Efeitos especiais

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A foto estava meio amassada, entre dezenas de outras bem menos interessantes, à venda numa barraca da feira do Bixiga. Por 5 reais, ela veio para o blog.

Não há nenhuma indicação de quem seja o autor, mas obviamente é alguém que sabia fotografar e conseguiu um bonito efeito com o recurso da longa exposição.

Mas o efeito mais interessante da foto não é esse. Ele não foi intencional, e sequer podia ser percebido na época.

É que, curiosamente, tudo aquilo que na imagem saiu nítido continua em seu lugar até hoje. O Instituto Pasteur, o edifício Tuiuti, o totem com nome de rua e até mesmo a arvorezinha permanecem iguais. Esta última, se não for a mesma, é uma réplica perfeita…

Já o que aparece borrado – um Chevette, dois Fuscas, um Puma, um Passat e um Dodge Dart – sucumbiu à passagem do tempo e não existe mais por lá.

Quem quiser conferir, é só olhar a foto atual: https://goo.gl/maps/gtcBacoLRyo.

12 comentários
  1. Não dava para colocar maior? Eu louco para poder ver mais detalhes…

  2. Deixei um pouco maior agora. Clique na imagem e ela amplia.

  3. Um lindo achado essa foto. Sendo detalhista, há algumas pequenas mudanças:

    1) A placa em cima da porta mudou. Eu ainda me lembro dessa placa antiga.
    2) Tiraram o canteiro de plantas que havia na calçada.
    3) Sumiu aquele poste horrendo de entrada elétrica, em forma de ponto de interrogação
    4) As calhas de escoamento da chuva agora estão mais discretas, pintadas na cor do prédio.

    Mas raros lugares de São Paulo mudaram tão pouco.

  4. 5) O totem preto, que diz “R. Maria Figueiredo”, também era um semáforo. Hoje não é mais.

  5. Outra coisa que os detalhistas podem fazer é estimar a data da foto. Num primeiro momento, eu imaginei que ela fosse dos anos 70. Mas o Chevette Hatch me fez mudar de ideia. Esse modelo foi lançado no finalzinho de 1979, e só ganhou as ruas mesmo a partir de 1980.

  6. A data limite inicial você já descobriu: 1980. Para determinar um limite final, só se a gente conseguir descobrir quando fizeram uma reforma na fachada que mudou a posição desses mastros de bandeira que, na foto antiga, estão defronte a 2ª e a 4ª janelas. (na foto do Google Street View atual – maio 2016 – já não há mastros nas janelas).

    Nessa foto da Wikipedia, de 2008, a placa sobre a porta já está mudada e os mastros foram transferidos para a 1ª e a 5ª janelas. E a árvore defronte ao prédio parece estar recém-plantada: https://goo.gl/EnpKO2

    Nessa, de um blog de viagem, datado de novembro de 2007, a calçada defronte ao prédio ainda está em obras (a nova árvore ainda não havia sido plantada) e as bandeiras já estão na 1ª e na 5ª janelas: https://goo.gl/FTL86V

    O limite fica entre 1980 e 2007, o que ainda é um intervalo muito grande. Mas, pelos carros, eu creio que a foto seja mesmo do início dos anos 1980. Ao menos já sabemos a época do plantio da árvore réplica.

  7. Celso disse:

    A foto é linda, mas na verdade esta é uma foto de exposição dupla, o efeito é bem diferente da exposição longa do post posterior. A imagem dos carros é nítida, mas tem uma espécie de transparência, ao contrário do simples borrados da exposição longa.

  8. Celso, pode ser que você tenha razão, mas eu tenho outra impressão desse efeito na imagem.

    Acho que é uma foto de longa exposição tradicional, mas feita com os carros PARADOS no sinal vermelho da Paulista (por isso eles estão nítidos). O Dodjão chegou depois – quando o obturador já estava aberto e a imagem já começara a ser gravada – e parou na fila atrás do Chevette hatch. Por isso, só ele tem esse efeito de transparência, além de um ligeiro borrado horizontal, acompanhando um reflexo ou lâmpada na linha do para-choques dianteiro.

  9. Reparando melhor, o mesmo deve ter acontecido com o Passat, que também chegou depois está meio transparente.

  10. Exagerando na sessão nerdice fotográfica, dá até pra fazer uma cronologia dos efeitos especiais.

    1. A foto foi inteiramente exposta com o sinal da Paulista fechado. Dá prar ver que só aparece uma luz acesa tanto no semáforo dos carros (a vermelha) como no sinal dos pedestres (a inferior, verde).

    2. Provavelmente, a foto foi disparada logo após o sinal fechar. O Puma na terceira faixa já estava parado: a sua luz de freio não borra na foto e parece já estar apagada durante a exposição (creio que a luz que aparece acesa é a lanterna, bem mais fraca). O Chevette, na primeira faixa, também já está parado (ou quase parado), mas com a sua luz de freio ainda acesa, estourando na foto.

    3. O Fusca taxi que está na segunda faixa pára imediatamente após a abertura do obturador. Ainda dá para ver um pequeno borrado horizontal na sua luz de freio. O outro fusca, que aparece ao fundo, atrás do Puma, da impressão de estar imóvel o tempo todo.

    4. Chega o Dodjão, freando. A luz (ou reflexo) na parte de cima do seu para-choques dianteiro deixa um longo rastro horizontal na foto, que vai ficando mais nítido à medida em que a velocidade do carro diminui. Ele se imobiliza atrás do Chevette, criando o efeito de transparência sobre os carros que já estavam ao fundo.

    5. Por fim, chega o Passat. Ele também fica transparente sobre os carros do fundo, mas a sua coluna traseira branca não deixa qualquer registro sobre as áreas escuras da coluna central do Dodjão, que já estava parado no lugar.

  11. Acho que o Andre me convenceu… rs

    De qqr forma, obrigado ao Celso!

  12. Pedro Wolthers disse:

    As placas dos carros são as antigas amarelas.

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