Dois novos Artachos?

Os prédios construídos nos anos 40 e 50 por João Artacho Jurado (1907-1983) são hoje referências importantes na paisagem da cidade. É difícil encontrar alguém que não conheça os edifícios Viadutos, Planalto, Bretagne ou Parque das Hortênsias, só para citar alguns.

Mas este post não é sobre os prédios conhecidos do Artacho. Ao invés disso, prefiro mostrar algo que até agora ninguém sabia, nem sequer os pesquisadores da obra do arquiteto. São duas descobertas que fiz no arquivo da Folha.

A primeira não é em São Paulo, mas a 400 quilômetros de distância. Em agosto de 1952, a empresa de Artacho, a construtora Monções, publicou um anúncio na Folha da Manhã comunicando ao público que acabara de construir, e entregava ao governo do estado, “o novo Edifício Séde da Caixa Econômica Estadual de Franca”.

Não é possível saber, pelo texto do anúncio, se o prédio em Franca foi projetado pela Monções ou se apenas a execução ficou a seu cargo. De qualquer maneira, trata-se de um exemplar da obra de Artacho até hoje desconhecido pelos pesquisadores, e que merece ser investigado. O achado também acrescenta um interessante dado novo ao conhecimento disponível sobre o arquiteto: o seu envolvimento com obras públicas, uma vez que toda sua produção conhecida até agora era de casas e condomínios privados.

A segunda descoberta é uma “excepcional ocasião” anunciada na Folha da Manhã em setembro de 1954. Trata-se de um conjunto de casas vendidas a prestações, localizadas nas ruas Serra de Jureia e Euclides Pacheco, no Tatuapé. O local é “privilegiado”, pois é servido por “otima condução” e fica “junto à igreja”, entre outras atraentes vantagens. Pela localização do empreendimento e por sua descrição no anúncio, sabemos tratar-se de casinhas para um público de classe média baixa. O anúncio não permite saber se foram projetadas e construídas por Artacho, ou se foram apenas objeto de corretagem.  De qualquer forma, assim como o edifício em Franca, estas casas muito provavelmente ainda existem e certamente merecem ser identificadas e estudadas para um conhecimento mais completo sobre o arquiteto.

Para além de qualquer descoberta pontual, no entanto, a conclusão é que a obra de Artacho é menos conhecida do que normalmente se pensa. Se apenas uma pesquisa rápida em jornais já trouxe estas duas novidades, isso é indício de que ainda deve haver muita coisa a ser desvendada sobre a atuação e o legado do personagem. Fica a sugestão para os arquitetos e estudiosos de arquitetura.

(Este post é uma versão resumida de um artigo que publiquei na revista Arquitextos.  E se você gostou dele, talvez também goste deste outro.)

5 comentários
  1. Maria Sylvia disse:

    Como faço para mandar notícias ou email que talvez interessem a voce ?
    Maria Sylvia
    fcolorado@bol.com.br

  2. Belos achados! Do topo de minha admiração totalmente leiga por alguns arquitetos, o Artacho é um dos que mais gosto… até pela identificação com São Paulo. Realmente diferenciado.

  3. daniel disse:

    Durante o último Arqtour Artacho Jurado, o Prof. Ruy Debs, autor do livro “arquitetura proibida” nos disse que visitou Franca recentemente e que o tal prédio da Caixa em nada parece as obras do Artacho, mesmo sendo construído pela Monções.

    Eu já havia lido sobre essas casas do Tatuapé, mas não sabia a localização certa, dei uma olhada no Google Maps e talvez as casas sejam as geminadas da rua Serra da Jureia, altura do número 580 (lado par).

  4. Margarete disse:

    Se não viraram prédios agora, elas ainda estão lá, não só as ruas citadas tinham conjuntos de casas, mas as outras ruas no entorno tb, morei ali quase por toda a vida.

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