Belleville

Hoje em dia tem uns espíritos de porco que teimam em tentar argumentar que São Paulo não combina com bicicleta: porque tem trânsito, porque a cidade não é plana, porque aqui não é Amsterdam, porque a rua só para os carros é um direito sagrado da classe média…

Em 1957 essa cultura intolerante ainda não tinha se desenvolvido tanto, e as bicicletas estavam mais integradas à vida da cidade. Tinha bicicleta até na pista do aeroporto!

A foto é da chegada do Caravelle, o primeiro jato de passageiros com turbinas na fuselagem. As pessoas foram à pista, em Congonhas, para ver a novidade de perto. O avião pousou direitinho e ninguém saiu por aí resmungando que bicicleta atrapalha.

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20 comentários
  1. Alvaro disse:

    Não entendi a relação entre a foto e a apologia as bicicletas

  2. marcio disse:

    Talvez se deva ao fato que o uso da bicicleta como meio de transporte era corriqueiro. Sem depender das ciclovias, os motoristas deviam simplesmente ser mais gentis com seus pares, ciclistas e pedestres.

  3. Edson Mendes disse:

    Pra mim o que o que mais chama a atenção na foto é a quantidade de pessoas transitando livremente na pista do aeroporto, coisa inimaginável nos dias de hoje, por questão de segurança.
    As coisas mudam…

  4. Robson disse:

    Ninguém de bom senso é contra bicicleta. Sou ciclista e sou contra o superfaturamento e as ciclovias/ciclofaixas feitas “nas coxas” em 80% por esta gestão. E me desculpe, a topografia e as distâncias da cidade atrapalham muito a utilização desse modal (ciclismo), além falta de segurança para entrar nas tais ciclofaixas. Sei que minha resposta não tem nada a ver com a foto, mas com o tema proposto.

  5. Pavan disse:

    Perfeita a colocação, para os desatentos na foto há bicicletas participando do evento. A questão de topologia, nas coxas tudo argumento tolo, cruzei a capital de bike a vida inteira sem me importar com isso, respeito e civilidade é isso que nos falta; carro, moto, bicicleta, skate, patinete, e pessoas a pé devem sim conviver sem nenhum problema, é isso.

  6. ralphgiesbrecht disse:

    Eu sou um desses, Martin. Sinto muito. Abraços

  7. Cupertino disse:

    Curiosa lembrança; em Osasco, por exemplo, onde resido há 58 anos, era comum a existência das bicicletas e os seus incontáveis acidentes eram tidos como fatalidade… Até mesmo uma saudosa e jovem miss Osasco, hoje nome local de avenida, foi vítima disso, em 1958, quando viajava numa “magrela” para Pirapora do Bom Jesus (há, ainda, um triste marco na Estrada dos Romeiros). Na antiga e famosa “Cobrasma” havia um imenso bicicletário e, vale dizer, via-se muitos militares saindo e chegando ao quartel de Quitaúna, também em suas “bikes”. O próprio filho adolescente do presidente Geisel morreu atropelado por um trem na passagem de nível lá existente, quando a atravessava de bicicleta, em 1957. Dizem que o então comandante da unidade ficou grisalho rapidamente e que nunca mais foi o mesmo de antes…

  8. Bicicletas coexistem em Sp há décadas, isso de Sp não combinar com bikes é uma visão distorcida, a cidade é das pessoas e não dos veículos que elas usam, vejam em postagens anteriores quanta coisas legais perdemos por causa dessa tipo de visão.

    R. Florêncio de Abreu em 1862: http://www.hagopgaragem.com/saopaulo/sp_comparativo/sp_compa_102.jpg
    R. Gal. Carneiro em 1914: http://www.hagopgaragem.com/saopaulo/sp_comparativo/sp_compa_023.jpg
    Lg. da Misericórdia em 1916: http://www.hagopgaragem.com/saopaulo/sp_comparativo/sp_compa_142.jpg
    R. José Bonifácio x R. Quintino Bocaiuva em 1916: http://www.hagopgaragem.com/saopaulo/sp_comparativo/sp_compa_146.jpg
    Viaduto do Chá em 1919: https://quandoacidade.wordpress.com/2015/02/26/cha-colorido/

  9. José Bueno Franco disse:

    Post meio sem pé nem cabeça. Nada a ver essa bicicleta da foto com a situação de hoje!

