O mistério do Louveira

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O edifício Louveira, dos arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, foi construído em 1946. É o que consta por aí.

O que eu não sabia é que o empreendimento só foi vendido quase oito anos depois da construção!

“Em Higienópolis e já construído com todo o luxo, confôrto e bom-gôsto que a arquitetura moderna proporciona”, dizia o anúncio na Folha da Manhã de 7 de fevereiro de 1954.

Mas a quem pertenceu o prédio nesses primeiros oito anos? Tentei descobrir a resposta e não encontrei nenhuma referência. Talvez alguém me ajude a desvendar o mistério.

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10 comentários
  1. daniel disse:

    Essa é nova, heim? O anúncio do Louveira é bem simples, talvez não seria possível imaginar a fama q ele ganharia 50 anos depois, mas se fosse hoje, haveria panfletos e mais panfletos exaltando as facilidades de morar em Higienópolis !

  2. E, depois do episódio da “gente diferenciada”, dificilmente os panfletos citados pelo Daniel chamariam o bairro de “aristocrático”!

  3. Lúcio Gomes Machado disse:

    O Edificio Louveira foi construído pela familia Mesquita , proprietaria à epoca do Jornal O Estado de São Paulo. Provavelmente, foi construído como investimento para renda em alugueis, como era comum naquele tempo em que o mercado de capitais era pouquissimo desenvolvido. Teria o prédio ficado desocupado nesses oito anos, ou foi vendido porque a familia resolveu se desfazer do negócio?

    Havia, certamente, tambem a modalidade de “venda na planta” por iniciativa de companhias construtoras e imobiliárias. A CNI (?) que incorporou o COPAN e outros projetos de Oscar Niemeyer em São Paulo, era parte do grupo liderado pelo banqueiro Roxo Loureiiro. Quem tem mais de 65 anos deve ter tido uma caderneta de poupança do Clube do Canguru Mirim. Foi o primeiro tombo que levei de banco. Só o primeiro…

    Outro exemplo era a Prudencia Capitalização, compnhia de seguros,. a qual, por contato do Roberto Cerqueira Cesar, contratou o escritório de que era sócio: Rinio Levi. Daí o nome do edificio Prudencia. Outro exemplo, o Banco Lar Brasileiro, sucursal do Chase Bank, cuja imobiliária era dirigida pelo Abelardo R de Souza, e construiu os predinhos da Vila Mariana. Naquela época os bancos podiam atuar no mercado imobiliário, com empresas próprias e não só no financiamento.

    Havia também a incorporação feita por de um gurpo de investidores que compravam um terrenp, contatavam um arquiteto (bons tempos aqueles…) e lançavam o empreendimento, Algumas unidades podiam ser vendida na planta, outras eram destinadas a futura locação ou venda. Boa parte dos predios de boa qualidade (e muitos de má qualidade, também) de Higienópolis, Santa Cecília, Bom Retiro e Jardins, dessa época, foi feita nesse esquema.

    Outra lembrança (Pequena Historia oral) sobre o Louveira: o Escritório de Rino Levi e Roberto Cerqueira Cesar (primo dos Mesquita) concorreu com uma proposta. Mas o Artigas e seu sócio Carlos Cascaldi (sempre omitem o nome dele…) ganharam pela qualidade do projeto e pelo aproveitamento do terreno, em termos de unidades. Nunca vi o proejto de Rino Levi e R. C Cesar. Alguém conhece?

  4. Obrigado, Lúcio! Eu tinha certeza de que o “mistério” seria rapidamente desvendado por quem entende do assunto…rs

    Provavelmente, os Mesquita destinaram o prédio à locação durante os primeiros anos e em seguida resolveram vendê-lo. Aliás, outros prédios passaram por processo idêntico. Como o Santo André, do Jacques Pilon, que foi anunciado para venda 11 anos depois de pronto. Há algum tempo escrevi sobre ele aqui no blog:

    https://quandoacidade.wordpress.com/2012/10/12/conforme-anunciado/

  5. amaury disse:

    olá.
    onde ficam os predinhos da Vila Mariana construídos pelo Banco Lar Brasileiro?

  6. Amaury,
    acho que o Lúcio se refere ao “Conjunto Residencial Ana Rosa”, projeto do Eduardo Kneese de Melo que fica entre as ruas José de Queiroz Aranha e Alceu Wasmosy…

  7. Juliana Costa disse:

    Só uma curiosidade, fiz a conversão de Cr$1.000.000 para reais, sem correção monetária ou juros, daria em torno de R$0,00. Com juros e correção, em torno de R$3,60. Embora na época fosse de fato muito dinheiro, quem diria que hoje em dia, se não fosse o aquecimento da bolha imobiliária, ele estaria assim?

  8. A propósito: descobri agora (por intermédio do Luciano Cartegni) este vídeo dos anos 50, em que o Louveira aparece ainda inabitado. O prédio começa a aparecer aos 4:18.

  9. o Alfredo Mesquita me contou uma vez que foi ele quem contratou o Artigas e construiu o prédio, e o Alfredo era a “ovelha negra” da família Mesquita, sempre metido com essa gente do teatro, então não acredito que outros Mesquitas saibam bem da história. O Alfredo morreu fazem exatos 27 anos, infelizmente não pode mais nos contar suas histórias maravilhosas…

  10. Obrigado por compartilhar a informação, Mariana!

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