786Já faz um tempinho que meu amigo Reinaldo Elias vem se dedicando, com enorme paciência, a colorir a São Paulo antiga. Eu tenho acompanhado o trabalho com bastante interesse, e fico admirado com os resultados. Hoje não resisti e trouxe para o blog uma das imagens colorizadas por ele.

A foto original em preto e branco já é sedutora por si, mas com as cores do Reinaldo ela me deixou meio hipnotizado: fiquei feito bobo, andando de lá pra cá pelo viaduto do Chá de 1917, admirando a paisagem e a arquitetura. Tive que fazer um pequeno esforço para voltar.

A foto está em alta resolução, então vale a pena clicar nela para ver os detalhes.

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A foto original é de Aurelio Becherini (1879-1939). Tudo que aparece nela já foi demolido, com exceção da igreja de Santo Antônio, na Praça do Patriarca, que continua igualzinha até hoje.

De vez em quando este blog ganha presentes dos seus leitores, e isso me deixa muito feliz.

Hoje o presente é do João Francisco Resende, que nos conta que encontrou esta foto à venda, dias atrás, na feira de San Telmo, em Buenos Aires. Como a foto tinha a cara do blog, resolveu comprá-la.

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Está na cara (ou melhor, no verso) que a foto foi tirada em São Paulo. E com um pouco de paciência, pesquisa no Google e ajuda de amigos, acho que consegui entender a anotação em lituano:

784“Pikniko dienoje ežerėlyje malonu paplaukyti su valtele… Ar pažinsi mane?
São Paulo 24-1-1948”

(Em dia de piquenique, é um prazer passear de barco por um laguinho… Você me reconhece?
São Paulo 24 de janeiro de 1948)

Eu certamente não reconheço ninguém, mas tenho um palpite sobre o local da foto. Em 1948 Interlagos estava na moda, e eu acredito que o “laguinho” em questão seja a represa de Guarapiranga.

Se for isso mesmo, eu até arrisco que, para chegar lá, o pessoal da foto pegou o ônibus deste outro post.

 

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Hoje tenho duas leituras para sugerir.

A revista Minha Cidade acaba de publicar dois artigos, com posições contrárias, sobre a recente polêmica envolvendo o grafite nos Arcos do Bixiga. Um deles é meu, em parceria com meu colega André Fontan Köhler, e o outro é do arquiteto e professor Carlos Lemos. Ambos são ilustrados com fotos minhas.

O artigo meu e do André é este: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/14.175/5439.

E o do professor Lemos é este: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/14.175/5440.

Espero que gostem. E viva o debate!

780Fabricada nos Estados Unidos entre 1947 e 1971, a Stereo Realist era uma câmera fotográfica estereoscópica que chegou a ser bastante popular na década de 50. Ela usava filmes comuns, de 35 mm, para produzir slides duplos que, vistos no aparelho apropriado (uma geringonça chamada Stereo Realist Wiewer),  mostravam as imagens em 3D.

Por volta de 1952, algum gringo usou a máquina em São Paulo. O que me leva a crer que a data seja essa é a construção do edifício Conde de Prates, que aparece recém-iniciada atrás dos tapumes, no terreno do antigo Automóvel Clube.

Mas se a câmera era Realist, a anotação na moldura slide não foi tanto. O sujeito podia ser até bom fotógrafo, mas confundiu o Anhangabaú com o Jardim da Luz! :D

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O slide estereoscópico estava à venda na internet, e a foto da câmera é reproduzida de  www.nationalmediamuseum.org.uk.

E quem gostou deste post provavelmente também vai gostar deste outro.

A foto, tirada por alguém que foi visitar o Instituto Butantã, não tem nada demais.

A não ser, talvez, o Citroën 2cv estacionado à sombra da quaresmeira. Eu nunca soube que esse modelo de carro tivesse, em alguma época, rodado em São Paulo.

As quaresmeiras, em compensação, são comuns até hoje.

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(Imagem reproduzida de um slide de 35 mm dos anos 50, de autor desconhecido)

O autor da foto, seja lá quem for, deixou uma anotação na moldura do slide indicando de onde ela foi tirada:

“View from window of Hotel Excelsior, 2-59”
(Vista da janela do hotel Excelsior, fevereiro de 1959)

O hotel funciona até hoje na avenida Ipiranga, quase esquina com São João, e o prédio com anúncio das canetas Compactor fica na Vieira de Carvalho esquina com praça da República.

Mas o que eu mais gosto na foto são os dois prédios do Artacho Jurado, em destaque na paisagem ainda pouco verticalizada.

Aliás, um Artacho e meio, e não dois. O Bretagne aparece inteiro na foto, mas o Parque das Hortências ainda está com a construção pela metade.

My beautiful picture

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A foto é de 1928, e o prédio que aparece lá no fundo, ainda em construção, é o Martinelli. Em primeiro plano vemos o parque Dom Pedro, mas o que mais chama a atenção é o garboso leão que naquela época habitava a área.

Esculpido na França, o bicho tinha sido comprado pela prefeitura em 1911 para ficar ao lado do Teatro Municipal. Mas ele acabou se sentindo mais à vontade no parque Dom Pedro, para onde foi levado em 1922.

E foi ficando por lá até que, no final dos anos 60, a prefeitura resolveu transferi-lo de novo. Nessa altura o parque Dom Pedro já estava se tornando um lugar inadequado para um leão de família.

Desde então ele mora no Ibirapuera, e não tem se queixado.

Para vê-lo em seu habitat atual, é só clicar aqui: https://goo.gl/maps/Y4kHl

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