Olhando as figuras

Esta semana descobri um livro muito interessante. Pena que não vou conseguir ler muita coisa, porque o livro está todo em alemão, uma língua que eu não entendo…

Mas não faz mal. Estou fazendo o que está ao meu alcance: olhar as figuras. E já vou avisando que as figuras valem muito a pena.

O livro se chama “Flora der umgebung der stadt São Paulo” (“Flora dos arredores da cidade de São Paulo”, segundo o tradutor do Google). Foi publicado na Alemanha em 1911 e, até onde eu consegui averiguar, nunca foi traduzido. O autor é um tal de Alfred Usteri (1869-1948), um botânico suíço que, ao que parece, passou uma parte da vida por aqui e chegou a ser professor da Escola Politécnica.

Mesmo sem conseguir entender muito, deu pra ver que o livro descreve em detalhes a vegetação natural existente ao redor da cidade. E o legal é que as descrições são acompanhadas de fotos dos lugares.  Assim podemos ver como era a paisagem original de bairros como Vila Mariana e Santana, por exemplo, antes de a cidade chegar até lá.

Não sei a de vocês, mas a minha foto preferida é a das araucárias na avenida Paulista. E para quem lê alemão, o livro está aqui: http://archive.org/details/mobot31753000324191.

9 comentários
  1. Alessandro Santos disse:

    Gostei mais da foto do Pico do Jaraguá – sem as antenas.

  2. A Avenida Paulista quase não mudou, hehe… e aquelas fotos com “Nossa Senhora do Ó” são da freguesia mesmo? Uma várzea só por lá hem…

  3. Leticia Sampaio disse:

    Olá, como sou bibliotecária na USP, tentei localizar esta obra aqui e..não temos. Mas encontrei um Guia botanico da praça da republica e do jardim da luz.. de 1919. Publicado pela Prefeitura de São Paulo e acredito, tradução do Monteiro Lobato (na biblioteca do IEB). quem sabe esta obra complementa a outra…

  4. Bom saber disso, Leticia! Obrigado pela informação!
    Pelo jeito os dois livros se complementam, sim: um deles (o que está no IEB) parece referir-se a áreas centrais da cidade, e o outro aos bairros que na época eram distantes e ainda não urbanizados… Um abraço!

  5. Numa das fotos publicada naquele grupo que participamos Martin, fiz um comentário sobre as araucárias na região da Paulista. Vou repetir aqui.

    ” As araucárias, tipicas da região. No livro “Os nascimentos de São Paulo”, segundo o geógrafo Aziz Ab’ Saber, era comum esse tipo de vegetação nessa região, e no bairro de Pinheiros. Também existem evidências desses bosquetes de araucárias no bairro do Cambuci.”

  6. juju monf disse:

    Sim, nós tínhamos araucárias ao longo de todo o espigão da Paulista.Geograficamente imponente, a Paulista de hoje foi antes conhecida como “Estrada de Real Grandeza”. A presença dessa trilha/estrada no alto, dividindo os vales dos rios Pinheiros e Tietê, e sua característica mata alta (as araucárias) garantia sua visibilidade à distância e seu estabelecimento como referência na paisagem. Aziz Ab’Saber* lembra que a região onde hoje se localiza a avenida foi denominada “Mata de Caaguaçu” (mata grande/alta) e já era uma trilha importante para os indígenas, primeiros habitantes deste território. (*AB’SÁBER, A. O sítio urbano de São Paulo, 1958.)

  7. juju monf disse:

    PS: Tudo isso pra dizer que essa foto da Paulista é incrível e eu gostaria muito de mostrá-la para os meus alunos que ficam descrentes quando conto que a Paulista (e o bairro de Pinheiros) eram sim uma linda mata de araucárias…
    🙂

  8. Olha só o destaque da araucária neste “Panorama da Cidade de São Paulo” pintado em 1823 pelo inglês Edmund Pink:

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