Moça bonita não paga

As feiras livres, onde moça bonita não paga mas também não leva, são uma instituição centenária em São Paulo. Foram oficialmente criadas pelo prefeito Washington Luís em 1914, e desde então mudaram muito pouco.  Apesar de muita gente não gostar, dizendo que são anacrônicas e atrapalham o trânsito (sempre o trânsito…), elas têm sobrevivido quase que milagrosamente ao processo de embrutecimento urbano.

215E quase tão antigas quanto as feiras são as reclamações sobre elas. Em 29 de novembro de 1925, uma matéria da Folha da Manhã fazia uma série de denúncias e cobrava providências das autoridades. A lista de queixas é tão grande, que até o trânsito aparece:

“Os mercadores (…) transportam a sua mercadoria em vehiculos sujos que exhalam horrivel fedentina. Cumpre aos fiscaes de hygiene olhar por isso, bem como pelo estado da mercadoria exposta á venda, que não raro, apresenta signaes evidentes de deterioração. Si uma fiscalização severa não póde ser exercida nesses mercados livres, (…) melhor será extinguil-os, isso a bem da saude publica. São as feiras livres tambem ponto de reunião de ociosos e vagabundos, meninos bonitos empoados e de paletós cintados, almofadinhas de toda casta, verdadeiros pelintras, que azuernam os ouvidos das senhoritas dirigindo-lhes phrases melosas e balofas, estylo futurista. (…) Os amigos do alheio e os pequenos larapios têm nessas feiras campo livre para exercer sua acção nefasta. (…) Outro inconveniente das feiras, e esse bem grave, é sua condição anti-hygienica. (…) Por mais que se esforcem e se esfalfem esfregando o cimento não conseguem os lixeiros, gastando litros e litros de creolina, abafar o mau cheiro, muito augmentado nos dias de sol. No largo do Arouche, por exemplo, as familias, terminadas as feiras, têm receio da fedentina que dura horas e horas. Além disso a feira do Arouche está mal localizada, pois essa praça pública é uma das mais movimentadas da cidade, ponto de ligação que é entre os bairros das Perdizes, Lapa, Barra Funda e outros, sendo por isso mesmo enorme o transito de vehiculos.”

As duas fotos acima são da revista A Cigarra nº 21, de julho de 1915, e mostram a feira que havia no largo de São Paulo, atual praça Almeida Júnior, na Liberdade. A imagem abaixo é da revista A Cigarra nº 15, de dezembro de 1914.

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2 comentários
  1. Mariangela disse:

    Feiras – Ruim com elas, pior sem elas.

  2. todos reclamam, más se tirar , vão sentir falta e reclamar pq tirou!!!!!!

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