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Este simpático casal de americanos esteve no Brasil em 1974, visitando cidades como Manaus, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Mas embora tenham fotografado muito as outras cidades, em São Paulo eles não se animaram. Somente três fotos da viagem são daqui, e todas foram tiradas dentro do hotel. A primeira é uma engenhosa selfie no banheiro, e as outras duas foram tomadas da janela do quarto, de onde se viam prédios como o Itália, o Viadutos e o Copan.

É realmente uma pena que eles não tenham fotografado mais a cidade, mas o pouco que produziram já nos serve para alguma coisa.  É que o hotel Hilton, onde o casal se hospedou, deixou de funcionar em 2004. Como não podemos nos hospedar lá, é só mesmo por meio das fotos que temos acesso ao banheiro e à paisagem…

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A foto estava meio amassada, entre dezenas de outras bem menos interessantes, à venda numa barraca da feira do Bixiga. Por 5 reais, ela veio para o blog.

Não há nenhuma indicação de quem seja o autor, mas obviamente é alguém que sabia fotografar e conseguiu um bonito efeito com o recurso da longa exposição.

Mas o efeito mais interessante da foto não é esse. Ele não foi intencional, e sequer podia ser percebido na época.

É que, curiosamente, tudo aquilo que na imagem saiu nítido continua em seu lugar até hoje. O Instituto Pasteur, o edifício Tuiuti, o totem com nome de rua e até mesmo a arvorezinha permanecem iguais. Esta última, se não for a mesma, é uma réplica perfeita…

Já o que aparece borrado – um Chevette, dois Fuscas, um Puma, um Passat e um Dodge Dart – sucumbiu à passagem do tempo e não existe mais por lá.

Quem quiser conferir, é só olhar a foto atual: https://goo.gl/maps/gtcBacoLRyo.

O reverendo Alva W. Knoll, até onde eu consegui pesquisar, foi um religioso americano que passou a maior parte da vida em Freeport, uma cidadezinha do estado de Ohio. As últimas informações que consegui achar dele são dos anos 1960: deve ter se aposentado ou morrido nessa época.

Mas bem antes disso, quando ainda era estudante em um seminário metodista, ele teve a chance de fazer longas viagens pelo mundo. E uma delas, em 1924, incluiu um tour pela América do Sul.

A viagem rendeu muitas fotos, e de volta aos Estados Unidos o futuro pastor resolveu ganhar um dinheirinho com elas, rodando as igrejas do estado de Ohio e oferecendo seus serviços como palestrante.

Como na época não exista powerpoint, o jeito era viajar carregando 50 delicados slides de vidro para serem projetados. A palestra se chamava “Little glimpses of daily life beyond the Equator” (Pequenos vislumbres da vida cotidiana debaixo do Equador), e a remuneração sugerida era de 10 dólares. O restante das informações está no folheto datilografado que Alva distribuía divulgando o serviço:

“Fifty minute lecture, with fifty colored slides selected from 800 photographs taken on the South American Tour. Slides made up and colored by Knoll. Slides give a fair picture of living conditions, customs, character, and some history.”

(Palestra de 50 minutos, com 50 slides coloridos selecionados de 800 fotografias do tour sulamericano. Os slides, produzidos e colorizados por Knoll, proporcionam uma imagem fiel das condições de vida, costumes, caráter e alguma história.)

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As imagens que ele mostrava de São Paulo eram interessantes, mas eu tenho cá as minhas dúvidas sobre a qualidade das informações que Alva Knoll divulgava na palestra. Em um dos slides, dá pra perceber que ele ficou na dúvida sobre como escrever “Butantan”. E em outro, errou bem mais feio: escreveu “Teatros” na foto do Anhangabaú em que aparecem os prédios da Prefeitura e do Automóvel Clube. Deve tê-los confundido com o Teatro Municipal e o Teatro São Pedro, que ficavam (um deles ainda fica) quase ali, mas do lado oposto do vale.

Mas o mais interessante nas fotos é que, se fossem tiradas hoje, a do Instituto Butantan ficaria praticamente igual, enquanto a do Anhangabaú seria totalmente diferente. Meu detalhe preferido  está na segunda: o edifício Sampaio Moreira, em construção, exibindo um anúncio do loteamento Bosque da Saúde. O prédio do centro e o bairro da zona sul estavam nascendo simultaneamente.

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Quando a construtora Monções começou a comercializar o edifício Louvre, em 1952, os anúncios nos jornais descreviam os “requintes de confôrto” que os moradores do prédio teriam à sua disposição nas áreas comuns. A lista era longa: playground, solarium, piscina, bar, jardim de inverno, salão de festas, salão de estar, salão de chá, salão para crianças…

Quase todos esses itens, na verdade, estavam presentes também em outros prédios do João Artacho Jurado, como por exemplo o Bretagne. O único realmente exclusivo era uma “Grandiosa Galeria de Arte” que seria instalada no térreo. Ela com certeza tinha sido concebida para ressaltar a atmosfera ‘artística’ do empreendimento, que não só tinha nome de museu, mas também se dividia em alas com nomes de pintores: Da Vinci, Rembrandt, Velázquez, Renoir, Pedro Américo.

Artacho, infelizmente, não conseguiu entregar essa galeria. Como tantos outros empreendimentos dele, o Louvre foi construído com grandes dificuldades. A obra se arrastou por mais de 15 anos e, quando o prédio ficou pronto, em 1967, a ideia já tinha ficado para trás.

