Me dá um belisco!

479A cidade era mais gentil, e o marketing imobiliário era bem mais ingênuo e amador.

Em agosto de 1961 saiu nos jornais este anúncio de “um acontecimento imobiliário”. Era um “majestoso edifício” com “espetacular localização”, que estava sendo lançado na rua Caio Prado.

O anúncio era bonito, mas tinha um probleminha. O nome do empreendimento, caprichosamente escrito em letras góticas, saiu errado! Belisco certamente é um nome simpático, mas na verdade o prédio se chamava “edifício Beliseo”.

Você consegue imaginar isso acontecendo nas milionárias campanhas publicitárias dos condomínios atuais?

Além do nome errado, outra coisa que chama a atenção é o contraste entre a beleza anunciada do edifício Belisco e a feiura construída do Beliseo, que no lugar do elegante jardim acabou ganhando um puxadinho horroroso.

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Mas o mais interessante da história é que o nome do anúncio pegou. Entre 1963 e 1966, funcionou no puxadinho um restaurante que oferecia “bons drinks e jantares dançantes em ambiente agradàvelmente refrigerado”. Coincidência ou não, o restaurante se chamava… Belisco!

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(Imagens reproduzidas da Folha de S.Paulo de 10 de agosto de 1961, do Google Street View e da Folha de S.Paulo de 4 de janeiro de 1964.)

7 comentários
  1. Belo achado! O tal puxadinho hoje está diferente, se não me engano. Não é aí que funciona/funcionava um “pub” ou coisa parecida?

    Aliás, Edifício “Belisco” seria muito bom! Mas o que eu quero, mesmo, ver é um erro desses no de hoje, como você mencionou. Imagine algo como “Shit Hills” ou similar!

  2. Aqui perto de casa fizeram um prédio chamado “Quinta da Baronesa”. Poderia ter saído “Baronesa de quinta”, ou algo assim. 😀

  3. laércio zago disse:

    De certa maneira São Paulo padece de prédio “bonitos”se assim posso dizer, andando por aí pouca coisa me parece digna de melhor observação, lógico que nunca poderei observar os mais de 60 mil edifícios desta cidade, mas o padrão de mau gosto especialmente nas construções comerciais impera, o prédio Belisco marca história no longo tempo que esta situação se repete. Quanto a reportagem é muito interessante e novamente parabéns.

  4. Tem mais uma coisa ali que me chamou a atenção: propriedade, incorporação e financiamento do Sr. Alberto Dias. Um homem só colocando o prédio inteiro no lugar. Bem diferente de hoje também…

  5. andreborgeslopes disse:

    Nesse puxadinho infame da Rua Caio Prado 47 funcionou na segunda metade dos anos 70 um restaurante de comida portuguesa que teve alguma fama: o “Abril em Portugal”, com direito a cantora de fado residente (Paula Ribas) que se apresentava todas as noites embalando a saudade da terrinha recém-liberta de Salazar. Será que esse construtor Alberto Dias não era patrício?

    Segundo a revista Quatro Rodas de Maio de 1979, podia-se comer por lá uma Caldeirada à Fragateira ou um Bacalhau a Portuguesa, ambos pela módica quantia de Cr$ 240,00. O Caldo Verde saía bem mais em conta: Cr$ 50,00.

    Na Vejinha SP de 13 de abril de 2012 há notícias mais recentes do endereço:

    “O número 47 da Rua Caio Prado marcou época ao abrigar o restaurante Abril em Portugal e o também extinto bar-balada Jive, que nasceu ali em 2000 e depois se mudou para Santa Cecília. Fechado há cinco anos, eis que o imóvel ressurge com novo inquilino. Quatro meses atrás, transformou-se numa taverna inglesa movida a rock’n’roll. A ambientação difere da dos pubs: não há TVs ligadas em esportes, mesa de sinuca nem jogo de dardo. Teto baixo, muita madeira escura, pôsteres de bandas e até a réplica de uma armadura medieval compõem o visual do Gillan’s Inn. O nome é emprestado do álbum no qual o vocalista do Deep Purple, Ian Gillan, celebrou quarenta anos de carreira. De quarta a sábado, bandas destilam em altíssimo volume (o que pode desagradar a alguns) clássicos de Led Zeppelin, Queen, Deep Purple e outras lendas do hard rock dos anos 60 e 70.”

    http://vejasp.abril.com.br/materia/gillian-s-inn-shows-cervejas-importadas

    Convenhamos que exige-se dos moradores do Edifício Beliseo um gosto um tanto quanto eclético para música ambiente.

  6. Guilherme disse:

    Nooooossa! agora fiquei emocionado…. eu moro aqui no Edifício “Belisco” há 7 anos (me mudei em abril de 2006, moro no 14º andar)… poooxa! que luxo era o projeto… inflizemnte ficou só no papel. eu não fazia a menor ideia o porque desse nome esquisito rsrs

  7. Andre disse:

    kkkkkkk tbm moro no “BELISCO”, muito interessante!

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