Punk coisa nenhuma

A Freguesia do Ó não tem nada de periferia, apesar de ter sido eternizada assim por uma famosa música de Gilberto Gil.  Mesmo em 1983, quando “Punk da Periferia” foi composta, o bairro já estava longe de poder ser considerado periférico.

Porém, nem sempre foi assim. Embora seja um dos bairros mais antigos de São Paulo (fundado em 1580), até a década de 1950 ele se manteve mais ou menos isolado do resto da cidade. A Freguesia funcionava na prática como uma cidadezinha à parte. Só se chegava até ela enfiando o pé na lama: era preciso atravessar a várzea do Tietê e uma ponte velha e estreita de madeira. O bonde nunca chegou até lá. O núcleo do bairro era a igreja matriz e algumas casas antigas em volta, muitas das quais estão lá até hoje. O resto eram chácaras e sítios.

Há quem se lembre de que, nos anos 60, ainda se produzia café e se criava algum gado por lá. Mas o forte mesmo sempre foi o cultivo de cana-de-açúcar e a produção de cachaça.  A “caninha do Ó” como era chamada, saía dos alambiques do bairro e era “exportada” para o resto da cidade.

O perfil interiorano começou a desaparecer com a construção da marginal e da atual ponte Freguesia do Ó, nos anos 50.

Em tempo: a versão da cantora Cibelle para “Punk da Periferia” é muito melhor que a do Gil.

(A três primeiras imagens reproduzidas de freguesianews.com.br, riopostal.com e portaldoo.com.br. A última é de saudadesampa.nafoto.net, que cita como fonte o acervo de Nivaldo Godoy.)

4 comentários
  1. Tem uma lenda do pq se chama Freguesia do Ó, conhece esta? Quando a freguesia da Igreja de Nossa Senhora ia ao mercado central, os comerciantes gritava, lá vem as senhoras do ó. E porque ó? Porque durante a missa, estas senhoras entoavam: Ó Nossa Senhora… Ó virgem Maria…, Ó etc…

  2. Bruno Martinelli disse:

    Basílio, sua versão faz mais sentido do que a que eu tenho: comerciantes portugueses que vinham do centro eram indagados sobre onde iam. Eles responderiam: vou lá naquela freguesia do ó (“ó” porque é longe).
    A comunidade portuguesa foi bem forte já no bairro.

    Outra coisa que já ouvi é que quando colocaram o bonde no resto da cidade iam colocar aqui, mas os camponeses portugueses não deixaram por causa do barulho. Se alguém tiver saco de ir atrás dessas informações me avise hehehe

  3. Juliana disse:

    Ola, Martin.
    Estou achando bem interessante seu blog.
    Nao conheco muito bem Sao Paulo, mas o legal eh que eu to revivendo uma experiencia interessante que tive enquanto lia um livro da Zelia Gattai, “Anarquistas Gracas a Deus”.
    Eh um livro de memorias dela e descreve muito bem o que se passava em 1910-1920, mais ou menos, com caracteristicas geograficas, inclusive.
    Recomendo a leitura. Muito bom!
    Adoro o conceito de ser mais gentil e adorei o blog tambem. Parabens pelo trabalho.

  4. Martin disse:

    Que bom que gostou, Juliana… Fico muito feliz!

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