Como nasce um parque

Em abril de 1919 saiu na revista A Cigarra uma pequena reportagem, ilustrada com várias fotos, sobre as obras que a prefeitura estava iniciando na Várzea do Carmo, às margens do Tamanduateí. Desse trabalho, segundo a reportagem, iria resultar “a completa transformação da extensa área que separa o bairro do Braz da parte central da cidade”.

Vale a pena ler um trecho da matéria. Afinal, sempre é bonito ver um parque nascendo:

“A Varzea do Carmo, depois de transformado, tornar-se-á um amplo e bellissimo parque, com capacidade superior á dos maiores das grandes capitaes européas e dispondo de lindas ruas, avenidas, gramados, chalets, gymnasios, theatros, cinemas, rinks, lagos, ilhotas, pontes, etc. E’ uma grandiosa obra moderna, de regalo para o publico (…). Para que os leitores tenham uma idéa do que vae ser esse emprehendimento, basta dizer-se que o famoso Parque de Monceau, de Paris, tem 8 ½ hectares, emquanto que o nosso terá 43 hectares.”

É uma pena que, embora as obras tenham ido adiante, em pouco tempo tudo isso desapareceu. Só não desapareceu o nome, e hoje temos o estranho hábito de chamar de “Parque Dom Pedro” uma das áreas da cidade que menos se parecem com um parque.

9 comentários
  1. Como morre um parque: Construindo algumas avenidas e viadutos e abandonando ao ‘deus dará’.

  2. Ah sim, não esquecer de poluir o rio até se tornar um ‘irrecuperável’ esgoto.

  3. Pedro Wolthers disse:

    quem construiu o parque foi a riqueza do café e quem destruiu o parque foi a riqueza da indústria automobilistica, aliás como toda cidade.

  4. Tomomasa Takeda disse:

    Eh interessante. Acho importante eh como podemos conservar acompanhado e coexstindo as mudancas radicasi. Destruir eh facilimo, mas renascer ou reucupera sera muito mais dificeis e requere recursos financeiros e boa vontade.

  5. O Parque D Pedro chegou a ser usado como parque urbanizado, depois dessas obras? Não tenho lembrança de ninguém mencioná-lo como parque mesmo.

  6. Eduardo Britto disse:

    É clássica aquela referência a um casal de japoneses que foi visitar o “parque”, porque esse deveria ser explêndido, tendo o nome de antigo imperador dos nativos brasileiros… Por volta de 1969, 1970, eu morava examente ali na r. 25 de Março, e lembro, criança, de ver extensas áreas ajardinadas com lírios amarelos. (Em torno do palácio das Indústrias havia tanques ornamentais com peixinhos…) Mas vi também a retirada de tudo isso e o asfaltamento para transformar no gigantesco terminal de ônibus, das linhas que desceram da Sé/ Clóvis, em função das obras do metrô…

  7. Reblogged this on repensandopraticas and commented:
    Como matar um parque é o outro nome possível para a publicação do colega. A cidade escolheu como matá-la em prol do carro, esquecendo de garantir qualidade de vida para quem nela vive.

  8. Cupertino disse:

    Maravilhosa pesquisa, maravilhosa!

  9. Luís Salvucci disse:

    Ver os postais antigos do Parque sempre me traz uma sensação lúgubre: ‘o que estamos fazendo?’.

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