A alma do negócio

A Vila Carrão, na zona leste da cidade, é um empreendimento com “bellissimos terrenos” e “boa agua em toda parte”, que o dentista Barreto está vendendo por “excepcionaes preços”. O bonde em breve chegará até o bairro, mas enquanto isso não acontece é preciso tomar o bonde Penha, saltar na rua Antonio de Barros e andar um bocado a pé. Mesmo assim tem um monte de gente com urgência de ir até lá, disputando a tapa um lugar no bonde: o cartola granfino e sua queridinha, o corcunda gasto pelo trabalho, a mulher de respeito acompanhada da mãe, e até mesmo o motorneiro, que pretende comprar uns terrenos e abandonar o bonde de vez. Aos domingos encontra-se por lá “o Emprezario ou o Engenheiro” para mostrar os terrenos aos interessados. E nos dias úteis, é possível “vêr mappa e escriptura” na rua Barão de Itapetininga 41-A, sobrado.

Eu acho que este é o anúncio imobiliário mais simpático que eu já vi. Se tivesse os 150$000 que o dentista Barreto pedia, e se morasse na São Paulo de 1917, acho que também iria correndo até lá pra ver se comprava um dos lotes de 10×50.

O anúncio saiu no número 231 da revista O Pirralho, fundada e dirigida por Oswald de Andrade. A revista circulou entre 1911 e 1917 e teve uma grande importância na gestação do modernismo. Foi ali, entre outras coisas, que nasceram e foram publicadas durante anos as Cartas d’Abaxo Pigues que eternizariam Juó Bananére.

Inúmeros outros anúncios foram publicados na revista. Entre eles o do Desinfetante Creolisol (“em solução a 2%, mata o bacillo em 20 segundos”), o do Xarope de Comenol (preparado na Pharmacia Santa Cecilia, Rua das Palmeiras 12), e o da “Gilea di Mocotó” (“O dolce da moda: chi non come gilea non é xique”).

5 comentários
  1. Edmilson José Boregas / FGV disse:

    Martin, muito saborosas essas memórias de um tempo em que todos tinham tempo! Dá uma vontade de voltar no tempo!… Um abraço e obrigado por preencher nosso dia com um pouco do bucolismo que a “modernidade” engoliu! Edmilson – FGV

  2. Hélio disse:

    Morei no Tatuapé e não conhecia essa história do bairro vizinho. Abs,. e parabéns por seu trabalho

  3. Martin disse:

    Edmilson e Hélio,que bom que vcs estão gostando. Fico muito feliz! E aceito sugestões para o blog: ideias, histórias, fotos, tudo será bem-vindo!

  4. Eric disse:

    Putz, meus pais moram na Rua Dentista Barreto… Procurei a história deste tal Dentista e nunca encontrei nada… Então ele era o “dono” de lá?! Ahahaha…
    Gosto muito do seu blog… Toda vez que entro nele me dá a certeza que nasci na época errada.
    Abraço.

  5. jurabrito disse:

    Fincada em uma das regiões que mais crescem na zona leste, a Vila Carrão tem o progresso em seu DNA. O bairro surgiu de um antigo sítio que ficava à beira de uma trilha por onde passavam viajantes que vinham do extremo da zona leste a caminho do Centro da cidade. Essa trilha também chegou a ser usada por bandeirantes, em busca de ouro e índios para escravizar.Essas terras, de acordo com alguns historiadores, faziam parte da indefinida “Sesmaria de João Ramalho”, que ao longo dos anos passou pelas mãos de muitos proprietários e recebeu nomes como “Tucuri, “Bom Retiro” e “Chácara Carrão”. Aos poucos, do vasto sítio “Tucuri”, “Bom Retiro” ou “Chácara Carrão” surgiram os bairros de Vila Carrão, Vila Nova Manchester, Vila Santa Isabel e Jardim Têxtil, e o cenário agrícola foi dando lugar ao progresso. Esse sítio pertenceu ao conselheiro João da Silva Carrão, muito conhecido na Capital como o Conselheiro Carrão, onde plantava uvas de diversos tipos às margens do córrego Aricanduva.No início do século 20, a vila começou a tomar forma e em 1916 passou a existir oficialmente. Nesse tempo, o dentista João Gomes Barreto propôs aos proprietários das terras um amplo arruamento da área, e teve sucesso. Começou a ascensão que fez o bairro de classe média e de operários.Conforme o Censo de 2010, o bairro possui cerca de 72 mil moradores (68º maior da cidade), espalhados em uma área de 7,5 km2. A população tem uma renda média de R$ R$ 1.442,70 e um elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Fazem parte do Carrão, os bairros de Carrãozinho, Chácara Califórnia, Chácara Santo Antônio, Chácara Santo Estêvão, Vila Nova Manchester e Vila Santa Isabel. O próprio Carrão, no passado, fazia parte do distrito do Tatuapé, como o Aricanduva e a Vila Formosa, mas emancipou e cresceu. Mas essa fase de dependência acabou. O bairro possui um comércio forte, principalmente ao logo da Avenida Conselheiro Carrão, e entrou definitivamente na rota das grandes construtoras, com empreendimentos do todos os padrões.De acordo com levantamentos feitos por nossa equipe em sites e classificados de imóveis, e nas ofertas do próprio portal ZL Imóvel, a Vila Carrão tem um mercado bem diversificado, com boas ofertas para todos os tipos de imóveis. As casas térreas de dois dormitórios têm o metro quadrado entre R$ 2,8 mil e R$ 3,5 mil, se for usada, e entre R$ 3,4 mil e R$ 4,1 mil nas unidades novas. Já para sobrados, os usados variam entre R$ 1,8 mil e R$ 2,9 mil, os novos podem ser encontrados entre R$ 3 mil e R$ 4,2 mil o metro quadrado. As casas em condomínio têm valor de R$ 3,3 mil e R$ 4,2 mil nas unidades de terceiros e R$ 3,3 mil e R$ 3,5 mil nas novas. Para aluguel, o metro quadrado dos dois tipos de imóveis, em média, está R$ 20 a R$ 30.No caso de apartamentos, também de dois dormitórios, as unidades novas são oferecidas de R$ 4,1 mil a R$ 5,4 mil o m2. Já os imóveis usados, de R$ 3,8 mil a R$ 5,7 mil. A locação tem os mesmo valores que as casas . Uma sala comercial, para venda, tem preço entre R$ 3,5 mil e R$ 5,3 mil, mas há ofertas de R$ 8,9 mil para prédios com maior infraestrutura. Na locação, os preços variam entre R$ 19 e R$ 29. Os terrenos, geralmente, imóveis antigos e abandonados, podem ser comprados com valores de R$ 2,2 a R$ 2,6 mil. Também foram encontrados terrenos com metro quadrado de até R$ 5,5 mil.Há muitos anos, o Carrão não é mais uma passagem para viajantes ou um bairro distante e sem graça. O mercado “descobriu” a região e a transformou em um pedaço muito interessante para morar e investir, seja no residencial ou no comercial. Fonte: Autor – Marco Barone em 22/07/2012 

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