  10. Guilherme Pereira disse:

    Eu não tenho carro e adoraria usar bicicleta. Só que a ciclovia mais próxima fica na avenida Jabaquara, a dois quilômetros, onde ela é totalmente redundante. Até chegar lá, serei assaltado, atropelado e não terei onde deixar a magrela.
    O problema atual das bicicletas é que elas só podem andar nas vias tronco, onde elas mais atrapalham os pedestres, e não temos NENHUMA condição de andar com elas nas vias alimentadoras (feeder), onde elas poderia contribuir.
    A polêmica atual não é cultural ou de espírito de porco. É a combinação de um fetiche alienado do prefeito com a falta de percepção fática de que 99% dos ciclistas não têm mínimas condições de utilizar a bicicleta como meio de transporte, e a forma como a administração está tentando empurrar o seu fetiche é contraproducente.

    Isso à parte, que bela fotografia de Congonhas! E que belo avião. E imagina a barulheira que essas turbinas causavam…

  11. ^^
    Guilherme, pego a ciclofaixa da Vergueiro da 1,8km de distancia da minha casa com uma diferença de mais de 50m e não sou nenhum atleta, começei devagar e fui me acostumando, resumindo, quem quer corre atrás.
    Ciclofaixas devem ser implantadas onde o relevo é mais suave e a Jabaquara/Vergueiro/Paulista são perfeitas para isso, não foi nenhum “fetiche alienado”, é uma demanda comprovada por vários estudos, inclusive do metrô, algo que você obviamente não se preocupou em se informar, e a implantação delas só escancarou como o paulistano é mesquinho egocêntrico, não sabendo viver em sociedade e pensar coletivamente.
    Mas concordo que muitos “bicicleteiros” não estão preparados para andar nas ruas, nada que campanha massivas de educação no trânsito não resolvam, o que não tira nem um pouco o mérito delas, mesmo com buracos e falhas pontuais, elas vieram para ficar, acostume-se.

    Chega desse off.

  12. Gê César disse:

    Robson, onde você obteve a informação do superfaturamento? E, o que seria o “bom senso”, considerando a cultura automobilística da cidade associada ao ódio construído e disseminado a esta administração?

  13. Alexandre disse:

    Bela imagem. Deve ter sido uma visita de demonstração do Caravelle (está com a pintura de fábrica), que mais tarde seria incorporado à frota de empresas brasileiras como a Cruzeiro do Sul, Varig e Panair.

    E chama mesmo a atenção a quantidade de pessoas acessando livremente o pátio de Congonhas, outros tempos!

  14. Cmte. Wanderley Duck disse:

    Permita-me uma pequena explicação sobre a bicicleta no pátio do aeroporto, já que a presença dela não tem nada a ver com a “integração delas à vida da cidade”, como o seu texto tentou associar. Sempre, em todos os aeroportos e bases aéreas do mundo, nos usávamos bicicletas para nos deslocarmos no pátio, entre hangares, até a estação de passageiros etc. As áreas dos aeroportos são muito grandes, as distâncias são imensas e como o terreno é sempre necessariamente plano, as bicicletas acabaram surgindo naturalmente como veículo de deslocamento interno.
    Atualmente, nos grandes aeroportos e por causa do grande número de veículos de pista, a presença delas diminuiu bastante, mas na época dessa foto era assim. A bicicleta que aparece nessa fotografia não é uma bicicleta que veio da rua, é de alguém da oficina que veio ver a novidade, quando em 1955 o Caravelle fez uma viagem promocional pelas três Américas, daí ele foi para Porto Alegre, depois para Montevideo e Buenos Aires.
    Todas as pessoas que aparecem nessa foto, inclusive o cidadão da bicicleta, é gente do aeroporto e das companhias de aviação que foram conhecer o avião, não é gente que veio da rua, não são pessoas de fora que acessaram o pátio livremente.

