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contribuição do leitor

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A foto foi enviada pelo cineasta Lufe Steffen, e de cara isso me deixou muito feliz: há tempos eu sou um admirador do trabalho do Lufe (adorei “São Paulo em Hi-Fi”, documentário sobre a vida LGBT na cidade nos anos 60 e 70), mas não fazia ideia de que ele conhecia o blog. Fiquei sabendo agora que ele não só conhece, mas é um leitor assíduo!

A foto é daquelas que, à primeira vista, só fazem sentido para um círculo restrito de pessoas e não têm muito a dizer para quem é de fora. Ela mostra os pais do Lufe, posando felizes e cheios de expectativa em 1975. O próprio Lufe de certa forma também está na foto, tirada dias antes do nascimento dele. Mas para quem não os conhece, a cena não diz lá grande coisa.

Mas isso é só à primeira vista, pois a foto também é daquelas que, com o tempo, viram interessantes documentos acidentais da vida na cidade.

O que confere essa característica a ela é o local que casal escolheu para a pose. Eles estão na porta de casa, mais precisamente no jardim da entrada do Edifício Marajó, prédio de classe média na rua Ministro Gabriel Rezende Passos, esquina com rua Inhambu, em Moema.

Em 1975, esses lugares ainda se prestavam a fotos de família como esta. De lá para cá, perderam completamente essa vocação. Qual é o casal que, hoje em dia, vai querer eternizar esse momento tendo ao fundo, como cenário, a guarita, a grade e os equipamentos de segurança do prédio?

Para quem quiser tirar a prova, aqui vai uma foto atual, tirada do mesmo ângulo pelo próprio Lufe.

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Na seleção de fotos de Joe J. Heydecker publicada ontem, estas duas tinham ficado de fora. Mas eu as acho tão simpáticas que resolvi fazer um novo post só para elas.

Ao contrário das de ontem, que mostram gente anônima nas ruas, estas são fotos de família. É a esposa do fotógrafo, Charlotte, quem aparece se despedindo da filha, Tita Heydecker, na porta da perua escolar. Pelo menos é o que explicam as fichas de ambas as fotos, no organizado acervo da Biblioteca Nacional da Áustria. As imagens são de 1961. A perua parece meio velha, mesmo para a época.

O que os austríacos provavelmente não sabem, porque não incluíram na descrição, é o endereço exato da cena. Mas estamos na rua Rocha 318, na Bela Vista, e o prédio ao fundo continua igualzinho até hoje.

Schulbus in São Paulo

Schulbus in São Paulo

Foi por intermédio de um leitor assíduo do blog, o Andre Borges Lopes, que eu conheci esta semana o trabalho de Joe J. Heydecker, um fotógrafo de quem eu nunca tinha ouvido falar. Fiquei um tempão olhando as fotos, fascinado.

Pesquisando na internet, fiquei sabendo que Heydecker nasceu em 1916 em Nuremberg, na Alemanha, viveu em diferentes países e produziu uma vasta e variada obra como jornalista, fotógrafo e escritor. A fase mais importante parece ter sido nos anos 40, na Polônia, onde ele fotografou clandestinamente os crimes de guerra nazistas no gueto de Varsóvia.

Mas as fotos que mais me chamaram a atenção foram as produzidas entre 1960 e 1985, período em que o alemão viveu em São Paulo e registrou o cotidiano da cidade.

As fotos de São Paulo são tantas, e tão interessantes, que foi difícil fazer uma seleção. Acabei trazendo estas, do início dos anos 60, porque mostram a paisagem humana da cidade: falam da vida em São Paulo por meio das pessoas nas ruas. Minhas favoritas são das da feira que funcionava na praça Roosevelt, e as do jardim do Museu do Ipiranga.

Heydecker morreu em 1997 em Viena, e suas fotos ficaram lá. O acervo de 25 mil negativos pertence hoje à Biblioteca Nacional da Áustria. As imagens, digitalizadas, estão disponíveis para pesquisa aqui: http://www.europeana.eu.

Obrigado ao Andre pela indicação!

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As duas fotos, de um tempo em que São Paulo tinha mais espaço para o futebol, são do Emilio Lucchi, um leitor que sempre colabora com o blog e a quem agradeço a gentileza. Olhando hoje para elas, não é muito fácil reconhecer o local desta partida.

Mas também não é impossível. Uma pista importante são as casas no fundo. Elas existem até hoje, e estão relativamente íntegras.

Eu sei onde é, mas não vou dizer por enquanto. Quero ver se alguém acerta…

Para facilitar, eu fiz uma junção das duas fotos em que dá pra ter uma visão mais abrangente. Clicando na imagem, dá pra vê-la ampliada.

