Virou estacionamento

Mesmo nestes tempos em que o Oscar Niemeyer é tão reverenciado, pouca gente se lembra deste prédio dele que já foi demolido. Era a fábrica de biscoitos Duchen, construída no começo dos anos 50 na Via Dutra, na divisa com Guarulhos.

Quando a Duchen fechou nos anos 80, a fábrica foi vendida para uma transportadora vizinha, que demoliu o prédio para usar o terreno como estacionamento de caminhões. Um processo de tombamento estava em andamento, mas os novos proprietários conseguiram revertê-lo rapidinho.

E assim a humanidade perdeu para sempre uma das duas únicas fábricas do mundo projetadas pelo Niemeyer.

(A outra foi a da Ericsson, em São José dos Campos, que não teve um final muito melhor: foi toda descaracterizada para virar um shopping.)

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A primeira imagem é extraída do filme “Megalópolis“, um curta-metragem de Leon Hirzman rodado em 1973. A segunda é da revista Acrópole nº 227, de setembro de 1957. A terceira é de autoria do arquiteto Eduardo Kneese de Mello (1906-1994), e última é um anúncio de 1952, gentilmente enviado para o blog pelo Luciano Cartegni.

8 comentários
  1. José Zanine Caldas Filho disse:

    Essa não foi a única fabrica projetada por Niemmeyer, o predio do conjunto industrial da Ericsson em São José dos Campos também foi projeto dele.
    Hoje o prédrio esta todo descaracterizado, foi reformado e ampliado dando lugar a um Shopping.!

  2. Obrigado, Zanine! Eu desconhecia essa outra fábrica. Modifiquei o texto, que agora está correto graças a você. Um abraço!

  3. lucia teresa faria disse:

    A demolição começou num domingo pela manhã, tentando não ser “percebida”, só que por acaso eu estava passando pela alça de acesso da Fernão Dias à Dutra e vi… Fiquei ali parada dentro do carro, por um tempo e completamente em choque, vendo dois tratores, um de cada lado de um pórtico derrubando como se fossem um dominó, era uma jovem arquiteta apaixonada pela Duchen, por Niemeyer, pela minha profissão, por história da arquitetura (fui aluna dos profs. Kneese de Mello e Eduardo Corona) e tudo “aquilo” era triste demais… Julguei que era preciso fazer alguma coisa e rápido! Naquele tempo não tinhamos celulares, só foi possivel ligar para o prof. Corona qdo cheguei em um telefone público… ele tomou todas as providências possíveis para que a demolição fosse parada, ligou pro pessoal do IAB, Condephaat e sei lá mais quem… conseguiu. Na época foi um gde agito o assunto e ainda naquela semana o “arquiteto” que cuidava (?) da demolição foi ao Rio falar com o Oscar pedindo a autorização dele, como era de se esperar a resposta foi: “claro que pode demolir, um edifício, uma arquitetura não são importantes” e claro os “desavisados” usaram esse argumento como justificativa na mídia “se ele abriu mão, pq os chatos dos outros arquitetos estão esperneando tanto!”. E o que sobrou daquela maravilha ficou “congelada” por muitos anos. Tenho um certo orgulho do que fizemos e nesses tantos anos em que se conseguiu manter o embargo sempre olhava pra lá e pensava; será que um dia o Condephaat vai conseguir que eles (a transportadora), pelo menos, mantenham o que sobrou (um pórtico, a portaria prox. da Dutra, a marquise…) pra memória? Não aconteceu… Qdo eles conseguiram a liberação da terra terminaram as demolições e hoje onde se via uma bela fábrica vê-se muitos caminhões… pena…
    p.s.: conheci seu blog hoje fazendo uma pesquisa sobre São Paulo e vc é muito competente, parabéns e obrigada!

  4. Lucia, obrigado por esse relato tão tiste e tão bonito. E fico muito feliz que tenha gostado do blog! Eu já tinha ouvido essa história de que o Niemeyer não se opôs à demolição, e sempre achei que isso não podia ter sido usado como justificativa. Lembro também que, nos últimos anos de vida, ele teimou que queria derrubar um pedaço da marquise do Ibirapuera e os órgãos de proteção do patrimônio não deixaram, pois a marquise era um bem tombado e o fato de ele ser o autor não lhe dava essa autoridade… A história também lembra a do Franz Kafka, que mandou queimar toda a sua obra mas felizmente foi desobedecido.

  5. Lygia de Santis disse:

    Conheci esse prédio da Duchen em visita com meus pais nos anos 50 e tenho gravada na memória até hoje sua imagem original. Desconhecia que fosse projeto do Niemmeyer. Pena que o Brasil não tenha a mesma memória! Lygia de Santis

  6. José Luis Amarante de oliveira disse:

    ADOREI AS FOTOS MARAVILHOSA PENA QUE ESSA GRANDE OBRA MARAVILHOSA FOI PRO CHÃO POR CAUSA DA SANTA BURRIÇE MANDA UM PATRIMONIO HISTORICO PENA QUEM COMPROU O TERRENO NÃO SOUBE PRESERVAR

  7. Andre Gomes Pereira de Oliveira disse:

    Caros, boa tarde!

    Sei que o post é antigo, mas não custa tentar.
    Sou estudante de História em uma universidade pública (Unifesp) e estou pesquisando os impactos da desativação e demolição da Duchen para o entorno.
    Para iniciar, precisaria ter acesso ao processo de tombamento, mas é uma burocracia conseguir informações como número de processo e etc.
    Vou fazer algumas entrevistas também com quem teve algum tipo de envolvimento (trabalhadores ou filhos dos trabalhadores, vizinhos da fábrica, etc).

    Se alguém puder me ajudar, agradeço.

    Att.

    André

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