Diferenciada

Em 1927, a Light apresentou um projeto para implantação do metrô na cidade. Na figura ao lado é possível ver como os trens passariam por dentro do viaduto do Chá, e a imagem de baixo mostra o traçado da linha. Mas o projeto não foi adiante, e a cidade apostou no uso do automóvel. O metrô só chegaria quase 50 anos depois, talvez um pouco tarde demais.

Na ocasião, a Light mandou publicar nos jornais um comunicado assinado por seu superintendente, Edgard de Souza, explicando o projeto. Lido hoje, o documento não deixa de demonstrar uma visão de futuro bastante razoável. O texto é longo, então reproduzo só algumas partes:

“A Light expoz com toda a franqueza, no memorial que apresentou á Prefeitura, a sua proposta de remodelação radical do serviço de viação de São Paulo. (…) Entendeu (…) que o progresso surprehendente de S.Paulo; o desenvolvimento da cidade em todas as zonas circumjacentes ao perimetro urbano, inclusive nos pontos mais afastados; o crescimento da população (…); o congestionamento do transito nas ruas estreitas e tortuosas do centro commercial, e, em summa, os multiplos factores que contribuem para a expansão da cidade e as novas necessidades do publico (…), entendeu a Light que devêra antecipar todos esses surtos do progresso (…) dotando S.Paulo de uma rêde de viação completa, perfeita e modelar (…). Um dos pontos capitaes é a construcção do subterraneo central. Constitue esse subterraneo o élo das communicações de todos os pontos da cidade, inclusive os mais remotos, com a collina central, de modo a evitar qualquer solução de continuidade nos serviços de transportes collectivos (…) reduzindo consideravelmente as distancias, approximando do centro o mais rapidamente possível os moradores dos pontos longinquos e concorrendo para que depressa se edifiquem, se povoem e prosperem as zonas da cidade a que essas linhas vão servir”. (…) O Viaducto do Chá figurará no plano de remodelação proposto pela Light, destinado como está a representar importante papel no serviço de transformação da rêde de viação. Será substituído por outro, em condições de dar passagem desafogada a dois trafegos differentes: o de automoveis e o de bondes, em linhas quadruplas em taboleiro inferior construido sob as suas arcadas. É desse ponto que partirá a linha que, penetrando em subterraneo na rua Xavier de Toledo, ligar-se-á [à] de alta velocidade em direcção sul”.

(A primeira imagem é reproduzida de blogdogiesbrecht.blogspot.com; a segunda de skyscrapercity.com)

1 comentário
  1. Belíssimo post que só mostra como os interesses escusos sempre estiveram acima dos interesses coletivos. Desde sempre.
    Parabéns!

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