Alguém arrisca um palpite?

 


Atualização em 19 de maio
:  Várias pessoas se manifestaram, tanto aqui como na página do Facebook, mas infelizmente ninguém acertou. Quem chegou mais perto foram o Alexandre Giesbrecht e a Rochelle Costi, que apostaram na 23 de Maio. Eles acertaram a avenida, mas erraram a altura.

Eu também não teria sido capaz acertar. Só sei qual é o local porque o Emilio Lucchi mandou a informação para o blog junto com a foto!

Quem quiser ver como está o local hoje, é só clicar: https://goo.gl/maps/zfmyd9W2poS2. As casinhas continuam todas lá, na rua Estela com a Coronel Oscar Porto, no Paraíso. Algumas delas foram bastante modificadas, mas o conjunto ainda é reconhecível.

A chaminé atrás delas, evidentemente, já não está lá: há muito tempo não existem mais fábricas na região. Mas a maior mudança mesmo ocorreu na frente, onde a avenida 23 de Maio passou por cima do campo de futebol.

A foto, segundo o Emilio, é provavelmente de 1952. Buscando na internet, eu encotrei um interessante depoimento de alguém que conheceu o local ainda com esse aspecto: http://goo.gl/SENGMS.

Mais uma vez agradeço ao Emilio, e também a todos os que mandaram seus palpites!

De vez em quando este blog ganha presentes dos seus leitores, e isso me deixa muito feliz.

Hoje o presente é do João Francisco Resende, que nos conta que encontrou esta foto à venda, dias atrás, na feira de San Telmo, em Buenos Aires. Como a foto tinha a cara do blog, resolveu comprá-la.

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Está na cara (ou melhor, no verso) que a foto foi tirada em São Paulo. E com um pouco de paciência, pesquisa no Google e ajuda de amigos, acho que consegui entender a anotação em lituano:

784“Pikniko dienoje ežerėlyje malonu paplaukyti su valtele… Ar pažinsi mane?
São Paulo 24-1-1948”

(Em dia de piquenique, é um prazer passear de barco por um laguinho… Você me reconhece?
São Paulo 24 de janeiro de 1948)

Eu certamente não reconheço ninguém, mas tenho um palpite sobre o local da foto. Em 1948 Interlagos estava na moda, e eu acredito que o “laguinho” em questão seja a represa de Guarapiranga.

Se for isso mesmo, eu até arrisco que, para chegar lá, o pessoal da foto pegou o ônibus deste outro post.

 

776A foto de 1971 foi  enviada pelo Mario Favareto, um leitor do blog. O Mario é uma das crianças que aparecem brincando no escorregador em forma de foguete (só não sei qual), e se ele não tivesse explicado eu não saberia que a foto é do Jockey Clube.

O playground (como o chamaríamos hoje) ou parquinho (como se chamava em tempos menos afetados) ficava dentro do Jockey, perto das arquibancadas. Tinha sido instalado em 1969, ano em que o homem pisou na lua, daí seu design aeroespacial, afinado com o imaginário da época. E houve um tempo em que junto dele também funcionou um circo, onde se apresentava o palhaço Arrelia.

Como eu nunca fui de frequentar o Jockey, não conheci o parquinho e não sei até quando ele durou. Mas em algum momento entre os anos 70 e 80, ele seguiu seus instintos e foi para o espaço.

Outro muito parecido, entretanto, se conserva até hoje. Fica em Santos e pode ser visto clicando aqui.

A foto de 1971 é do pai do Mario, Deoclides Macedo. E o anúncio de jornal saiu na Folha e no Estado em setembro de 1969.

Atualização às 16:30:  Dois leitores, o  Fabio De Paula e o  Afonso Sá Moreira, escreveram contando que também existe um foguete-escorregador, igual ao da foto, até hoje no playground (ou será parquinho?) do Esporte Clube Pinheiros. Obrigado aos dois por avisarem!

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A foto não é de São Paulo, mas quem aparece nela é a Beatriz Rivadávia, uma das leitoras mais assíduas do blog.

Beatriz está em frente ao edifício Verde Mar, que seus tios João Artacho Jurado e Aurélio Jurado Artacho, proprietários da construtora Monções, estavam construindo em Santos.

Hoje em dia os empreendimentos imobiliários têm espaço gourmet, praça privativa, fitness center, zen space, cine room, kids place, espaço barbecue, bistrô lounge e muitos outros “diferenciais” que “agregam valor”. Mas eu aposto que nenhum deles tem a sobrinha do dono da construtora posando na frente da obra para o álbum da família.

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(À Beatriz, agradeço a generosidade de ter compartilhado esta foto conosco.)