Promessa cumprida

Quando a construtora Monções começou a comercializar o edifício Louvre, em 1952, os anúncios nos jornais descreviam os “requintes de confôrto” que os moradores do prédio teriam à sua disposição nas áreas comuns. A lista era longa: playground, solarium, piscina, bar, jardim de inverno, salão de festas, salão de estar, salão de chá, salão para crianças…

Quase todos esses itens, na verdade, estavam presentes também em outros prédios do João Artacho Jurado, como por exemplo o Bretagne. O único realmente exclusivo era uma “Grandiosa Galeria de Arte” que seria instalada no térreo. Ela com certeza tinha sido concebida para ressaltar a atmosfera ‘artística’ do empreendimento, que não só tinha nome de museu, mas também se dividia em alas com nomes de pintores: Da Vinci, Rembrandt, Velázquez, Renoir, Pedro Américo.

Artacho, infelizmente, não conseguiu entregar essa galeria. Como tantos outros empreendimentos dele, o Louvre foi construído com grandes dificuldades. A obra se arrastou por mais de 15 anos e, quando o prédio ficou pronto, em 1967, a ideia já tinha ficado para trás.

Mas eis que, quase 65 anos depois de anunciada, a promessa será finalmente cumprida, com a inauguração em setembro próximo do Museu do Louvre Pau-Brazyl. O projeto é iniciativa do Guilherme Giufrida e da Jéssica Varrichio, moradores/curadores que convidaram artistas e coletivos e estão angariando fundos para viabilizá-lo.

Eu gostei muito do projeto e também da ideia de batizá-lo com o nome Pau-Brazyl. A meu ver, isso compensará uma feia injustiça cometida lá atrás pelo próprio Artacho. Eu sempre achei que não tinha sido muito elegante da parte dele dar nomes de artistas europeus aos quatro luxuosos blocos da frente, enquanto relegava o paraibano Pedro Américo ao bloco de apartamentos de fundos, mais barato e modesto. Um complexo de vira-lata que podia ter sido evitado…

Quem quiser conhecer os detalhes do Museu do Louvre Pau-Brazyl pode entrar na página do projeto no Facebook (www.facebook.com/louvrepaubrazyl), ou no link da campanha de crowdfunding (goo.gl/L7tz11).

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5 comentários
  1. Beatriz Rivadavia disse:

    Essa historia eu nao conhecia, pois em 65 ja fui embora do Brasil. Depois vou entrar no site para ver a novidade.

  2. Muito boa essa história! Parabéns pelo post.

  3. Jorge Miguel disse:

    Curioso observar quanto aumentaram os preços dos imóveis. Usando os preços do anúncio, atualizados pelo índice IGP-DI da FGV, chegamos aos valores para hoje: Pedro Américo, cerca de R$ 229 mil; Da Vince, R$ 502 mil; Rambrandt, R$ 616 mil; Velasquez, cerca de um milhão, e Renoir, o maior de todos, um milhão e duzentos mil. Não é fantástico?

  4. Então imovel não é bom investimento,caso você não o alugue,fui ver se havia algum a venda e o preço anunciado esta nessa faixa R$10000/m2,só repos a inflação do periodo,não houve valorização real

    As propagandas de hoje tambem continuam as mesmas,com o predio isolado sem nenhum outro ao redor e com um verde exuberante que vai até onde a vista alcança

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