O ar da graça

João Artacho Jurado é um arquiteto que, vira e mexe, dá o ar da graça aqui no blog. Hoje ele comparece com duas de suas obras: os edifícios Planalto e Viadutos.

Pelo aspecto dos prédios, ambos em fase de acabamento, e também pela palavra “horta” pintada na mureta do viaduto 9 de Julho, é possível ter uma ideia aproximada de data. A pichação é propaganda de Oscar Pedroso Horta, político ligado a Jânio Quadros que, em 1957, foi candidato a prefeito. Perdeu de lavada: teve apenas 1,4% dos votos, numa eleição ganha por Adhemar de Barros. Os dois prédios do Artacho ficaram prontos por essa mesma época.

Outro prédio que se destaca nas duas fotos é o Japurá, do Eduardo Kneese de Mello, contrastando por suas linhas sóbrias com os dois do Artacho. Quem dera ainda se construísse com essa personalidade autoral no centro de São Paulo, hoje infestado de projetos anódinos da Gafisa, Cyrela e Setin.

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As duas fotos reproduzem slides de 35 mm da época, de autor desconhecido.

22 comentários
  1. Ruy Debs disse:

    Bacana, hein Martin? Abraço

  2. amaury disse:

    muito interessante na segunda foto ver que o Japurá estava bem longe da rua. hoje (aliás, há muito tempo) aquele espaço vazio está cheio de casinhas que são estabelecimentos comerciais. tudo bem que há ali a ótima padaria Palma de Ouro (aliás, faz tempo que não vou lá, espero que continue ótima como era). mas ficaria bem melhor como era antes.
    por sinal, será que esses estabelecimentos comerciais estavam no projeto original?

  3. Dá para ver a fabrica da Brahma e a igreja ortodoxa lá no Paraíso. E aquele pináculo? não tenho certeza se é a Igreja Ns. do Carmo, Margarida Maria ou a Ns. da Saúde. O que acham?

  4. Beatriz Rivadávia disse:

    Mais uma vez, obrigada, Martin.
    O “pináculo” não deve ser a Sta Margarida Maria, na confluência da Av. Lins dê Vasconcelos com a Avaliação. Lacerda Franco. Não acho que nem a direção, nem a altura seriam dela. A do Carmo não saberia dizer, mas pela direção e distância da ortodoxa, eu apostaria na Saúde. Diga aí, mestre Martin!

  5. Disso tudo que vocês estão falando eu só tinha reparado na fábrica da Brahma + igreja ortodoxa, à direita do Viadutos, e no parque do Ibirapuera à esquerda. 😉

  6. Tiago Bolzan disse:

    da minha casa dava pra ver ambos edifícios. mas daí um desses prédios anódinos foi construído para tampá-los da minha vista. ao invés de olhar essas maravilhas do Artacho, tenho que ver os (poucos) moradores dessas kits gourmets, seu cinema próprio (quer coisa mais anti-Centro?) com seu cafona hall de entrada tendo uma mega foto do Copan na parede (evidenciando a falta de criatividade do arquiteto, que poderia ter feito um novo marco como o Copan, o Planalto ou o Viadutos, mas jogou fora a oportunidade).

  7. Joao Marcos Turnbull disse:

    Moro aqui na Rua Santo Amaro, e é muito bom ver essas fotos… na primeira foto, vemos um dos prédios do Eduardo Kneese de Mello, e na 2a foto, as casinhas que ali existiam (local aonde temos hoje a Palma de Ouro), eram diversos cortiços que pertenciam ao Sr. Francisco Barros, implantados nos anos 20 (o Vaticano, o Pombal, o Navio Parado e o Geladeira). Neste local, foi construido outro prédio bem curioso, com leve ondulação (menos que o Copan, mais pro Racy), projeto do Eduardo Kneese de Mello também, para o IAPI (Instituto de Aposentados), construído no vale do córrego do Bexiga.

    Este link mostra toda sua obra, vale a pena : http://www.iau.usp.br/revista_risco/Risco9-pdf/02_art04_risco9.pdf

  8. Joao Marcos Turnbull disse:

    Sobre a ondulação, disfarça, ele tem uma leve curva, mas nada perto do Racy e do Copan

  9. o verde a esquerda não seria do parque da aclimação? a igreja a esquerda da Brahma não seria a da Vergueiro?

