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Como muita gente gostou do post de ontem, sobre o futuro aeroporto de Guarulhos, compartilho com vocês mais uma imagem da visita do general Harper.

Desta vez a foto é do Campo de Marte, que hoje em dia é, para mim, um dos lugares-símbolo da cafonice paulistana: uma imensa área pública, em uma região privilegiada da cidade, servindo como aeroporto para os jatinhos e helicópteros dos mais endinheirados.

O aeroporto em si não mudou muita coisa de 1950 pra cá, e o interessante mesmo na foto é a área em volta dele. O rio Tietê ainda está sem marginal, e a ponte Casa Verde (não a atual, de concreto, mas a antiga, de madeira), chama a atenção lá embaixo. As avenidas Rudge e Olavo Fontoura também aparecem em destaque.

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Um turista catalão esteve aqui em setembro de 1908 e mandou notícias para um amigo em Barcelona. Escolheu um postal com uma linda paisagem do Tietê.

Mas no texto, ele se mostra pouco à vontade com a cidade. Não está vendo muita beleza por aqui, e anda meio entediado:

“S. Paŭlo no te gayres edificis bonichs, pero si importans. Avuy fa 9 dias que hi estic y me semble que fa un any.”
(São Paulo não tem muitos prédios bonitos, mas tem importância. Hoje faz 9 dias que estou aqui, e parece que faz um ano.)

Coitado. Se sentiu falta de beleza na São Paulo que conheceu, o que pensaria se voltasse agora e visse a marginal Tietê na altura da ponte das Bandeiras, que é o cenário do seu cartão…

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O cartão postal do final dos anos 60 mostra uma grande porção da cidade, e tem inúmeros detalhes que daria para comentar. Mas o que mais me chamou a atenção foi uma grande obra perto do canto superior esquerdo, com muita movimentação de terra.

É o enterro do Itororó, um rio que até então corria a céu aberto, mas que agora está sepultado debaixo da 23 de Maio.

Quem em paz descanse.

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Em 1925, quando foram feitas estas fotos, a Cia. City estava loteando o elegante bairro do Pacaembu mas não sabia muito bem o que fazer com uma grande área problemática que ficava bem no meio.

Resultante da canalização do córrego Pacaembu, o local era um fundo de vale com barrancos dos dois lados, formando uma espécie de buraco onde ninguém ia querer construir casas de luxo.

A topografia lembrava um estádio, com os barrancos servindo de arquibancada, então a saída encontrada foi fazer um estádio mesmo. O terreno foi doado à prefeitura e o estádio municipal ficou pronto em 1940.

As fotos estavam perdidas em um sebo, e eu não consegui sair de lá sem levá-las.

A foto, de 1937, veio junto com as do post anterior. O rio que aparece nela é o Pinheiros, e a foto foi tirada em direção ao espigão da Doutor Arnaldo e Paulista.

Vamos traduzir as legendas? A primeira diz “faculdade de medicina”. A segunda, “avenida Rebouças”.

E a terceira diz que a Light está acabando com o rio e estragando o lugar para sempre. A tradução não é literal, mas o sentido é preciso.

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Ao contrário dos outros, que mostram pequenos pedaços de São Paulo, o post de hoje permite ver a cidade inteira.

As fotos são de meados da década de 20. As inscrições feitas a tinta em algumas delas (especialmente nas de número 5 e 6) me fazem crer que em seu momento elas tiveram alguma vinculação com Cia City. Eu as descobri algum tempo atrás perdidas em um sebo, em minha garimpagem de fotos da cidade.

Daria para escrever um monte comentando cada uma, mas prefiro deixar que vocês voem pela cidade e tirem suas conclusões. Bom passeio!