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A foto dos anos 50 não é minha: é da coleção particular do Werner Keifer, que a postou no Facebook pedindo ajuda para identificar o local. Eu não conheço o Werner, mas gostei tanto da foto que peço licença a ele para republicá-la aqui, junto com a resposta.

O lugar de fato se alterou muito, mas ainda assim dá pra saber onde é. Sugiro que antes de continuar a leitura, deem uma olhada atenta e tentem reconhecer. Alguém arrisca um palpite?

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Caso não tenham conseguido, aqui vai a resposta: a foto é da avenida General Olímpio da Silveira, antes do desastre que se abateu sobre ela com a chegada do minhocão.

Quem atesta o que estou dizendo é ninguém menos  que João Artacho Jurado. Dos prédios à direita, o mais alto é o Edifício Pacaembu, construído por ele no número 386 da avenida. Tanto esse prédio como seu vizinho mais baixo continuam lá até hoje e se alteraram muito pouco, embora não seja mais possível fotografá-los assim inteiros. São prédios que estão lá mas perderam a identidade, roubada pelo elevado. Ninguém mais os vê.

E caso alguém ache o Artacho Jurado insuficiente, também tem Igreja Católica que não me deixa mentir. Lá no fundo, no centro da foto, está a paróquia São Geraldo, do Largo Padre Péricles. Nessa época era possível avistá-la de longe. Hoje não é mais.

O que não existe mais, evidentemente, é o espetacular casarão da esquerda, que ficava na esquina do minhocão com a rua Conselheiro Brotero. Em seu terreno existe hoje um posto de gasolina, que combina muito mais com o minhocão. Quem se interessou pela casa vai gostar de ler este outro post, de 2012: https://goo.gl/5hDJwD.

E para quem quiser ver o aspecto atual do lugar, deixo aqui a foto do Google:

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Pela semelhança física, as moças parecem irmãs.

E pela anotação no verso, certamente feita por uma delas, sabemos que são italianas, que a cena é de 1950 e que a foto foi enviada como lembrança para os pais.

O resto de história se perdeu. A imagem é cheia de enigmas: quem são as duas italianas, que endereço é esse em que elas estão, e até mesmo se o carro é delas ou se estava estacionado ali por acaso na hora da foto.

Mas pra não dizer que eu não resolvi nenhum enigma, pelo menos um deles eu decifrei: o que significa essa numeração tão curiosa na placa do carro: “10-00”.

Na verdade, não foi difícil: encontrei a maior parte da resposta neste texto, publicado em 2009 pelo Ralph Giesbrecht.

Pelo sistema de emplacamento vigente na época, os carros registrados em cada estado recebiam placas com números sequenciais: o primeiro a ser emplacado recebeu a placa “1”, o segundo ganhou a placa “2”, e assim por diante. Mas os números, para facilitar a leitura à distância, eram separados de dois em dois algarismos. Desta forma, a centésima placa recebeu a inscrição “1-00”. A de número 941, por exemplo, acabou ficando “9-41”.

A placa número 59.998 era “5-99-98”. Esta, segundo o Ralph conta, era do pai dele.

E a milésima placa recebeu um “10-00”. Justamente a da foto.

O que não significa que o carro da foto tenha sido o milésimo a ser emplacado em São Paulo. Ele é muito novo pra isso. O que ocorria é que, ao contrário de hoje, as placas não estavam vinculadas ao carro, mas ao proprietário. Quando alguém trocava de carro, a mesma placa do carro velho passava para o novo. Por isso alguns carros nos anos 50, mesmo não sendo tão velhos, tinham placas com número baixo. É o caso deste.

Talvez não seja muito difícil descobrir quem era o dono da placa 1000. Mas eu já cumpri minha cota de descobertas, e deixo isso para quem quiser ir atrás.

Atualização em 20 de janeiro: O João José Basso, leitor do blog, acaba de resolver mais um dos enigmas da foto. Ele reconheceu o local exato onde ela foi tirada. E não é um lugar qualquer: trata-se do edifício Columbus, demolido em 1971, sobre o qual eu já havia escrito em 2013. Para matar qualquer dúvida de que o prédio é esse mesmo, basta comparar a foto com as que aparecem neste artigo da professora Maria Lúcia Bressan Pinheiro: https://goo.gl/E2jmgZ. Obrigado, João, e parabéns pela memória fotográfica!

Atualização em 22 de janeiro: Aos poucos os enigmas vão se resolvendo: já sabemos de quem é o carro! Desta vez a novidade vem do próprio Ralph Giesbrecht, citado no post, que me escreveu há pouco. Ele tem a lista das placas registradas em São Paulo em 1940, e verificou que a de número 1000, ou 10-00, pertencia um tal João Giannini. E mais: o automóvel emplacado com ela em 1940 era um Packard. Como é a mesma marca do da foto, é bem provável que seja o mesmo carro, visto aqui dez anos depois. Obrigado, Ralph!

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“S. Paulo, 10-7-51
Io, Felice, Renato, Gaetano. La prima auto che ho guidato, davanti alla nostra casa dalle parte del parco don Pedro Secondo. Isso es uma grande Beleza. O mais lindo parco do S. Paulo, é muito bonito nos stamos em frente.”

