Feiura monumental

Tem gente que pensa que a avenida Paulista termina na rua da Consolação. Mas não é assim: na verdade ela atravessa a Consolação e termina duas quadras à frente, numa pracinha na altura da rua Minas Gerais.

Noventa anos atrás, quando estas fotos foram tiradas, a tal praça já tinha mais ou menos o mesmo aspecto que tem hoje. A mureta em semicírculo, que se vê na primeira das fotos abaixo, continua exatamente igual.

A diferença é que naquela época existia ali um enorme e desengonçado monumento em homenagem a Olavo Bilac. Instalado em 1922, o monumento era formado por diversas esculturas em bronze inspiradas na obra do poeta, distribuídas em uma estrutura de alvenaria. Vistas isoladamente, até que não eram tão feias. Mas o conjunto ficou horroroso.

Tão horroroso que a prefeitura, com toda a razão, resolveu tirá-lo de lá em 1936.

Uma vez desfeito o monumento, sobraram as estátuas, que, desgarradas, continuam perambulando até hoje pela cidade. O busto do poeta que ficava no centro do conjunto, por exemplo, atualmente está num modesto pedestal na avenida Sargento Mário Kozel, próximo ao parque do Ibirapuera. Outro fragmento, “O Caçador de Esmeraldas”, foi parar numa escola estadual em Pinheiros. Outro ainda, conhecido como “Idílio” ou “Beijo Eterno”, está no Largo de São Francisco, em frente à faculdade de Direito, e assim por diante.

Estas duas fotos faziam parte de um álbum particular que também foi desmembrado e acabou sendo vendido aos pedaços pela internet. A primeira mostra o monumento visto da avenida, e a segunda, a avenida vista do monumento. Como o álbum se desfez, não dá mais pra saber de quem são as fotos. Só sei que era alguém que falava alemão, por causa da data anotada na folha em que estavam coladas: “März 1926”.

Em 1982 a praça acabou sendo palco de outra homenagem infeliz, ao ser oficialmente batizada de “Praça Marechal Cordeiro de Farias” em reconhecimento a um militar que participou do golpe de 1964. Isto me faz pensar que, feio por feio, teria sido melhor manter o monumento ao poeta parnasiano.

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2 comentários
  1. carlos antonio lopes disse:

    Na maioria das vezes concluo que em nossas plagas tropicais cultua-se a estética do mau gosto, da forma em detrimento do conteúdo, do cafona, do kitsch-como está na moda dizer! Seremos nós fadados a amealhar feiúras e obras físicas e filosóficas desengonçadas, trastes que caberiam num galpão do tamanho do Maracanã?!Não à toa nunca chegamos aos pés de um Nobel! Não à toa não nos sobressaímos em grandes artes sobretudo nos últimos 50 anos! Atribuo isso a nossa mania de NIVELAR POR BAIXO! PENSEM NO ASSUNTO!

  2. Terezinha Rolim Cuocolo disse:

    que pesquisa “lá no fundo da Av. Paulista”, hein? só você….

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