  15. Obrigado pela explicação, Wanderley. Creio que você tem razão em parte: há pessoas na foto que parecem mesmo trabalhar no aeroporto ou em cias. aéreas. É o caso dos vários homens de quepe. Por outro lado, também há gente de fora, inclusive crianças! Veja por exemplo o menino de calças curtas entre as duas bicicletas…

  16. Cmte. Wanderley Duck disse:

    Bom dia Martin, correndo o risco de parecer arrogante, sou obrigado a lhe dizer que a minha razão não é em parte, é total.
    Começo explicando a você o porquê das crianças: nesse dia alguns dos funcionários levaram os seus filhos.Aliás isso não falha, por mais que a gente avise que não é para trazer, nessas ocasiões sempre aparece alguém trazendo os filhos. Outra hora eu lhe conto o dia em que os Menudos (lembra deles?) chegaram por aquele aeroporto e quantidade de gente que apareceu com as filhas pré-adolescentes..
    Voltando à foto, eu tenho em algum lugar o relato desse dia, porque ele foi histórico para nos da aviação. Na verdade o que eu tenho fala mais sobre essa visita promocional ao Rio de Janeiro e a Porto Alegre, que foi mais importante do que a visita à São Paulo porque era nessas cidades que ficavam as sedes das companhias que acabaram comprando o avião.
    Mas, voltando novamente a falar dessa passagem por São Paulo, a aeronave foi parqueada no pátio do pavilhão das autoridades, não sei se você conhece Congonhas e aonde fica esse pavilhão, e o acesso por ali é de fácil controle, porque tem só uma porta e depois uma grande escadaria. Foi por lá que entraram controladamente os convidados e apenas os convidados. Já os funcionários com os seus “eventuais convidados” vieram pela pista mesmo.
    Anos depois, quando chegaram os primeiros Boeing 737 comprados pela VASP, aí foi compra mesmo e não visita promocional, eles também foram parqueados nesse mesmo no pátio do pavilhão das autoridades, mas aí o controle foi maior e poucos funcionários puderam chegar até eles.
    Um grande abraço.

  17. Obrigado mais uma vez pelos comentários!
    No fundo, creio que estamos concordando: a pista está cheia de gente, incluindo funcionários, convidados e curiosos, ainda que estes últimos sejam filhos ou parentes dos funcionários…
    Quando às bicicletas, a ironia do post fica reforçada. Na cidade dos anos 50, elas “ajudavam” os aviões; na cidade atual elas “atrapalham” até mesmo os carros. Isso simboliza bastante bem a regressão que tivemos na forma como tratamos a bicicleta.
    Pesquisando na internet, acabo de encontrar este relato, com direito a fotos e recortes de jornal, sobre a chagada do Caravelle a Porto Alegre, vindo de São Paulo. Lá, o pátio do aeroporto ficou tão cheio de curiosos que foi necessário instalar cordões de isolamento: http://forum.aeroentusiasta.com.br/viewtopic.php?f=13&t=35340
    Um abraço!

  18. Rogério Torquato disse:

    Desculpe-me, mas tenho que descordar de ti em relação ao uso das bicicletas aqui em SP. Sou quase que 80% a favor do uso delas como meio de transporte, mas muitos dos motivos que tu tinhas citado o impedem. O principal deles é que em nossa cidade a maioria dos centros financeiros se encontram distantes das regiões onde a massa vive, eu, por exemplo, vivo a mais de 23 quilômetros de minha escola e seria impossível eu me deslocar até lá de bicicleta, pois relevo da São Paulo onde a maioria da população vive é extremamente irregular, já que as áreas mais planas são na região do Jardins e do Planalto Paulista, grande parte das vias da cidade não têm largura suficiente para acolher carros e bicicletas o que geraria acidentes, já que grande parte do povo não se respeita (tanto motoristas quanto ciclistas). Adoraria dizer que São Paulo é perfeita para o uso das bikes, mas infelizmente não é, nossa cidade não foi planejada, nela a maioria das pessoas se deslocam mais de dez quilômetros para chegar ao seu destino, á que horas elas teriam que se levantar para chegar lá de bike? Dizer que as pessoas não usam bike porque são espíritos de porco é um pouco errado, antes é preciso analisar bem os motivos de cada um. Em minha opinião São Paulo deve investir no transporte público (metrôs, trens e ônibus elétricos, hibrido e á hidrogênio) assim como outras grandes cidades, nele transporta-se um número enorme de pessoas a um preço acessível á toda população, de maneira rápida, segura e pouco impactante ao meio ambiente.

  19. Felipe disse:

    É ofensivo falar que quem pesa diferente da gente tem “espírito de porco”. Tenho lido certas formas de expressão por aqui que acho desnecessárias, e diminuem, um pouco, o brilho de todo o material disponibilizado. É só a impressão de um leitor que gosta do tema do blog e caiu aqui por uma pesquisa acidental e tem gostado muito do que vê aqui, embora interaja pouco.

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