Mas eis que, quase 65 anos depois de anunciada, a promessa será finalmente cumprida, com a inauguração em setembro próximo do Museu do Louvre Pau-Brazyl. O projeto é iniciativa do Guilherme Giufrida e da Jéssica Varrichio, moradores/curadores que convidaram artistas e coletivos e estão angariando fundos para viabilizá-lo.

Eu gostei muito do projeto e também da ideia de batizá-lo com o nome Pau-Brazyl. A meu ver, isso compensará uma feia injustiça cometida lá atrás pelo próprio Artacho. Eu sempre achei que não tinha sido muito elegante da parte dele dar nomes de artistas europeus aos quatro luxuosos blocos da frente, enquanto relegava o paraibano Pedro Américo ao bloco de apartamentos de fundos, mais barato e modesto. Um complexo de vira-lata que podia ter sido evitado…

Quem quiser conhecer os detalhes do Museu do Louvre Pau-Brazyl pode entrar na página do projeto no Facebook (www.facebook.com/louvrepaubrazyl), ou no link da campanha de crowdfunding (goo.gl/L7tz11).

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Quando se mudou da praça do Patriarca para a praça Ramos, em 1939, o Mappin tentou mudar de nome e passou a se chamar Casa Anglo Brasileira. A tentativa durou alguns anos, mas não vingou: as pessoas continuavam chamando a loja de Mappin mesmo.

Esta foto é uma das poucas que existem do prédio com o nome trocado na fachada. Algum tempo depois, o letreiro com a marca Mappin voltaria ao seu lugar.

Porém, o que torna a foto rara mesmo nem é isso, mas sim o fato de ela ser em cores, em plena década de 1940. O Mappin, aliás, só aparece por acaso: a riqueza está nos personagens do fascinante carrinho de mexericas, vendidas a 5 cruzeiros a dúzia.

A foto é reproduzida de um slide de 2 1/4 polegadas, formato que foi comum nos anos 40, antes de os filmes de 35 mm se popularizarem.

E quem gostou deste post provavelmente também vai gostar deste outro.

Esta semana, a página Prédios de São Paulo do Facebook publicou uma foto lindíssima que tomo a liberdade de reproduzir aqui. Ela mostra o Conjunto Nacional na época da construção, visto de baixo para cima, a partir da rua Augusta.

Por coincidência, no mesmo dia em que vi que vi essa foto, caiu na minha mão uma outra, tirada na mesma época, do ponto de vista exatamente oposto. Ela mostra a rua Augusta, vista de cima para baixo, a partir do Conjunto Nacional.

Achei a coincidência interessante, e resolvi postar as duas aqui. O fato de uma das fotos ser em preto e branco e a outra em cores torna ainda mais curiosa essa oposição.

A primeira foto, segundo a página Prédios de São Paulo, é do acervo deixado por David Libeskind (1928-2014), autor do prédio. A segunda é um slide de 35mm, de fotógrafo desconhecido.

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Os portugueses do post anterior me deixaram bastante decepcionado. Puxa, eles estavam de carro, rodaram a cidade inteira, mas só tiraram foto do museu do Ipiranga??!

Por sorte, ingleses costumam ser mais disciplinados. E estas fotos foram tiradas por um grupo de tripulantes do HMS Delhi, um navio da marinha real britânica que esteve por aqui mais ou menos pela mesma época. Elas faziam parte de um enorme álbum com fotos das várias regiões do Brasil pelas quais o navio passou, que infelizmente foi desmembrado e vendido aos pedaços na internet.

Assim como a dos portugueses, a visita dos ingleses a São Paulo também começou por Santos. A primeira foto, segundo a anotação do verso, é da avenida principal da cidade. O canteiro central com palmeiras me faz acreditar que seja a avenida Ana Costa, mas como não conheço Santos tão bem assim, vou deixar a confirmação para quem conhece. Além das palmeiras,também deve ter chamado a atenção dos ingleses o simpático Armazém Juquiá, que servia cerveja Brahma ali na esquina. Bem santista.

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A subida da serra não foi de carro, mas de trem, como se vê na segunda foto. E uma vez em São Paulo, os ingleses aparecem bebendo de novo, desta vez “at the English Club”. Deve ser o mesmo clube inglês que até hoje funciona na rua Visconde de Ouro Preto, uma travessa da Consolação.

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Da Consolação, seguimos para uma tal “avenida Carlos de Campos”, e isto nos permite saber a data aproximada da visita. É que durante um curto período, no final dos anos 20, esse foi o nome da avenida Paulista. À esquerda está o Belvedere Trianon, no lugar hoje ocupado pelo Masp.

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Antes de ir embora, os ingleses deram um pulo no Instituto Butantã. De todos os lugares, é o único que conserva mais ou menos o mesmo aspecto até hoje:

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Finalmente, a volta a Santos, ao que parece, foi feita de carro. E tão interessante como a foto é a anotação no verso:

“Ypiranga just outside São Paulo on the Santos Road after a shower, so you can imagine what it is like after a storm”.
(Ipiranga, nos arredores de São Paulo, na estrada para Santos logo depois de uma pancada de chuva. Imagine como fica isto depois de uma tempestade.)

A chuva atrapalhou a viagem de carro. Quer coisa mais atual em São Paulo que isso?

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