Parêntese

Este post sem foto é uma pequena pausa que preciso fazer para compartilhar um presente recebido hoje: o texto abaixo, publicado pela Mayra Fonseca em sua página O Brasil com S, no Facebook. Conheci a Mayra alguns meses atrás, em uma mesa redonda aonde fui convidado a ir falar sobre o blog.

Espero que gostem. Eu fiquei imensamente feliz, e cheio de energia para continuar. Obrigado, Mayra!


“Eu nasci no norte de Minas Gerais, numa cidade que faz fronteira com o Vale do Jequitinhonha, com o Polígono da Seca e com o Sertão (aquele mesmo, de Guimarães Rosa). E, apesar da origem, sim, interiorana e simples, nunca reconheci no meu cotidiano o retrato da vida com pobreza caricata e carente de assistencialismo que passava nos telejornais. 

Fui crescendo orgulhosa de uma infância nada pior do que as das crianças das grandes cidades e sou porta-voz de um sertão com fartura de coisas que não existem em todos os lugares: o encantamento e gratidão pelas coisas simples, a naturalidade para se adaptar e se reinventar diante de problemas e noções genuínas de criatividade, colaboração e sustentabilidade.

Hoje moro em São Paulo. Na cidade que aprendi a julgar pelo conteúdo que chegava até mim: volume, indiferença, violência. E como vim parar aqui? Só porque conheci pessoas incríveis que são de São Paulo ou que estão na cidade e que, por isso, fizeram deste lugar um endereço a considerar.

Mas, desde que estou aqui, comecei a ter acesso a informações diferentes sobre a cidade. Em abril deste ano, por exemplo, a Mariana Nobre foi cuidadora (porque mais do que curar, ela cuidou mesmo de tudo) de uma mesa redonda com o título “São Paulo, eu ainda amo você?” e me convidou para moderar as apresentações de projetos que iriam acontecer. Foi assim que eu conheci o Quando a cidade era mais gentil, do professor Martin Jayo.

O projeto é uma biblioteca virtual (em blog e página de Facebook) com foto e memória de São Paulo. E traz informações e reflexões sobre a história da cidade. Com foco em arquitetura e urbanismo, também compartilha imagens de famílias e seu cotidiano na cidade, mostrando memória ou possibilidades de… gentileza urbana.

Ao mesmo tempo, fiquei encantada e incomodada com o projeto. Encantada e torcendo para que conteúdos assim cheguem aos que não moram na cidade. Incomodada porque, quanto mais acompanhava os conteúdos, mais clara ficava a minha ignorância sobre São Paulo. E tive que assumir que estava cometendo o mesmo reducionismo que tanto critico; só que dirigido à megalópole e não ao sertão.

Ao ter contato com conteúdos assim, entendi que, por ignorância e preconceito, julgava com superficialidade várias cenas e atitudes que vivia na cidade. E decidi assumir que sou gringa em São Paulo. De verdade! Falei para a Nathalia, que faz o Rent a Local Friend, que queria que ela me apresentasse a cidade exatamente como faz para estrangeiros que querem fugir dos estereótipos de turismo no Brasil.

Andamos juntas por vários lugares do centro, comecei a conhecer periferias e entendi quais são as bibliotecas, livros e pessoas que podem me ajudar nesse meu projeto de educação sobre a maior cidade do meu país.

Hoje, sei um pouquinho mais sobre Sampa e fico com vontade de deixar o meu recado por aí: Perdão, São Paulo, eu não conhecia você.”

1 comentário
  1. Gabi E. disse:

    Muito bacana! O blog é demais mesmo, Martin.

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