  10. Quando vi a foto imaginei que fosse o Ibirapuera, mas pensando melhor agora, talvez vc tenha razão…

  11. daniel disse:

    Essa foto do Viadutos é uma das mais bonitas que já dessa época, impressionante como o local era mais limpo, tanto no sentido de limpeza mesmo quanto ao de aglomeração de coisas. A Bela Vista com quase totalidade de casas tb faz parecer que aqueles eram tempos mais amigáveis. Parabéns pelo achado!

  12. Martin, não conheço tanto de arquitetura quanto vc, mas vc viu recentemente o edificio Brasil, na esq. da Sto Antonio com a Martinho Prado (bem próximo do viadutos, a propósito)? Me chamou a atenção exatamente por destoar dos edificios pasteurizados recentes do centro. Adoraria saber o que acha dele!

    Abs!

  13. Eu gosto sobretudo de ele ‘dar na calçada’, infelizmente uma raridade por estes lados. Mas dê uma passada em frente quando tiver um tempo, acho q vai gostar tbm! 🙂

  14. O Brasil, de fato, aparentemente não terá um grande muro à frente e tem cores que fogem ao padrão. Porém, foi feito em uma região já saturada (até uns três anos atrás, havia ali um estacionamento; não sei o que havia antes) e sem proposta de integração com a vizinhança — ou seja, será uma “ilha” na pontinha do Bixiga.

  15. Vc tem razão, Alexandre. Os dois arquitetos estrelados que assinam o projeto – Marcelo Rosenbaum e Guto Requena – ousaram bastante na fachada mas não tiveram coragem (ou autonomia) para colocar comércio no térreo, por exemplo.

  16. Alexandre, concordo em partes, mas não entendi a relação entre haver um estacionamento no lugar e a região ser saturada…

  17. Gustavo, antes do estacionamento possivelmente havia uma casa ou um prédio baixo, com poucos apartamentos. Isso será em breve substituído por algumas muitas dezenas de apartamentos, cada qual com um, dois, três carros, em uma região que já tem um contingente bastante alto deles. Isso sem falar na infraestrutura urbana (água, luz, até mesmo internet e TV a cabo), que nunca é atualizada quando do lançamento desses empreendimentos.

  18. Oi, Alexandre. Ainda que seja provável, acho arriscado presumirmos que ali havia uma casa, prédio baixo, etc.
    Quanto à infraestrutura, não sou especialista, mas tirando a questão do carro, acredito que o centro de São Paulo seja subutilizado; outras metrópoles similares são mais concentradas que São Paulo (o que, em parte, levou a nossos problemas de deslocamento, bairros-dormitório, etc)

  19. Pelo contrário, Gustavo: a infraestrutura de serviços públicos na região sofreu muito poucas intervenções depois dos anos 1980 (!), a não ser pela rede de TV a cabo, que é atualizada com um pouco mais de frequência, mas, ainda assim, insuficiente quando há demanda crescente. Sempre que surge um novo prédio desses com mais de centena de apartamentos, a velocidade de acesso na vizinhança cai nas semanas seguintes — é por isso que os contratos sempre preveem que o acesso pode ser feito a uma fração da velocidade contratada. Já em relação à luz, não é nada raro faltar luz em vários bairros do centro (eu moro no Bixiga e sei bem disso). Não falta toda hora, mas não passa um mês sem faltar. Os técnicos da Eletropaulo com quem converso sempre destacam que é muita gente para pouca rede, e o centro tem um problema a mais, que são muitas redes “sem saída”, que é quando uma rua é alimentada por apenas um de seus acessos.

  20. Joao Marcos Turnbull disse:

    Moro na Rua Santo Amaro há 40 anos, e posso contar nos dados as vezes que faltaram luz por aqui… me lembro que meu pai, que era estrangeiro e havia participado da II Guerra, havia escolhido o Centro (entre outras coisas como ser um local alto por exemplo) justamente por isso, afinal aonde estamos, existem muitos hospitais, e a Eletropaulo possui um plano especial para a região…

  21. Bem, eu moro razoavelmente próximo de quatro hospitais (Paulistano, Beneficência, São José e Oswaldo Cruz) e conto nos dedos as vezes em que faltou luz por ali… neste ano.

  22. Na questão da luz, estou com o João Marcos. Moro há 5 anos entre Consolação e Bela Vista e a única falta de luz que tivemos foi programada e avisada. Do mesmo modo com o abastecimento de água, mesmo com o racionamento em várias partes da cidade. (e da região metropolitana)

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