Dois tempos

As duas fotos são do mesmo autor (Guilherme Gaensly) e foram tiradas do mesmo local (o prédio do Mackenzie, na esquina das ruas Itambé e Maria Antônia). Elas mostram a mesma vista em direção ao centro, em dois momentos diferentes.

A primeira deve ter sido tirada em 1906 ou 1907. O teatro municipal, que começou a ser erguido em 1905 e só ficaria pronto em 1911, pode ser visto ainda incompleto na linha do horizonte (clicando na foto, dá pra vê-lo com mais detalhe). A rua Major Sertório (no meio da foto, apontando para o teatro) está sem árvores, e a Maria Antônia (no canto inferior direito) tem umas mudinhas miúdas plantadas na calçada. À direita da Major Sertório, vemos duas grandes chaminés: são da usina a vapor da rua Araújo, que produzia eletricidade para o a iluminação e os bondes do centro. E mais à direita ainda, aparece a igreja da Consolação. Não a atual, em estilo neogótico, mas a anterior, demolida em 1907.

Algum tempo depois, na segunda foto, as chaminés e a igreja sumiram. A Major Sertório e a Maria Antônia estão bem arborizadas, e o teatro já ficou pronto…

Mas o que mais me chamou a atenção não foi nada disso. Foi perceber que de Higienópolis dava pra ver o Municipal.

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Atualização em 30 de maio: O Alex Sartori me mandou esta terceira foto que, por coincidência ou não, foi tirada do mesmo ângulo das duas anteriores. Nela não dá mais pra ver o teatro municipal, que sumiu entre os prédios do centro. A igreja da Consolação reapareceu na sua versão nova, com a torre ainda em construção. E na Maria Antônia já vemos o prédio da USP. A foto é de 1947, da revista Life. Impressionante a mudança na paisagem em tão pouco tempo… Obrigado, Alex!

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11 comentários
  1. Tomé disse:

    A igreja que se vê à direita na primeira foto é a da Consolação, a primeira construção? Na segunda foto ela não aparece ( ou caiu fora do enquadramento..).A foto teria sido feita justamente no momento de sua demolição (quando se reergueu a atual igreja, remodelada? )

  2. Sim, é a igreja da Consolação, que foi demolida em 1907 para a construção da atual. Eu tinha deixado passar esse detalhe, mas agora acrescentei isso ao texto. Obrigado pela observação!

  3. Daniel Ávila disse:

    As chaminés não seriam da usina elétrica da Rua Araújo, cuja fachada foi “preservada” pelo hotel que ocupa o terreno hoje?

  4. Daniel Ávila disse:

    Ah, agora vi que você já tinha acrescentado isso ao texto! 😉

  5. Pois é, demorei para “reconhecer” as chaminés. Num primeiro momento achei que fossem de alguma fábrica, só depois me lembrei da usina da Light.

  6. Luís Eduardo S. Rodrigues disse:

    Parabéns pelo seu trabalho, Martin. Faço parte de um grupo que tenta fazer o ‘reconhecimento’ de Campinas antiga através de fotos e cartões postais, como você faz em seu blog e o parabenizo pela qualidade e precisão das informações.

  7. Beatriz Rivadávia disse:

    Eu tb tinha ficado intrigada com a Igreja da Consolação, que pelo mapa deveria ser ela, mas a arquitetura não tinha nada a ver (acho q até parecia aquela igreja da Veiga Filho q nem sei o nome). Não sabia q a da Consolação havia sido demolida e reconstruida em outro estilo, o q me fez ficar um longo tempo analisando uma e outra foto. Apesar de entender a localização q vc fala do Teatro Municipal, não consigo “vê-lo”.Não reconheço a edificação como sendo do Teatro Municipal. Muito interessante seus comentários, inclusive sobre a arborização dos locais. Parabéns!

  8. VD disse:

    A segunda foto tem mais contraste e dá pra ver melhor, o teatro é o prédio de maior destaque, um pouco acima do centro da foto, Beatriz.
    Mas tem alguma coisa que não “bate” em relação às chaminés e a fachada preservada pelo hotel na Rua Araújo.
    Esta fachada preservada está praticamente de frente para a Rua General Jardim, e por esta foto, a chaminé está à direita da Rua Major Sertório, portanto a mais de uma quadra de distância da Rua General Jardim e da localização do hotel com a fachada preservada.
    Tem uma foto tirada em frente e outra na lateral dessa usina à vapor, com operários, as chaminés e escrito “Companhia Água e Luz do Estado de S Paulo” além do prédio ser construído sem ângulo, diferente dos galpões dos quais preservaram a fachada, que eram oblíquos em relação à rua, portanto as suas paredes formariam ângulos, diferente da foto do prédio que se encontravam as chaminés.

  9. Na verdade, a fachada que ficou preservada é de uma garagem de bondes, e não da usina a vapor que ficava na mesma rua…

  10. VD disse:

    …o…k…

  11. VD disse:

    Esqueci de dizer que eu adorei o post.

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