido entre os vizinhos, ainda está imponente no lado direito. Mais ou menos em frente a ele está o Pauliceia, ao lado de uma mancha marrom que parece ser a escavação para o futuro prédio da Gazeta. Logo atrás, meio embaçado, está o edifício Savoy, que hoje em dia ninguém mais conhece pelo nome: é o prédio do McDonald’s, na esquina da Joaquim Eugênio.

A foto, infelizmente não muito nítida, é de um cartão postal. Ela certamente foi tirada do alto de um outro prédio, o Baronesa de Arary.

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E quem gostou deste post provavelmente também gostará deste outro.

Fechando uma trilogia aérea, as fotos de hoje também são da visita do general Robert W. Harper, em 1950.

Depois de sobrevoar o futuro aeroporto Guarulhos e a futura marginal do Tietê, encontramos o centro da cidade em avançado processo de novaiorquização, com sua arquitetura eclética e seu casario nem tão antigo assim sendo rapidamente substituídos por arranha-céus.

A comitiva do general americano deve ter ficado orgulhosa: havia até uma caprichada imitação do Empire State Building!

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Como muita gente gostou do post de ontem, sobre o futuro aeroporto de Guarulhos, compartilho com vocês mais uma imagem da visita do general Harper.

Desta vez a foto é do Campo de Marte, que hoje em dia é, para mim, um dos lugares-símbolo da cafonice paulistana: uma imensa área pública, em uma região privilegiada da cidade, servindo como aeroporto para os jatinhos e helicópteros dos mais endinheirados.

O aeroporto em si não mudou muita coisa de 1950 pra cá, e o interessante mesmo na foto é a área em volta dele. O rio Tietê ainda está sem marginal, e a ponte Casa Verde (não a atual, de concreto, mas a antiga, de madeira), chama a atenção lá embaixo. As avenidas Rudge e Olavo Fontoura também aparecem em destaque.

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