Está na cara que o italiano que escreveu no verso da foto estava aprendendo português. O começo do texto saiu em italiano mesmo (“Eu, Felice, Renato, Gaetano e o primeiro carro que eu guiei, em frente à nossa casa, ao lado do parque Dom Pedro Segundo”), mas na última frase ele já engata um português macarrônico bastante razoável.

E além de aprender a língua, parece que ele também estava fazendo várias outras coisas, como aprender a dirigir, conhecer São Paulo, divertir-se com os amigos…

Se ao invés de querer fazer tudo ao mesmo tempo ele tivesse se concentrado em uma coisa de cada vez, talvez teria conseguido explicar que lugar tão bonito é esse em que morava, vizinho ao Parque D. Pedro.

Eu tentei, mas não consegui entender onde é.

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Na São Paulo atual, basta chover um pouquinho que os semáforos param de funcionar. Eles só voltam dali a um, às vezes até dois dias. A prefeitura aproveita esse tempo para culpar a gestão passada, ou as empresas contratadas para a manutenção, ou a tecnologia empregada no sistema, que é defasada.

Já na época desta foto, não sei se o problema era tão grave. Mas pelo menos a tecnologia ninguém podia culpar. Por mais antiga que fosse, vê-se na foto que ela era confiável, robusta e capaz de resistir às maiores tempestades.

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Fico devendo o crédito da foto, que chegou até mim sem qualquer informação sobre autor, data ou local. A data parece ser final dos anos 40 ou início dos 50, e o local eu agradeço se alguém me ajudar a reconhecer.

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As duas fotos, de um tempo em que São Paulo tinha mais espaço para o futebol, são do Emilio Lucchi, um leitor que sempre colabora com o blog e a quem agradeço a gentileza. Olhando hoje para elas, não é muito fácil reconhecer o local desta partida.

Mas também não é impossível. Uma pista importante são as casas no fundo. Elas existem até hoje, e estão relativamente íntegras.

Eu sei onde é, mas não vou dizer por enquanto. Quero ver se alguém acerta…

Para facilitar, eu fiz uma junção das duas fotos em que dá pra ter uma visão mais abrangente. Clicando na imagem, dá pra vê-la ampliada.

Alguém arrisca um palpite?

 


Atualização em 19 de maio
:  Várias pessoas se manifestaram, tanto aqui como na página do Facebook, mas infelizmente ninguém acertou. Quem chegou mais perto foram o Alexandre Giesbrecht e a Rochelle Costi, que apostaram na 23 de Maio. Eles acertaram a avenida, mas erraram a altura.

Eu também não teria sido capaz acertar. Só sei qual é o local porque o Emilio Lucchi mandou a informação para o blog junto com a foto!

Quem quiser ver como está o local hoje, é só clicar: https://goo.gl/maps/zfmyd9W2poS2. As casinhas continuam todas lá, na rua Estela com a Coronel Oscar Porto, no Paraíso. Algumas delas foram bastante modificadas, mas o conjunto ainda é reconhecível.

A chaminé atrás delas, evidentemente, já não está lá: há muito tempo não existem mais fábricas na região. Mas a maior mudança mesmo ocorreu na frente, onde a avenida 23 de Maio passou por cima do campo de futebol.

A foto, segundo o Emilio, é provavelmente de 1952. Buscando na internet, eu encotrei um interessante depoimento de alguém que conheceu o local ainda com esse aspecto: http://goo.gl/SENGMS.

Mais uma vez agradeço ao Emilio, e também a todos os que mandaram seus palpites!

Fotos antigas da cidade costumam ser em preto e branco, e as poucas coloridas que aparecem costumam ser da região central, que era muito mais fotografada. Por isso minha alegria ao encontrar estas duas, tiradas em 1951 bem longe do centro, lá para os lados de Santo Amaro e Interlagos.

Eu só soube que elas são de São Paulo por causa dos letreiros dos ônibus. O de cima é da linha 114 (Cidade Ademar), e o de baixo é o 123 (Interlagos).

Difícil mesmo é saber onde, exatamente, cada uma das fotos foi tirada. Para isso eu fui atrás do itinerário das duas linhas, que encontrei na Folha da Manhã de 1º de janeiro de 1952:

Linha 114 – Cidade Ademar: Ponto de partida na praça N. S. Aparecida (Moema), seguindo pelo rua Iraé, avenida Indianópolis, avenida Washington Luís, rua das Flechas e avenida Cupecê, com ponto final na praça Pedro Matias de Oliveira (Cidade Ademar). Volta pelo mesmo itinerário. 

Linha 123 – Interlagos: Ponto de partida na praça N. S. Aparecida (Moema), seguindo pela rua Iraé, avenida Indianópolis, avenida Washington Luís, rua Cristóvão Colombo, auto-estrada Interlagos, rua Icahema, com ponto final na praça Presidente Dutra (Cidade Dutra). Volta pelo mesmo itinerário, servindo-se no mínimo em 8 (oito) viagens diárias à praia.

Mesmo assim me é difícil descobrir os locais exatos. Meu palpite é que a foto de cima é na Washingon Luís, e a de baixo é na autoestrada (hoje avenida) Interlagos. Mas certeza, certeza mesmo, não tenho. Deixo a confirmação pra vocês.

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(Fotos de autor desconhecido, reproduzidas de slides de 35 mm da época)