Sobre o Farol Santander

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Quem acompanha as redes sociais deve ter visto a repercussão, nestes últimos dias, da notícia de reinauguração do antigo prédio do Banespa, um velho marco de São Paulo.

O arranha-céu está cheio de novidades, e a primeira é no nome: não será mais Edifício Altino Arantes, mas sim Farol Santander, servindo ao marketing do banco espanhol. Em termos simbólicos, a nova denominação não ambiciona pouco: é o Santander se colocando no papel de guia, de luz que orienta São Paulo do alto. Pessoalmente não gosto dessa imagem, que por sinal também não combina com o “non ducor duco” do brasão da cidade. Mas não sei se ela vai pegar: meu palpite é que o prédio continuará sendo chamado de Banespão mesmo, seu justo apelido há muitos anos.

Mas a repercussão nas redes nem foi por causa do nome, e sim pelo preço que será cobrado do público para visitar o centro cultural ali instalado. É algo como 20 reais para um ingresso completo, ou 15 reais para acesso só ao mirante no topo do prédio. Valores proibitivos para o grosso da população, cobrados pelo Santander, um banco que tem tido lucros no Brasil da ordem de 2,5 bilhões de reais por trimestre. Pessoalmente, também achei isso meio feio, um pouco constrangedor.

A polêmica se potencializa pelo fato de lá dentro haver um loft em que qualquer um pode se hospedar, pagando uma diária de 4 mil reais, e uma pista de skate cuja principal característica é ser pouco acessível aos skatistas. Tudo isso anunciado em um 25 de janeiro, aniversário da cidade. Belo presente.

Mas apesar da polêmica gerada, ou até mesmo por causa dela, eu vejo um lado positivo: acredito que o projeto recém-inaugurado combina bem com o prédio que o abriga. O Banespão sempre foi, pelo menos para mim, um pouco constrangedor. Cópia acanhada do Empire State Building, imitação macaqueada de art déco nova-iorquino, é um prédio que já nasceu curvado e caricatural. E também nasceu meio velho, inaugurado em pleno 1947 numa São Paulo que já tinha arquitetura moderna mais arrojada do que esse seu estilão anos 30.

Por isso não me incomoda tanto o “farol” que estão fazendo dele, um projeto muito bem sintonizado com a grandeza meio pequena e com o espírito anacrônico e subserviente, cafona mesmo, que o prédio tem de nascença.

Nesse aspecto particular, justiça seja feita, o Farol Santander merece elogios.

As imagens são reproduzidas de piratininga.org (foto de 1976, quando o prédio ainda era sede do Banespa) e de netleland.net (proposta original do arquiteto Plínio Botelho do Amaral, depois modificada para tornar o edifício “parecido” com o Empire State).

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4 comentários
  1. Daniel disse:

    Martin, não sei se você chegou a ver, mas tem uma exposição no centro cultural FIESP com belas fotos de São Paulo nos anos 20, 30 e 40.

  2. roseli domingues disse:

    Eu também tenho a mesma impressão ao que foi dito por vc a se refere ao prédio e tam
    bem ao Santander rs.

  3. Não sei… preferia que o prédio fosse usado para algo útil, e não como marketing do banco. Além disso, a inspiração dele é menos cafona que prédios do Niemeyer, por exemplo.

  4. Felipe disse:

    Adoro o Banespa, na minha opinião o melhor de SP.

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