arquivo

antes e depois

Em 1970, as vitrines de vidro liso Vidrobrás transformavam os indiferentes em compradores.

Mas também refletiam a arquitetura do entorno, e se não fosse esse detalhe eu não teria reconhecido o lugar.

Estamos na praça da República, esquina com rua do Arouche. A vitrine continua lá, mas a região mudou um pouco. Para ver o local hoje, é só clicar aqui: https://goo.gl/maps/4m0U3.

772

O anúncio saiu na revista Veja em 24 de junho de 1970.

756Outro dia dei de cara com a publicidade de um prédio de quitinetes recentemente lançado no centro da cidade. O anúncio simula um convite pessoal, assinado pelo diretor da incorporadora Settin, e o texto deixa claro que se trata de um um evento muito fino e grandioso:

“O momento é chegado, e com grande prazer convido você para a avant-première de lançamento do menor apartamento do Brasil”.

A combinação de “grande prazer” e “menor apartamento” é muito sugestiva. Fica evidente que a incorporadora resolveu aplicar ao marketing imobiliário um conhecido princípio, segundo o qual o que importa não é o tamanho do dispositivo, mas sim o prazer que ele proporciona. Parece fazer sentido: se é verdade para tanta coisa, por que não funcionaria também para apartamentos? A sacada é brilhante.

Em setembro de 1922, a Cia. City também anunciava um arrojado empreendimento de residências pequenas. Mas o marketing não chegava aos pés deste, em matéria de refinamento.

“Essa pequena residencia foi planejada para, no seu serviço domestico, ser dispensado o concurso de creados”, dizia o anúncio de 1922, justificando assim as pequenas dimensões e a ausência de quarto de empregada. As casas tinham “uma sala de visita que tambem serve de sala de jantar”, além de “quarto de banho, copa, cosinha, dois terraços, um pequeno deposito e dependencias externas como garage, galinheiro, pombal e canil”.

Uma casa modelo podia ser visitada na rua Brigadeiro Gavião Peixoto (antecipando o hoje tão batido “visite o decorado”), mas não houve avant-première.

755

O anúncio da incorporadora Settin é uma contribuição do meu amigo André Fontan. O da Cia. Citiy foi enviado por outro amigo, o Reinaldo Elias.

As duas fotos devem ter sido tiradas pela mesma pessoa, certamente impressionada com a transformação da paisagem. Foram colocadas em um mesmo álbum, com as datas anotadas a lápis: novembro de 1941 e outubro de 1947. Em menos de seis anos, a vista mudou completamente!

Olhando só para a primeira foto, eu teria dificuldade para reconhecer o lugar. Mas a segunda não deixa margem a dúvidas: é a avenida Ipiranga cruzando com a São João. A janela do fotógrafo, seja ele quem for, ficava na Ipiranga com a 24 de Maio.

694O texto que acompanha a foto em preto e branco informa que ela é de 1953. Mas nem precisava: basta ver o estado pouco adiantado das obras do edifício Conde de Prates, ao lado do Viaduto do Chá, para imaginar que ela seja dessa época mesmo. O prédio ficaria pronto em 1955.

Mas o detalhe que mais me chamou a atenção não foi esse. Foi ver o edifício Matarazzo, atual sede da prefeitura, sem o seu famoso jardim na cobertura.

E eu que achava que o prédio já tinha nascido com aquele jardim.

693

692

A foto de 1953 é da United Press. A foto atual é reproduzida da internet.

As duas fotos são do mesmo autor (Guilherme Gaensly) e foram tiradas do mesmo local (o prédio do Mackenzie, na esquina das ruas Itambé e Maria Antônia). Elas mostram a mesma vista em direção ao centro, em dois momentos diferentes.

A primeira deve ter sido tirada em 1906 ou 1907. O teatro municipal, que começou a ser erguido em 1905 e só ficaria pronto em 1911, pode ser visto ainda incompleto na linha do horizonte (clicando na foto, dá pra vê-lo com mais detalhe). A rua Major Sertório (no meio da foto, apontando para o teatro) está sem árvores, e a Maria Antônia (no canto inferior direito) tem umas mudinhas miúdas plantadas na calçada. À direita da Major Sertório, vemos duas grandes chaminés: são da usina a vapor da rua Araújo, que produzia eletricidade para o a iluminação e os bondes do centro. E mais à direita ainda, aparece a igreja da Consolação. Não a atual, em estilo neogótico, mas a anterior, demolida em 1907.

Algum tempo depois, na segunda foto, as chaminés e a igreja sumiram. A Major Sertório e a Maria Antônia estão bem arborizadas, e o teatro já ficou pronto…

Mas o que mais me chamou a atenção não foi nada disso. Foi perceber que de Higienópolis dava pra ver o Municipal.

687

688

Atualização em 30 de maio: O Alex Sartori me mandou esta terceira foto que, por coincidência ou não, foi tirada do mesmo ângulo das duas anteriores. Nela não dá mais pra ver o teatro municipal, que sumiu entre os prédios do centro. A igreja da Consolação reapareceu na sua versão nova, com a torre ainda em construção. E na Maria Antônia já vemos o prédio da USP. A foto é de 1947, da revista Life. Impressionante a mudança na paisagem em tão pouco tempo… Obrigado, Alex!

689

“Excursões à Itália via marítima ou aérea. Preços e condições excepcionais. Inscreva-se na S.I.T.- Sociedade Internacional de Turismo. Rua 7 de Abril 277, fone 2-1065.”

Com esse texto no outdoor, a foto só pode ser de São Paulo. Mas descobrir o local exato me deu um certo trabalho.

651

Quem me ajudou a reconhecer o lugar foi o predinho de três andares que aparece à direita. Ele continua igual até hoje, embora não apareça mais, escondido entre outros maiores. Fica na rua Manoel Dutra 577, a poucos metros da avenida 9 de Julho.

O posto de gasolina também está em pé, na avenida, de frente para a praça 14 Bis. Hoje ele está assim:

652

A  foto antiga é reproduzida de  um slide de 35mm, meio azulado pelo tempo mas ainda nítido. Na moldura do slide, alguém anotou uma data a lápis: abril de 1950. A foto atual é do Google Street View.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 455 outros seguidores