Só não tinha o Nessie

No embalo do post de ontem, sobre os nadadores do Tietê, resolvo escrever agora sobre os barcos do lago do Ibirapuera. No fundo os dois posts falam da mesma coisa: o rio e o lago passaram pelo mesmo processo de degradação e perderam a capacidade, que um dia tiveram, de integrar-se de fato à cidade.

Cinquenta anos atrás, em 15 de setembro de 1961, uma reportagem do caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo mostrava um roteiro de passeios e atrações turísticas da cidade. E o maior destaque era algo que o paulistano de hoje desconhece por completo: as “instalações náuticas” do lago do Ibirapuera, “com divertimentos diversos muito ao agrado de crianças e também de adultos”. A tabela de preços dá uma ideia do que era possível fazer no lago: “lancha para quatro pessoas, 100 cruzeiros; catraia, meia hora por 30 cruzeiros; lanchas coletivas, duas voltas no lago, 10 cruzeiros por pessoa”. E esses valores nem parecem muito altos. Como base de comparação, o preço de capa do jornal era 10 cruzeiros (20 aos domingos).

Também em matérias de jornal, descubro que de vez em quando o lago sediava eventos esportivos. Em 13 de março de 1955 aconteceu ali uma “atraente competição de motonáutica” patrocinada pela TV Record e noticiada pela Folha da Manhã. Eram mais de 20 lanchas de corrida competindo em duas categorias: hidroplanos (com motor de popa convencional) e cracker box (lanchas com motor de automóvel). Nos anos seguintes, a competição seria transferida para a represa de Guarapiranga.

Tá certo que de vez em quando aconteciam excessos. Em novembro de 1960, uma das atrações que a Volkswagen levou ao primeiro Salão do Automóvel (que acontecia no pavilhão da Bienal, também no parque) era um fusca anfíbio, que fazia demonstrações atravessando o lago de um lado a outro e disputava espaço com os barcos de aluguel…

Hoje em dia, com a possível exceção do fusca, nada disso poderia acontecer porque os barcos e as lanchas encalhariam. Os 2,5 metros de profundidade originais estão reduzidos a poucos centímetros. O resto foi tomado por lodo, esgoto e lixo que o córrego do Sapateiro traz da Vila Mariana, acumulados ali ao longo dos anos.

(Imagens reproduzidas de saudadesampa.nafoto.net, do arquivo da Folha e de forumfuscabrasil.com.br)

3 comentários
  1. Aercio Ferreira Pinto disse:

    Para mim é uma felicidade encontrar esta reportagem citando entre outras a corrida de Barcos no Lago do Ibirapuera uma lembrança inesquecível para mim que fui um dos participantes desta aventura, com o meu Cracker Box com motor Ford 8 cilindros com pintura preta com um simbolo na frente do nome da turma que eu pertencia os ” BIG 9 ” , com 18 anos e em busca de aventuras, obrigado Aercio Ferreira Pinto.

  2. Que legal, Aercio. Eu é que fico muito feliz que vc tenha achado o texto. Volte sempre ao blog! Um abraco.

  3. Aercio Ferreira Pinto disse:

    Está foi uma competição inédita e quase impossível , ter uma corrida de barcos no lago do Ibiraquera , mas aconteceu e Eu tive a felicidade de ser um dos concorrentes com o meu Cracker Box com motor ford de 8 cilindros em V , todo preto com um símbolo no Capô do “BIG 9” da nossa turma, Aercio Ferreira Pinto

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