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fotos de família

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A  alameda Fernão Cardim é uma ruazinha de apenas dois quarteirões, que corre paralela à avenida Paulista, começando na Brigadeiro Luís Antonio e terminando na alameda Campinas. Hoje ela é basicamente um corredor de guaritas e grades de segurança, que não se presta muito a festividades. Mas há 50 anos, era cenário dos carnavais de Mariana Pabst Martins.

Mariana é a mais alta das meninas que aparecem no portão, posando com suas fantasias no carnaval de 1967. Um pouco mais à esquerda, protegido pelo toldo que servia de garagem, aparece o DKW Fissore do pai de Mariana, o artista plástico Aldemir Martins.

A casa, segundo nos conta Mariana, foi demolida nos anos 70 junto com a vizinha da esquerda, no auge da febre imobiliária que alterou  a paisagem dos Jardins, substituindo as casinhas, mansões e cortiços que formavam um bairro misto e variado, pelo mar de prédios homogêneos que conhecemos hoje.

No lugar das duas casas, hoje existe o edifício alto e gradeado que se vê na foto abaixo, do Google. Seu “estilo neoclássico” relembra um passado que São Paulo nunca teve. E seu nome, “Mansão Fragonard”, homenageia o francês Jean-Honoré Fragonard, artista plástico do século 18 que, ao contrário do pai de Mariana, nunca teve nada a ver com o lugar.

Arquitetura neoclássica de carro alegórico e homenagem barroca de samba enredo…
Pensando bem, de alguma maneira o local conseguiu conservar, sim, a atmosfera festiva do carnaval.

 

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(Agradeço à Mariana, que pela segunda vez compartilhou conosco suas fotos e memórias.)

Este simpático casal de americanos esteve no Brasil em 1974, visitando cidades como Manaus, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Mas embora tenham fotografado muito as outras cidades, em São Paulo eles não se animaram. Somente três fotos da viagem são daqui, e todas foram tiradas dentro do hotel. A primeira é uma engenhosa selfie no banheiro, e as outras duas foram tomadas da janela do quarto, de onde se viam prédios como o Itália, o Viadutos e o Copan.

É realmente uma pena que eles não tenham fotografado mais a cidade, mas o pouco que produziram já nos serve para alguma coisa.  É que o hotel Hilton, onde o casal se hospedou, deixou de funcionar em 2004. Como não podemos nos hospedar lá, é só mesmo por meio das fotos que temos acesso ao banheiro e à paisagem…

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O menino que aparece à esquerda, acompanhado da mãe e do primo, é o pianista Fábio Caramuru. Eu pedi, e ele generosamente deixou que eu publicasse a foto aqui no blog.

Eu jamais reconheceria o local, mas o próprio Fábio explica: é a rua Cravinhos, no Jardim Paulista, com a avenida 9 de Julho ao fundo.

As árvores lá atrás ficavam ao lado do Colégio Assunção. Foram derrubadas mais tarde para construção de um supermercado Eldorado, hoje Carrefour, com entrada pela rua Pamplona.Hoje elas fazem falta na paisagem do local.

E além das árvores, também fazem falta os jardins de muro baixo, a rua da paralelepípedos e a calçada feita de caquinhos. Tudo isso dava à rua uma atmosfera de gentileza e tranquilidade, que combinava à perfeição com o coração estampado na roupinha do Fábio.

Hoje o local está assim:

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(A primeira foto, de 1958, é do acervo pessoal de Fábio Caramuru. A segunda, de 2014, é reproduzida do Google.)

“A Seringueira Paulista” era uma tradicional loja de artefatos de borracha, que ao longo dos anos ocupou diferentes endereços na última quadra da rua Clélia, na Lapa. Nas fotos abaixo, aqui a vemos instalada respectivamente nos números 2285, 2293 e 2290.

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Atualmente, nesses três endereços existem comércios bem menos sedutores. Os dois primeiros, hoje unificados, abrigam uma concessionária de carros da marca chinesa Chery. No terceiro funciona uma loja de motos.

