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As dez fotos foram colocadas à venda pela internet, meses atrás. Segundo o site onde eram oferecidas, estavam em Aveiro, Portugal.

Elas devem ser, portanto, registros de uma viagem que algum português, ou portuguesa, fez para cá. Como toda foto de turista que se preze, são bem ruins. Não sei se alguém as comprou, mas antes que isso acontecesse eu as copiei para reproduzir aqui.

As três primeiras são bem de turista mesmo. Foram tiradas do edifício Itália e mostram outros prédios obrigatórios, como o do hotel Hilton, o Copan, a biblioteca municipal e o Louvre (deste último vemos o terraço artachiano, no canto da terceira).

 

A quarta foto também é do centro, e nos dá uma ideia aproximada da data da viagem. Ela é o do vale do Anhangabaú, numa época em que turistas ainda andavam por lá. O vale é um canteiro de obras, cheio de tapumes. A linha leste-oeste do metrô (atual vermelha) está sendo construída. A estação Anhangabaú ficaria pronta algum tempo depois, em 1983.

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Nas cinco fotos seguintes, os carros também ajudam na datação. Uma profusão de fuscas, opalas e corcéis, todos da virada dos anos 70 para os 80, transita pelas principais avenidas da cidade: Paulista, Santo Amaro, 23 de Maio, Rubem Berta.

 

E a última foto é do aeroporto de Congonhas, por onde os visitantes estrangeiros chegavam e partiam. Guarulhos seria inaugurado só em 85.

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Olhando as fotos hoje, o que mais me chama a atenção é a extrema aridez da São Paulo dos anos 70 para 80. Em dez fotos, mal se vê uma árvore. Mas ler as imagens também implica colocar-se no lugar desse português ou portuguesa que visitava a cidade, e imaginar o que terá atraído seu olhar, quase 40 anos atrás. O que será que ele, ou ela, enxergou nesses enquadramentos?

Tirando a feiura, confesso que não sei.

Hoje em dia tem uns espíritos de porco que teimam em tentar argumentar que São Paulo não combina com bicicleta: porque tem trânsito, porque a cidade não é plana, porque aqui não é Amsterdam, porque a rua só para os carros é um direito sagrado da classe média…

Em 1957 essa cultura intolerante ainda não tinha se desenvolvido tanto, e as bicicletas estavam mais integradas à vida da cidade. Tinha bicicleta até na pista do aeroporto!

A foto é da chegada do Caravelle, o primeiro jato de passageiros com turbinas na fuselagem. As pessoas foram à pista, em Congonhas, para ver a novidade de perto. O avião pousou direitinho e ninguém saiu por aí resmungando que bicicleta atrapalha.

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Como muita gente gostou do post de ontem, sobre o futuro aeroporto de Guarulhos, compartilho com vocês mais uma imagem da visita do general Harper.

Desta vez a foto é do Campo de Marte, que hoje em dia é, para mim, um dos lugares-símbolo da cafonice paulistana: uma imensa área pública, em uma região privilegiada da cidade, servindo como aeroporto para os jatinhos e helicópteros dos mais endinheirados.

O aeroporto em si não mudou muita coisa de 1950 pra cá, e o interessante mesmo na foto é a área em volta dele. O rio Tietê ainda está sem marginal, e a ponte Casa Verde (não a atual, de concreto, mas a antiga, de madeira), chama a atenção lá embaixo. As avenidas Rudge e Olavo Fontoura também aparecem em destaque.

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Em 1950, o aeroporto de Guarulhos ainda estava longe de existir.

Mas já existia a Base Aérea de Cumbica, e o lugar estava como nas fotos. Foi aqui que, 30 e tantos anos mais tarde, o aeroporto foi construído.

É fácil reconhecer o local, por causa das construções em estilo neocolonial que aparecem nas fotos. Quem quiser pode conferir no Google Maps: elas estão iguaizinhas, em frente aos terminais de passageiros, do outro lado da pista.

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As fotos fazem parte de um álbum com registros da viagem que um tal general Robert W. Harper fez ao Brasil entre 28 de junho e 3 de julho de 1950. Pelo que consegui pesquisar, ele era diretor de ensino da Força Aérea dos Estados Unidos, e veio visitar os estabelecimentos de ensino da Aeronáutica brasileira. O álbum foi parar em Naples, uma cidadezinha do estado americano do Maine, onde estava recentemente à venda.

Não sei se é uma impressão só minha, mas o aeroporto de Congonhas parece que está sempre em obras. Foi assim que ele cresceu: ganhando um puxadinho, depois outro, depois mais outro, num processo contínuo que o transformou no frankenstein que é hoje.

A foto dos anos 50 mostra que isso vem de longe…

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(Imagem reproduzida de um slide de 35 mm da época)

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Aposto que muita gente nem notou, mas na foto acima o aeroporto de Congonhas aparece todo enfeitado para o Natal. Eu também demorei pra perceber.

A culpa é da agressividade das decorações de Natal atuais em São Paulo. Mergulhados em tanto excesso, nonsense e cafonice, a gente fica meio atarantado e cego mesmo…

A foto é de um conjunto de slides com os principais pontos turísticos da cidade, que era vendido como souvenir nos anos 60.