Risonho e aprazível

“Vende-se esta bella e vasta propriedade (…) situada a dous kilometros de distancia d’esta capital, em local risonho e aprasivel, onde se gosa de um ar puro e saudavel, e de uma vista que enche os olhos e os recreia”.

Assim era descrita, em anúncio publicado no Estadão em 22 de julho de 1883, a chácara do Pacaembu de Cima, que procurava comprador.

Quase toda elevada, cheia de matas, campos e águas cristalinas, a propriedade parecia mesmo um paraíso. Só estava à venda “por se sentir o seu proprietario já entrado em annos, e estar ha muito soffrendo da vista”. Os interessados deviam tratar do negócio na própria chácara.

Não era a primeira vez que a propriedade era oferecida. Um anúncio semelhante já saíra no mesmo jornal vários meses antes, em outubro de 1882. E outros ainda seriam publicados em 1884. Pelo jeito não estava sendo uma venda fácil…

O negócio parece ter saído só alguns anos depois. Esta foi, muito provavelmente, uma das glebas compradas em 1893 por dois empresários, Martinho Bourchard e Victor Nothmann, que fizeram ali um bem-sucedido loteamento. A região ficou conhecida como Higienópolis. E hoje, em lugar daqueles campos, matas e águas abundantes, a principal atração é um shopping.

 

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1 comentário
  1. Cupertino disse:

    Saborosíssimo texto descritivo! Justificativas espirituosas! Aguçador mesmo da imaginação! “Grande futuro”, belo prognóstico. Para não variar, uma não menos saborosa apresentação…

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