Mas o que eu gosto mesmo é o resto do álbum, que parece ter pertencido aos donos da Seringueira Paulista. Elas nos fazem passear por uma rua Clélia bem mais tranquila, no começo dos anos 70.

Destaque para o prédio da Escola Estadual Pereira Barreto, praticamente o único que não se alterou, e também para o posto de gasolina com frentistas gêmeos, no terreno hoje ocupado por uma escola de inglês CNA.

Em quase cinco anos de blog, eu nunca tinha postado uma foto minha por aqui. Mas hoje, mexendo numas coisas velhas de família, acabei encontrando esta e não resisti.

Pelo meu tamanho, a foto deve ser de 1976. Mas o mais interessante nela não sou eu, e sim a vista para a rua Itambé. As casas do outro lado da rua não estão mais lá. Hoje existe um prédio feio, cercado por muro bege, que se chama Neoclass Helbor Higienópolis.

As casas não tinham nome, mas eram bem mais legais de se ver.

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Odila é a diferentona da foto. Ela é a única que teve o nome anotado, e a única que posou separada das colegas, ao lado de seu garboso professor.

As razões de tanto privilégio se perderam junto com os envolvidos: a foto tem 97 anos, e não sobrou ninguém que possa explicá-las.

A única que restou é a escada que emoldura a pose, que evidentemente não pode contar a história. Mas só o fato de ela ter sobrevivido já é notável em São Paulo, onde o normal é que as construções (sobretudo as belas) desapareçam antes das pessoas.

Pensando bem, a escada é outra diferentona na foto.

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A foto antiga, com um 1919 anotado no verso, estava em um sebo em Santos. A foto atual fui eu mesmo que tirei hoje de manhã, na Escola Estadual Conselheiro Antonio Prado, na Barra Funda.

Os portugueses do post anterior me deixaram bastante decepcionado. Puxa, eles estavam de carro, rodaram a cidade inteira, mas só tiraram foto do museu do Ipiranga??!

Por sorte, ingleses costumam ser mais disciplinados. E estas fotos foram tiradas por um grupo de tripulantes do HMS Delhi, um navio da marinha real britânica que esteve por aqui mais ou menos pela mesma época. Elas faziam parte de um enorme álbum com fotos das várias regiões do Brasil pelas quais o navio passou, que infelizmente foi desmembrado e vendido aos pedaços na internet.

Assim como a dos portugueses, a visita dos ingleses a São Paulo também começou por Santos. A primeira foto, segundo a anotação do verso, é da avenida principal da cidade. O canteiro central com palmeiras me faz acreditar que seja a avenida Ana Costa, mas como não conheço Santos tão bem assim, vou deixar a confirmação para quem conhece. Além das palmeiras,também deve ter chamado a atenção dos ingleses o simpático Armazém Juquiá, que servia cerveja Brahma ali na esquina. Bem santista.

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A subida da serra não foi de carro, mas de trem, como se vê na segunda foto. E uma vez em São Paulo, os ingleses aparecem bebendo de novo, desta vez “at the English Club”. Deve ser o mesmo clube inglês que até hoje funciona na rua Visconde de Ouro Preto, uma travessa da Consolação.

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Da Consolação, seguimos para uma tal “avenida Carlos de Campos”, e isto nos permite saber a data aproximada da visita. É que durante um curto período, no final dos anos 20, esse foi o nome da avenida Paulista. À esquerda está o Belvedere Trianon, no lugar hoje ocupado pelo Masp.

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Antes de ir embora, os ingleses deram um pulo no Instituto Butantã. De todos os lugares, é o único que conserva mais ou menos o mesmo aspecto até hoje:

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Finalmente, a volta a Santos, ao que parece, foi feita de carro. E tão interessante como a foto é a anotação no verso:

“Ypiranga just outside São Paulo on the Santos Road after a shower, so you can imagine what it is like after a storm”.
(Ipiranga, nos arredores de São Paulo, na estrada para Santos logo depois de uma pancada de chuva. Imagine como fica isto depois de uma tempestade.)

A chuva atrapalhou a viagem de carro. Quer coisa mais atual em São Paulo que isso?

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